sexta-feira, 1 de outubro de 2021

O TRABALHO DESGASTA NOVOS E VELHOS.O MAL ESTAR AGRAVA_SE!

 

O trabalho desgasta-nos em demasia?Claro que sim e nunca se falou tanto em mal estar no trabalho e ao mesmo tempo tanatas panaceias se escrevem para resolvermos individualmente este problema quando o mesmo é um problema estrutural ao capitalismo actual.


O problema não estará tanto naquilo que se pode considerar ao longo dos anos o «normal» desgaste do nosso corpo no trabalho.O problema principal nos dias de hoje está no desgaste «anormal» do nosso corpo em especial o desgaste mental que largas camadas de trabalhadores sentem, muitos deles ainda muito jovens.

Todos os estudos apontam para um conjunto de factores de risco ligados ás condições de trabalho e de vida modernos onde pontificam as novas tecnologias de comunicação e a microelectrónia, as longas horas de trabalho, a pressão e o stresse crónico provocados pelos mecanismos de exploração do trabalho, nomeadamente as exigências da competitividade, objectivos de trabalho irrealistas, longas horas de trabalho, gestão paranóica e desumana

.Todo este cenário descrito sumáriamente está a fazer um mundo do trabalho doentio onde são frequentes as depressões e ansiedade, as doenças cardiovasculares, bem como a violência física e o assédio  moral.O recente relatório da OMS e da OIT sobre esta matéria confirmam esta situação que a pandemia viria a acentuar.

Embora alguns inquéritos,nomeadamente no âmbito da Agência Europeia para a Segurança eSaúde no Trabalho, revelem que a maioria dos empresários se mostra preocupada com esta situação que afecta a produtividade,nada indicia que a curto prazo se tomem medidas concretas por parte dos governos e da Comissão Europeia.A maioria das propostas vão no sentido do voluntarismo da autoregulação, da sensibilização e informação.Nesta linha é paradigmática a recente Estratégia Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho 2021-27 da Comissão europeia.A segurança e sáude no trabalho ainda não é considerada um direito fundamental como pretendem os sindicatos.

Sem negar a importância do trabalho de sensibilização e informação nesta matéria, aliás bem reafirmada pelas mais recentes convenções da OIT, é absolutamente necessário fazer mais e melhor no domínio da legislação comunitária e nacional para proteger os trabalhadores dos riscos profissionais. A saúde mental das populações,preocupação muito na moda dos governos e instituições comunitárias exige na prática que se tomem medidas adequadas para os locais de trabalho, nas empresas e nos serviços.O próprio Movimento Sindical tem que ser mais acutilante e aguerrido nesta matéria.Nos pacotes de legislação laboral que estão na gaveta para serem aprovados também deveriam estar projectos para a prevenção dos riscos psicossociais no trabalho.

 

sexta-feira, 24 de setembro de 2021

LONGOS HORÁRIOS DE TRABALHO MATAM EM TODO O MUNDO!

 

Os longos horários de trabalho,que ultrapassam as 55 horas em alguns países, são o principal risco para os trabalhadores, segundo relatório recente da Organização Mundial de Saúde e da Organização Internacional do Trabalho.Relacionadas com as longas jornadas de trabalho estão mais de 750 mil mortes em todo o mundo em 2016.Ambas as Organizações mundiais insistem na necessidade da redução dos tempos de trabalho para defender a saúde de quem trabalha.Ora, esta tem sido uma


reivindicação do Movimento Sindical desde sempre.Todavia, a maioria das empresas insiste na necessidade da flexibilidade de horários e em mais tempo de trabalho.É o capitalismo puro e duro!

Por outro lado, os outros grandes factores de risco para os trabalhadores são a contaminação do ar que provocou a morte a 450 mil trabalhadores, os produtos que provocam asma,as substâncias cancerígenas, os riscos ergonómicos e o ruído.

A nível mundial as mortes relacionadas com o trabalho tiveram uma redução de 14% entre 2000 e 2016.A promoção de uma melhor segurança e saúde no trabalho em alguns países é a principal causa dessa redução.Daí que seja necessário insistir com as empresas e com os governos para que invistam muito mais em medidas de prevenção dos riscos profissionais.

No entanto, as mortes ligadas a doenças do coração estão frequentemente relacionadas com os longos horários de trabalho e aumentaram mais de 40%.Tudo indica que este aumento está relacionado com o crescimento dos riscos psicossociais no trabalho , com destaque para o stresse.

