Escrevi logo a seguir à Greve Geral conjunta de 11 de dezembro de 2025 que a greve foi boa, mas não chegava. Teríamos de ir mais longe numa frente de convergência sindical capaz de enviar uma mensagem forte ao governo Ramalho/Montenegro.
O impacto da greve geral conjunta foi notório na sociedade portuguesa apesar da desvalorização do
governo. O Chega mudou oportunisticamente de posição, a ministra do trabalho saiu debilitada e o primeiro-ministro acabou por dizer que caso a reforma laboral não fosse aprovada não viria nenhum mal ao mundo! Creio que o diálogo discreto entre a UGT e CGTP funcionou e a maioria dos portugueses rejeitaram o pacote laboral do governo segundo as sondagens! Tanto na UGT como na CGTP existem aproximações no sentido da convergência sindical e unidade na ação refletindo a urgência de travar uma forte subversão das relações de trabalho em desfavor dos trabalhadores.
Ao fracassarem as negociações com a UGT o governo
teimosamente envia o documento para a AR de forma provocadora e apenas com o
suporte patronal!
Parecia que o contexto era favorável a mais um passo na
convergência sindical mostrando novamente ao governo que a sua reforma seria derrotada.
Como todos sabem não foi possível. A UGT encolheu-se e a CGTP avançou para a
segunda greve geral. É verdade o que alguns sindicalistas da CGTP dizem que as
greves em conjunto apenas dá protagonismo à UGT já que esta Central nunca
conseguiria perturbar o País com uma greve geral unilateral! Mas não podemos
pensar apenas no aspeto quantitativo, mas também no aspeto político e
simbólico. Uma greve conjunta dá cobertura política a trabalhadores que não se
identificam completamente com a CGTP ou com a UGT! Neste momento qualquer
governo de esquerda ou de direita não entra em pânico com a convocação de uma
greve geral. Já foi tempo! No entanto, uma ação conjunta de todo o Movimento
sindical faz mossa no empresariado e no governo!
Na minha opinião os sindicalistas que procuram a
convergência sindical foram travados nesta segunda greve, quer na UGT quer na
CGTP. Não por qualquer manobra, mas porque aqueles ainda estão em maioria nas
estruturas sindicais.
Mas o tempo, pode ser já tarde, vai mostrar que há que relevar
algumas feridas em nome de valores mais importantes. A convergência sindical
pode ser a arma que ainda pode incomodar e influenciar o poder económico e
político impante de uma certa direita que não quer que o sindicalismo seja uma
componente essencial da nossa democracia!

Sem comentários:
Enviar um comentário