sexta-feira, 7 de agosto de 2026

A GESTÃO NO CONFRONTO COM O SINDICALISMO!

 

Gestão e sindicalismo estão frequentemente em conflito nas empresas. A experiência de muitos trabalhadores é o registo de que a gestão tem uma visão alheada ou hostil face à estrutura sindical da empresa e em particular ao sindicato. Para o gestor o sindicato é


considerado frequentemente um elemento perturbador das diretrizes e objetivos da empresa. As razões são diversas e não apenas de ordem dos interesses em jogo. Existem razões de ordem cultural ou ideológica e de gestão do poder na organização.

Efetivamente o sindicato também é um poder ou contrapoder na empresa ou serviço. É uma das modalidades do poder dos trabalhadores organizados. Essa é a realidade de um país democrático. As chefias e a gestão devem estar preparadas e conviver com esta situação.
Atualmente os gestores estão numa situação difícil. Por um lado, estão pouco preparados para saberem lidar com a organização sindical. Uma ou outra empresa com cultura de cogestão, como as alemãs, poderão estar mais preparadas para esta situação. Em geral a formação académica dos gestores negligencia a formação sindical, não os prepara verdadeiramente para um diálogo com estas estruturas. Nos cursos de gestão o sindicalismo é apresentado por professores de economia que, em geral, têm uma visão redutora e economicista, e até por vezes hostil, do sindicalismo.

Os gestores estão pressionados pelos acionistas

Por outro lado, e para além desta deficiência académica, os gestores estão pressionados pelos acionistas, pelos detentores do capital que querem ver resultados a curto prazo, numa dinâmica de intensificação e exploração do trabalho que caracteriza o capitalismo atual a nível mundial! As próprias escolas de gestão estão frequentemente sob patrocínio ou influência de grandes empresas.
A maioria dos gestores têm hoje um estatuto muito precário, tipo mercenário. Vão para uma empresa para uma missão muito concreta e pagam-lhe como príncipes. Acabada a missão, que em geral tem a ver com ajustamentos e reestruturações, ou seja, despedimentos e mais lucros, os gestores podem ser despedidos ou se despedem e vão para outra missão de outra empresa que lhes paga mais!
Os gestores são quase uma classe com interesses próprios. A sua ideologia é a do capital e assumem atualmente a dimensão predadora deste capital. Os trabalhadores são para explorar ao máximo e depois deitar fora! Sobre esta questão valerá a pena reler um livro de Vincente Gaulejac intitulado «La Societé Malade de la Gestion- idéologie gestionnaire, pouvoir managérial et harcèlement social» das Editions du Seuil , 2005.

A gestão também é uma ideologia que legitima a guerra económica

Para este investigador e professor universitário em França a «gestão, sob uma aparência pragmática, constitui uma ideologia que legitima a guerra económica, a obsessão do rendimento financeiro e que é largamente responsável pela crise atual.…»
Existem exceções a esta regra? Claro! Em várias empresas os gestores percebem que os trabalhadores são a condição essencial de sucesso! Existe um bom relacionamento, bom ambiente de trabalho. Mas quando se fala em aumentos salariais, distribuição da riqueza e melhores condições de trabalho as simpatias param por aqui! Veja-se a oposição que existe no nosso País ao aumento do salário mínimo. E a resistência não vem só dos patrões privados. Vem do próprio Estado que suporta as IPSS e a Função Pública! Mas então a valorização salarial não é boa? Boa para os trabalhadores e boa para a economia e a mais importante forma de distribuir a riqueza numa sociedade como a nossa!
A valorização do trabalho e do trabalhador é essencial para uma economia sustentável! O gestor do futuro tem de perceber esta questão!

 

 

 

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