O Relatório informa ainda que os acidentes de trabalho e as doenças profissionais mataram em todo o mundo ,no ano de 2016, quase dois milhões de trabalhadores, a maioria relacionada com doenças respiratórias e cardiovasculares.Os acidentes de trabalho causaram mais de 360 mil mortes, ou seja, 19% do total das mortes no trabalho

segunda-feira, 23 de agosto de 2021

O ACORDO SOBRE FORMAÇÃO E QUALIFICAÇÃO FOI MAIS UM?

 

No passado dia 28 de julho o Governo e os parceiros sociais, com excepção da CGTP, assinaram o


«Acordo sobre Formação Profissional e Qualificação: um desígnio estratégico para as pessoas, para as empresas e para o País».Numa primeira leitura do documento de 20 páginas a impressão que temos pela frente é que é um enfadonho catálogo de intenções, cheio de palavrões técnicos que apenas os mais entendidos no sistema poderão verdadeiramente apreciar.Passado um mês poucos comentários li sobre esta questão tão importante para o nosso País e para os trabalhadores em especial.

Pela minha cabeça passam-me vários episódios vividos em particular na restauração onde cheguei  a ensinar uma empregada como deveria abrir correctamente uma garrafa de tinto com um saca-rolhas.Frequentemente vejo empregados que nem sabem porque lado devem retirar o prato e como devem tratar os talheres.Então não posso deixar de me interrogar como é possível que após tantos milhões para a formação, tantos cursos de formação, tanta formação nos encontremos nesta situação.Será que os trabalhadores formados estão todos nos grandes hotéis e restaurantes de luxo ou estão no desemprego porque têm formação? Será que emigraram para o estrangeiro?

Significa então que a CGTP , que não assinou o Acordo, tem alguma razão quando olha para mais um acordo mas não vê como vai ser cumprido e como se vai conetar a formação recebida á categoria profissional, á melhoria salarial, à produtividade e bem estar dos trabalhadores?Como  valorizar a formação e qualificação quando o mercado de trabalho tem as portas completamente abertas á precariedade? Ao trabalho barato dos imigrantes que, no caso da restauração, pode chegar a 2 euros à hora?

Vamos ter um aumento da população qualificada tanto a nível dos trabalhadores como dos pequenos empresários.É bom!Mas não vemos qualquer mecanismo que , para além do livre mercado,  valorize a formação na carreira do trabalhador, incentive o trabalhador a recorrer á formação para se valorizar e melhorar o seu presente e o seu futuro.

Recordo que na Função Pública os trabalhadores faziam cursos de formação profissional para o curriculo.Todavia, o júri dos concursos percebendo o estrategema,começaram a desvalorizar  a formação  com menos de trinta horas.A motivação da maioria dos trabalhadores não era grande pois a formação tinha e tem pouco impacto na sua carreira.

Lembro-me ainda que durante os meus anos de trabalho fiz vários cursos de informática.Todavia, foi no dia a dia com os meus colegas mais jovens e instruídos na matéria que eu aprendi alguma coisa.Coitados, eles nunca receberam nada por essa formação, enquanto os formandos encartados ganhavam que se fartavam.

No actual contexto de apresentação de trabalho à Comissão Europeia no quadro da «bazuca» este Acordo tem inegávelmente algum valor político para o governo e parceiros sociais.O fulcro será o quadro financeiro de 2021-2027.Metem-se umas buchas de digital e transição energética e está feito o bolo.

Mas não seria altura para um debate mais profundo e alargado sobre as debilidades do sistema de formação profissional?Não seria necessário responsabilizar mais as empresas na formação dos seus trabalhadores em vez de arranjar mecanismos de lhes dar subsídios para os encargos com a formação?Afinal, os capitalistas portugueses fartam-se de dizer que o Estado não se deve meter na vida das empresas e depois querem dinheiro para a formação e para pagarem um salário mínimo?

O cinismo político nos dias de hoje não tem limites!

segunda-feira, 16 de agosto de 2021

A COMISSÃO EUROPEIA e os riscos psicossociais no trabalho

 

A pandemia da Covide 19 trouxe novas realidades ao mundo do trabalho.Duas delas foram o medo de ser infectado e o teletrabalho.Em muitos locais de trabalho  as condições  de sgeurança e saúde pioraram.Alguns empresários, por ignorancia ou prepotencia, não cumpriram as normas da DGS e até queriam descontar no salário a falta do trabalhador para tomar a vacina.Tudo indica que o teletrabalho piorou as condições de saúde de muitos trabalhadores em teletrabalho.

