sábado, 10 de outubro de 2026

CONGRESSO XVº DA UGT-Governo quer interferir na Central Sindical!

 Decorre neste fim de semana o XVº Congresso da UGT na cidade da Figueira da Foz! Infelizmente os congressos das centrais sindicais quase não são notícia, embora por vezes neles se joguem muito do nosso futuro enquanto trabalhadores!

Este Congresso da UGT tem efetivamente uma importância pa


rticular para o futuro das nossas lutas pelos direitos e valorização do trabalho. O que está
efetivamente em causa? A liderança da Central sindical e a sua estratégia sindical! Ambas as questões estão interligadas! Não é pouco, não senhor!

O governo através dos TSD (trabalhadores sociais-democratas) quer na Presidência da Central um/uma sindicalista que seja mais político que sindicalista e que apoie, dentro da UGT as políticas ultraliberais que a Ministra Ramalho quer para o País. Claro que uma parte dos sindicalistas afetos ao PSD não gostaram desta manobra política. No interior da própria UGT, em particular os sindicalistas afetos ao Partido Socialista, o processo é acompanhado com muita atenção para evitar uma presidência que frature os consensos e os compromissos.

A eleição de um sindicalista para Presidente da UGT que, embora afeto ao PSD, seja capaz antes de mais de pensar como sindicalista será muito importante para a estratégia futura da Central, em particular no que respeita ao confronto que, a prazo, vai colocar o Movimento Sindical com esta Ministra defensora das teses das associações patronais de maior flexibilização das relações de trabalho e enfraquecimento das organizações de trabalhadores. O discurso que proferiu hoje no próprio Congresso confirma esta tese.Ela tem sempre razão, o País precisa de uma reforma liberal do trabalho para estar a par dos outros! Teve o desplante de ir a um congresso de trabalhadores defender teimosamente as suas teses muito próximas das convicções patronais.

Um trajeto de autonomia ou acorrentada ao governo?

O que assim se vai debater na Figueira da Foz é se a UGT vai continuar o seu trajeto de progressiva autonomia ou vai claudicar perante as propostas do governo/associações patronais. Que o governo não ficou contente com o comportamento da UGT no processo negocial do pacote é uma evidência! Viu-se nomeadamente na universidade de Verão do PSD onde falou o Presidente da CIP, mas nem um sindicalista teve a palavra. Uma vergonha que num evento de formação daqueles, com uma centena de possíveis jovens quadros, se ignore a dimensão e a voz sindical!

Curiosamente o mesmo se passa com alguns sindicatos independentes afetos à AD que, perante o pacote e na primeira greve geral, mantiveram a sua estratégia de não claudicar! Para eles a UGT é uma referência!

Desejo que o consenso autonómico prevaleça na UGT. Mais do que nunca é necessário um sindicalismo não apenas independente, mas também autónomo, ou seja, que se governe pela própria cabeça! Os sindicalistas, para além das suas simpatias políticas, são sindicalistas!

 

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