Por agora o Movimento Sindical e social derrotou o pacote
labora do governo. Todavia, as propostas patronais voltarão de uma forma ou de outra.
Entretanto, a Ministra Ramalho recuou com esta sua proposta derrotada e não
pretende por agora colocar a debate o Livro Verde sobre a Segurança Social. O
momento político é mau para o governo e não interessa abrir novas frentes de
guerra com a sociedade, em particular com os trabalhadores!
No entanto, e quando for oportuno, a Ministra vai apresentar as suas propostas sobre a segurança social, propostas estas que foram trabalhadas por um Grupo de trabalho composto por pessoas afetas à
Iniciativa Liberal e algumas com ligações às seguradoras interessadas historicamente na privatização das pensões.
Há interesses privados interessados no nosso dinheiro
Há de facto uma estratégia comunitária e de alguns setores
da AD que visa mobilizar as enormes quantidades de dinheiro do sistema público
de segurança social, dos trabalhadores, para ser investido em fundos privados!
Ou seja, para os capitalistas é uma pena que não se utilizem estes dinheiros
para fazer mais dinheiro. Claro que essa estratégia tem riscos enormes e pode
levar à falência do sistema de pensões colocando na miséria milhões de
pensionistas! Aconteceu em alguns países, nomeadamente no Chile e Bolsonaro no
Brasil também queria ir por esse caminho!
Temos de estar assim preparados para um novo processo de
luta em que será necessária informação e mobilização das organizações
políticas, sindicais e sociais.
São muitos os portugueses que não têm a mínima ideia como
funciona o nosso sistema de segurança social pública. Queixam-se, por exemplo,
de que temos muitas pensões baixas. É uma verdade bem comprovada que a maioria
dos nossos pensionistas não atingem os mil euros mensais! Mas há que saber as
causas desta situação, explicando que as nossas pensões e subsídios, no regime
contributivo, dependem fundamentalmente dos nossos salários que foram e são
ainda hoje baixos! E que há muito trabalhador e empresas que fazem descontos
menores dos que deveriam fazer e, em alguns casos de trabalho clandestino, nem
fazem descontos! E depois temos milhares de pessoas que usufruem apenas da
pensão social que na maioria dos casos não chega a 300 euros!
Não vamos entregar o ouro ao bandido
O Ministério do Trabalho e da Segurança Social está cheio de
assessores neoliberais, com ideias para utilizar o dinheiro que é dos
trabalhadores à sua maneira e sem passar cartão a estes. Parece que esta
situação não escandaliza ninguém. Estamos a «entregar o ouro ao bandido» se não
enfrentarmos esta situação com firmeza evitando que utilizem o nosso dinheiro para negócios privados!
Há muito que informar e mostrar porque é muito importante um
sistema de segurança social público em que deve ter na sua gestão a
participação de representantes das Organizações de trabalhadores! Contamos
certamente com a oposição das Centrais Sindicais e esperamos que com
sindicalistas de sindicatos independentes que não se deixem enganar pelos
cantos da sereia!