No seu quadro  estratégico 2021-27 a Comissão Europeia afirma a este propósito:«Já antes da pandemia, os problemas de saúde mental afetavam cerca de 84 milhões de pessoas na UE. Metade dos trabalhadores da UE considera que o stress é um aspeto comum no respetivo local de trabalho, e está na origem de cerca de metade dos dias de trabalho perdidos. Quase 80 % dos gestores estão preocupados com o stress relacionado com o trabalho . Em resultado da pandemia, cerca de 40 %  dos trabalhadores começaram a trabalhar à distância a tempo inteiro. Esta situação esbate as fronteiras tradicionais entre o trabalho e a vida privada e, juntamente com outras tendências de teletrabalho, como a conectividade permanente, a falta de interação social e a utilização acrescida das TIC, motivou a emergência e o aumento de riscos psicossociais e ergonómicos....»

Ora, estão criadas as condições para um aumento do sofrimento no trabalho em muitas empresas e estabelecimentos.Sofrimento que num contexto de desemprego o trabalhador procura camuflar, porocurando estratégias diversas de defesa para enfrentar a situação.

Se no local de trabalho existe uma organização sindical os trabalhadores em sofrimento poderão eventualmente partilhar a situação com os membros do sindicato e conseguir forças para enfrentar a situação.Situação que se vai reflectir na sua saúde e no equilíbrio e saúde da sua família.

Frequentemente o trabalhador acaba por entrar de baixa ou por se despedir porque se encontra sozinho a enfrentar uma situação demasiado complexa e envolvente emocionalmente.

Perante esta situação em que os Estados Membros e a Comissão Europeia reconhecem o aumento dos riscos psicossociais seria de esperar medidas robustas dos mesmos para os próximos anos.Mas ,o que a Comissão prepara, salvaguardadndo as duas primeiras, são medidas voluntárias e de sensibilização ou estudo.Assim e citamos directamente do documento do novo quadro estratégico da Comissão já referido:

 

·         Modernizar o quadro legislativo de SST associado à digitalização, mediante a revisão da Diretiva Locais de Trabalho e da Diretiva Equipamentos Dotados de Visor até 2023;

·         Propor valores-limite de proteção para: o o amianto na Diretiva Amianto no Trabalho, em 2022; o o chumbo e os di-isocianatos na Diretiva Agentes Químicos, em 2022; o o cobalto na Diretiva Agentes Cancerígenos e Mutagénicos, no primeiro trimestre de 2024.

·         Lançar, para o período 2023-2025, uma campanha da EU-OSHA em prol de locais de trabalho saudáveis, que incidirá na criação de um futuro digital seguro e saudável que tenha em conta, em particular, os riscos psicossociais e ergonómicos.

·         Preparar, em cooperação com os Estados-Membros e os parceiros sociais, uma iniciativa não legislativa a nível da UE relacionada com a saúde mental no trabalho, que avalie os problemas emergentes relacionados com a saúde mental dos trabalhadores e apresente orientações para a tomada de medidas antes do final de 2022.

·         Desenvolver a base analítica, as ferramentas eletrónicas e as orientações para as avaliações de riscos relacionados com os empregos e processos ecológicos e digitais, em especial, os riscos psicossociais e ergonómicos.

·         Solicitar ao painel de peritos sobre formas eficazes de investir na saúde que emita um parecer sobre o apoio à saúde mental dos trabalhadores do setor da saúde e de outros trabalhadores essenciais até ao final de 2021.

·         Assegurar um seguimento adequado da resolução do Parlamento Europeu sobre o direito de desligar .

 

Podemos concluir que no documento em geral e neste campo da prevenção dos riscos psicossociais em especial a Comissão é muito pouco ambiciosa .No mesmo documento a Comissão convida os Estados membros a rectificarem a  Convenção nº 190 da OIT relativa á prevenção do assédio moral e violencia no trabalho;pode eventualmente ainda avançar com alguma medida legislativa no domínio do assédio sexual.Mas é pouco para enfrentar a onda de sofrimento psicológico em muitos locais de trabalho.A pandemia e o medo do desemprego  fazem calar os trabalhadores.

