domingo, 22 de fevereiro de 2026

O SONHO NÃO SECRETO DE MUITOS EMPRESÁRIOS!É TEMPO DE LUTA CONVERGENTE...

 

Atrevo-me a dizer que o sonho não secreto da maioria dos patrões e administradores é regressar ao século XIX no que diz respeito às relações laborais. Ou seja, o sonho de precarizar as relações de trabalho num


século das novas tecnologias e daquilo a que chamam inteligência artificial! Basta ver que, com honrosas exceções, os empresários e suas organizações empresariais alinham com o projeto laboral regressivo do atual governo expresso no Anteprojeto Trabalho XXI de Maria do Rosário Ramalho.

Esse sonho é alargar a todo o mundo laboral o que já existe em muitos setores, nomeadamente na restauração, limpezas, construção, agricultura e outros…Contratar o trabalhador sem qualquer encargo nem direito para além de uma remuneração decidida pelo patrão, eis o sonho !A Argentina caminha a passos largos para esse mundo de precariedade e o projeto de Ramalho aprofunda essa precariedade e, ao facilitar ainda mais o outsourcing e os contratos a prazo articulados com a expansão do trabalho temporário, aponta nesse caminho !

 Hoje já temos milhões de trabalhadores europeus numa situação clandestina, precária e humilhante, sem qualquer contrato, sem qualquer subsídio de almoço, sem subsídio de desemprego e sem férias e descontos para a velhice. Trabalham à hora, ou à peça ou trabalham subcontratados para empreiteiros que não cumprem a legislação mínima do trabalho. São trabalhadores descartáveis e invisíveis, enchem os comboios suburbanos pelas primeiras horas do dia, limpam os escritórios, aeroportos e hospitais das nossas cidades. Não são tratados com humanidade e não ganham o suficiente para viverem com dignidade. Ao longo da vida realizam trabalhos que os adoecem e continuam anos nos mesmos locais ou locais semelhantes com os mesmos riscos profissionais!

Decorreu no sábado passado, em Coimbra, um Congresso Extraordinário da Liga Operária Católica/ Movimento de Trabalhadores Cristãos, uma Organização da Igreja Católica que perfaz em 2026 os 90 anos de atividade e que foi criada precisamente para defender a dignidade dos trabalhadores que passa pela defesa dos seus direitos inalienáveis de pessoas. Têm um grande desafio pela frente:  convencer os próprios cristãos e Bispos de que se pode viver o cristianismo no mundo conflitual do trabalho onde existe muita infelicidade, quando o trabalho deveria ser fonte de realização pessoal e de realização do bem comum. Como desenvolver reivindicações próprias e uma espiritualidade que seja expressão viva de uma fé que é a encarnação militante na vida dos trabalhadores? Uma espiritualidade atrativa para os jovens trabalhadores e que ultrapasse a «lamechice espiritualista»?

O Movimento Sindical debate-se hoje com um projeto laboral do governo que é humilhante para quem trabalha, retira direitos e torna cada trabalhador um burro de carga mais barato. É tempo de luta convergente pela dignidade de quem trabalha, é tempo de não aceitar a regressão civilizacional!

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