terça-feira, 24 de março de 2009

Desafios e combates do sindicalismo (IV)


A última grande manif da CGTP, no passado dia 13 do corrente deu azo a um assinalável número de comentários de políticos e analistas políticos.O Governo, como já era esperado, reagiu muito mal atacando a CGTP com o estafado anátema de partidarização.

Mário Soares, como político sénior e avisado, convidou o Governo a ouvir e ler o que subjaz por baixo de uma tão grande manif.Vários comentadores vieram a terreiro dizendo que efectivamente a CGTP é controlada e que representa sempre o que sempre representou.Curioso que quase ninguém achou mal que o Secretário Geral do PS estivesse no encerramento da corrente socialista da UGT onde falou juntamente com o Proença.

Após estes dias a ler estes comentários todos continuo a pensar que a quase quatro décadas de liberdade o problema das relações entre política e sindicalismo continua na maioria dos casos muito confuso em Portugal.

O problema é que a maioria dos políticos defende a independencia dos sindicatos mas não a sua autonomia.Aqui reside a questão principal de toda esta polémica.Os sindicatos na sua maioria são formalmente independentes dos partidos políticos mas não são autónomos.A maioria dos políticos ataca a CGTP porque esta tem uma forte influencia do PCP e defende um modelo sindical que no actual quadro político interessa que seja reivindicativo e de luta.
Se o PCP estivesse no Poder a CGTP faria acordos de concertação todos os anos, mesmo que os trabalhadores não tivessem aumentos.É o que acontece à socialista UGT que passa a vida a fazer acordos com os governos PS e PSD! Claro, os mesmos partidos que têm governado o nosso País nas últimas décadas.
Mesmo assim o sindicalismo da CGTP é neste quadro mais útil aos trabalhadores portugueses que o da UGT.Este é uma caricatura de sindicalismo!

O sindicalismo autónomo, sendo político, obedece a uma estratégia própria, gizada pelos próprios tabalhadores, pelos órgãos das suas oranizações!Este sindicalismo não obedece a directrizes de nenhum partido ou entidade exterior.Faz a sua análise política , analisa a situação concreta e define a sua estratéga de actuação, quer seja de reivindicação e luta quer seja de negociação.Não luta porque agora é necessário ganhar eleições!Luta porque há condições para se alcançarem objectivos concretos a favor dos trabalhadores, dos seus interesses, dos objectivos políticos, sociais e económicos!
O sindicalismo autónomo é político e não deixa a política apenas para os políticos dos partidos.Ora, isto é inaceitável para a maioria democrata.Eles são os detentores da política.Para eles os sindicatos devem tratar dos assuntos económicos e sociais.É o sindicalismo bem comportado, que luta por migalhas em tempo de maré alta e por nada no prato em tempos de crise!Pretendem uma espécie de corporativismo de cariz democrático!

O sindicalismo autónomo é cultural , procura lutar para mudar!Para mudar as mentalidades, para mudar as condições materiais e espirituais dos trabalhadores.Os trabalhadores pelo facto de o serem não estão sempre com razão.O atestado de trabalhador não me dá de imediato razão, nem me dá credibilidade perante os companehiros, nem honradez nem verticalidade!O sindicalismo, não sendo moralista, não pode deixar de ser ético!

Para se conseguir a autonomia sindical é necessário que os dirigentes não integrem as direcções dos partidos políticos nem recebam deles orientações.Os sindicalistas terão eventualmente as suas simpatias partidárias...todavia, antes de tudo mais, serão sindicalistas e não militantes partidários a fazerem carreira nos sindicatos.O futuro está com um novo sindicalismo que não obedeça aos partidos .As lutas quanto mais autónomas mais sucesso terão no futuro!As novas gerações vão escolher organizações autónomas para lutarem!

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