Torna-se assim prioritário reforçar a organização sindical nas empresas.Mas também a eleição de representantes dos trabalhadores para a segurança e saúde no trabalho.Fazer uma revisão da legislação da eleição destes representantes desburocratizando a mesma,para que se facilite a actividade preventiva com a participação dos trabalhadores.

 

 

 

 

 

quarta-feira, 11 de agosto de 2021

AS ELEIÇÕES, A IDEOLOGIA DO VAZIO E OS TRABALHADORES

 

As eleições para o Poder Local a realizar no próximo mês de setembro já mexem e vemos


nomeadamente cartazes de todos os partidos com as figuras que serão cabeça de lista para cada Vila e cidade.Sob ponto de vista político e social tem muito interesse analisar a postura dos candidatos e o texto dos cartazes.Várias constatações podemos fazer todas elas carregadas de significado e demonstrativas de como vai a democracia portuguesa.

A primeira constatação é a de que lendo os textos dos cartazes um estranho ao país que não tivesse qualquer informação sobre a vida política  não pereceberia quais seriam as forças de esquerda e de direita.Vemos cartazes de esquerda a prometer coisas do género como «uma  ambição grande para uma cidade grande» ou «honestidade e competencia» ou ainda  «tradição e identidade».Por acaso estes cartazes não poderiam ser de uma qualquer força de direita?Claro que sim como é óbvio!

Uma segunda constatação é o conteúdo dos textos que é soft,aparentemente vazio de ideologia.Referem-se alguns valores é certo.Todavia, são valores que podem ser perfilhados por eleitores de direita e de esquerda.Mas a maioria estão aparentemente vazios de ideologia.Digo aparentemente porque eles reflectem de facto a ideologia actual do sistema.Afirmam claramente o vazio de ideias,a navegação ao centro, á superficialidade e não compromisso.É a chamada «cultura líquida», o apelo ao voto para gerir o poder estabelecido, sem rasgos, sem rupturas, sem incómodos para os eleitores. O apelo ao «votem em mim que eu vou fazer obra».Nos cartazes e panfletos da maioria dos candidatos não aparece qualquer ideia de uma cidade diferente.Mais ciclovias, mais rotundas, mais estacionamentos.

A política tornou-se publicidade.O meu produto tem que ser melhor do que o teu.Realiza-se um enorme esforço para trabalhar as fotografias de velhos e novos, alguns bem feios e feias.Arredondam-se bochechas, moldam-se narizes, cortam-se orelhas.O produto final são pessoas disformes e pouco parecidas com os originais.É o resultado de se entregar a politica ás empresas de marketing.Estas esvaziam os candidatos de ideologia e dão-lhe a ideologia do capitalismo, do vazio político e cultural .

O resultado de tudo isto é o afastamento dos eleitores e cidadãos.Os políticos assemelham-se a pastas dentríficas, a sabonetes.Em alguns locais os cartazes da REMAX confundem-se com os candidatos eleitorais!O mercado tomou conta das eleições e dos políticos.Não existe emoção,antagonismo, propostas claramente diferenciadas.A abastenção cresce e vai crescer ainda mais!

Há que voltar com discursos novos à ideologia , á afirmação e debate de ideias , aos antagonismos.Existe esquerda e direita e cada uma tem que procurar o seu caminho, propostas e discurso.As candidaturas de esquerda não podem ser um vazio ou uma proposta reacionária de cidade.

A luta pelo emprego digno, pelo ambiente , pela habitação com qualidade  devem estar no centro das candidaturas de esquerda.As organizações de trabalhadores devem ser ouvidas por essas candidaturas.Por sua vez as uniões sindicais deveriam ter uma palavra nas candidaturas.O Movimento sindical alheia-se demasiado das eleições.O seu discurso estreita-se cada vez mais e não se renova.O território e a sua gestão democrática e de qualidade é assunto muito importante para os trabalhadores.Não é suficiente a candidatura de um ou outro sindicalista que faz um frete ao partido A ou B.Há que alterar esta situação.

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

TRABALHADORES DAS LIMPEZAS INDUSTRIAIS- cada vez mais visíveis e activos!

 

São mais de 40 mil os trabalhadores das limpezas industriais.São trabalhadores essenciais antes e na


pandemia, e são  quase socialmente invisíveis.Fazem a limpeza e higienização de transportes, hospitais,empresas, ministérios e aeroportos.Uma grande parte destes trabalhadores são mulheres imigrantes com baixos salários quase sempre empurrados pelos aumentos do salário mínimo.São dos sectores mais explorados pelo capitalismo!

A luta pelas condições de trabalho, nomeadamente de segurança e saúde ,são objectivo da sua mais importante organização sindical , o STAD.O assédio moral e sexual é frequente, tantas vezes calado para manter o emprego e garantir a sobrevivência da família.Os horários de trabalho ultrapassam muitas vezes as oito horas e há quem ainda tenha outros trabalhos para fazer face às despezas familiares; a fadiga, as dores lombares, as tendinites são frequentes em especial quando se passa os cinquenta anos.

Efectivamente estes trabalhadores enfrentam vários riscos profissionais que podemos destacar indicando algumas medidas de prevenção e proteção:

Riscos ergonómicos: em particular a movimentação de cargas pesadas, movimentos repetitivos, utilização incorrecta de equipamentos de trabalho.Estão aqui muitas das causas das lesões músculo-esqueléticas que invalidam muito cedo muitos trabalhadores e trabalhadoras.Não existindo avaliação de riscos uma trabalhadora pode estar anos seguidos a trabalhar de forma incorrecta e em locais doentios.

Deve ser dada formação para que se movimentem correctamente cargas pesadas;utilizar equipamento de transporte como carrinhos ou outro equipamento auxiliar.Deve ser organizado o trabalho com pausas e em equipa com ajuda mútua.Ter cuidado com os pisos escorregadios para evitar quedas.

Riscos quiímicos:risco de intoxicação com produtos de limpeza e outras substâncias perigosas.Utilizar vestuário, máscara e luvas adequadas para protecção; não fumar nem beber durante o trabalho;não utilizar doses excessivas de produtos de limpeza.Também se deve cuidar da proteção dos olhos e da pele.

Riscos biológicos:Nestes trabalhos é frequente o contacto com determinados agentes biológicos que podem causar doenças aos trabalhadores.Os espaços dos hospitais,empresas ligadas á pecuária ou abate de animais, clinicas,agroindústria são de especial risco.Deve existir avaliação periódica de riscos, muito especialmente na actual situação pandémica.Testes frequentes e vacinação são necessários e são da responsabilidade da entidade empregadora .É muito importante utilizar vestuário de trabalho ,luvas e máscara adequada.Devem existir condições para duche ao fim dos trabalhos e armário individual para guardar a roupa pessoal que deve estar protegida de qualquer contaminação.

Riscos psicossociais:Estes trabalhadores,em particular as trabalhadoras, estão frequentemente sujeitas ao assédio moral e sexual, ao stresse e á violencia.É importante que as empresas proporcionem bom ambiente de trabalho e promovam mecanismos para prevenir o assédio e a violencia, nomeadamente regras muito concretas sobre o relacionamento entre chefias e trabalhadores, código de conduta interno.É igualmente importante prevenir a fadiga e o esgotamento dos trabalhadores causados por longos horários e transportes extenuantes.Organizar devidamente o trabalho com pausas e alternancia de tarefas, tendo em conta as debilidades e idade de cada trabalhador.

Oas empresas devem ainda seguir o que está estipulado na lei 102/2009 quanto a seguro de acidentes, vigilância médica dos trabalhadores, prevenção das doenças cardiovasculares, diabetes e outras.

Muitas destas matérias podem ser, e algumas já estão, negociadas na contratação colectiva em particular  alguns dos riscos emergentes relacionados com a idade e com o género.

As trabalhadoras e trabalhadores podem sempre recorrrer ao seu sindicato e  á Autoridade para as Condições do Trabalho.

 Contactos da ACT :Os contactos da ACT devem ser os da Região onde a empresa tem o seu local de trabalho.VER

Contactos do STAD:

sábado, 24 de julho de 2021

NOVO QUADRO ESTRATÉGICO PARA A SEGURANÇA E SAÚDE DOS TRABALHADORES.POUCA AMBIÇÃO!

 A Comissão Europeia fala em ambição ao caracterizar o seu novo quadro estratégico para a Segurança e


  saúde no trabalho abrangendo os anos 2021-2027.Mas, numa primeira leitura não vejo onde esteja a ambição num documento que tem poucas propostas e compromissos concretos, dando a sensação de que nos próximos anos vamos ter alguma revisão de directivas e um ou duas iniciativas novas no campo legislativo.Depois, para além da retórica, existem propostas voluntárias , sugestões e alguns financiamentos.Será que a COVID 19 veio mesmo incentivar um novo caminho?

O novo documento assinala os êxitos limitados dos últimos anos, assume a  importância económica e social da segurança e saúde dos trabalhadores e passa para os Estados -membros uma porção significativa das medidas a implementar nos próximos tempos.Tem sido essa, aliás, a estratégia da Comissão neste milénio!

O principal êxito dos últimos anos situa-se na redução dos acidentes de trabalho mortais em 70% entre 1994 e 2018.No entanto, nesse ano ainda se registaram 3300 acidentes mortais e mais de 3 milhões de acidentes não mortais na UE.Mais de 200 mil trabalhadores morrem anualmente de doenças relacionadas com o trabalho.Estima-se que a  economia da UE perde mais de 400 mil milhões de euros com esta situação.

Sobre medidas concretas legislativas o documento da Comissão prevê modernizar,ou seja melhorar(?) a legislação relativa à digitalização com a revisão da Directiva «Locais de trabalho» e uma outra relativa aos «equipamentos dotados de visor» até 2023;propôr novos valor-limite para o amianto, chumbo e dio-isocianatos na Directiva «Agentes quimicos».

Quanto ao direito a desligar a Comissão assegura o seguimento da Resolução do Parlamento Europeu e remete para o quadro nacional e para o Acordo Europeu existente entre os parceiros sobre digitalização..

O documento tem ainda dezenas de sugestões ,orientações, proposta de estudos sobre as doenças profisionais e acidentes de trabalho, nomeadamente sobre o cancro e a saúde mental, assédio moral, as doenças músculo-esqueléticas e os riscos psicossociais.

Todavia, algumas destas preocupações arrastam-se ao longo dos anos em estudos, reuniões técnicas e sensibilização e pouco mais se adianta .É o caso das doenças musculo-esqueleticas que afecta milhões de trabalhadoras e trabalhadores europeus.Apesar dos esforços dos sindicatos mais uma vez a Comissão não tem prevista qualquer medida legislativa.

O mesmo acontece com as doenças profissionais cujo enquadramento  e melhoria dos sistemas fica para os respectivos Estados membros.Apenas se prevê a actualização da Recomendação da Comissão sobre doenças profissionais de modo a incluir a Covid 19 até 2022.Ora, esta questão, a notificação reconhecimento e tratamento das doenças profissionais é em muitos países um verdadeiro drama.Milhões de trabalhadores, em particular na agricultura e construção, continuam a trabalhar nos mesmos locais que os adoeceram!Portugal é um dos casos em que verdadeiramente o sistema precisa de uma grande reforma.

De assinalar também que a Comissão, embora afirmando que as alterações climáticas estão no centro da sua ação, apenas refere muito superficialmente a questão das consequências das mesmas no trabalho.Ora, a Confederação Europeia de Sindicatos tem reivindicado a necessidade de uma directiva sobre a prevenção e proteção dos trabalhadores que laboram em ambientes de altas/baixas temperaturas.

O mesmo se podia dizer no que respeita ao já velho discurso sobre a proteção dos trabalhadores mais idosos.Para quando medidas concretas ao nível de horários , segurança e saúde, vigilância médica, redução do tempo de trabalho etc..

Segurança e saúde dos trabalhadores é um direito fundamental

Mas também os riscos psicossociais relacionados com o trabalho ficam sem enquadramento específico.Nada previsto para além de guias, estudos e campanhas.No entanto, o stresse, o assédio  e o bounout proliferam nos locais de trabalho.É caso para perguntar se a Comissão Europeia anda tolhida por alguém.A saúde de quem trabalha não pode ser apenas um factor económico e de competitividade.Deve ser um direito fundamental dos trabalhadores!Continuam a prevalecer os interesses das empresas e da economia sobre a saúde dos trabalhadores.

Enfim, esperava mais, embora sabendo que a a situação não é propícia a grandes rasgos.É verdade que a melhoria das condições de trabalho depende muito da relação de forças em cada país e dos modelos de relações de trabalho vigentes.A maioria dos paises da UE não tem níveis dignos de segurança e saúde dos trabalhadores.Basta ouvir os sindicalistas da Bulgária, Hungria, Polónia Letónia, etc.Mas, nos países tradicionalmente mais progressistas como nos países nórdicos e Alemanha, para não falar na Espanha e na Itália, a situação degrada-se a olhos vistos.A luta pelo trabalho digno continua agora com a discussão e elaboração das estratégias nacionais.O contributo do movimento sindical será decisivo.Precisam-se medidas concretas!

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