quarta-feira, 2 de novembro de 2022

O SINDICALISMO PORTUGUÊS TERÁ QUE ALCANÇAR UM NOVO PATAMAR!

 Para enfrentarmos a situação presente e desenvolvermos uma democracia económica, social e política inscrita na Constituição Portuguesa é necessário um sindicalismo forte e mobilizador.Todos estarão de acordo com esta afirmação, no entanto nem todos concordarão com os caminhos a prosseguir para atingir tal objectivo.

Sindicatos perdem influência social

Não é segredo para ninguém a progressiva perda de influência social e política do conjunto do movimento sindical português nas últimas décadas.É notória a ausência de influência da UGT que continua a ser «muleta» dos sucessivos governos perdendo a sua credibilidade.Patrões e governos sabem que a UGT não impõe grande respeito ao poder político .

Os seus sindicatos acomodados vivem ainda de sindicalistas em idade de reforma e do chamado «diálogo social» que pouco mais tem sido de que uma negociação «de faz de conta» e de cúpula.Mesmo quando os seus dirigentes fazem ameaças de virem para a rua, os patrões e governos não levam a sério tal discurso.A UGT é ordeira, burocrática e acomodada.

No outro lado temos a CGTP que nunca esteve tão isolada nacional e internacionalmente.Teima em  slogans,muito vazios de conteúdos, e de uma segunda linha de dirigentes com menor consistencia e formação do que a geração abrilista.A sua ação, muito repetitiva, acompanha um discurso pobre e colado ao partido político que mais influência tem na Central.Os funcionários sindicais e o núcleo de activistas levam ás costas o grosso das ações num activismo  permanente  de rua e de assembleia, sobrando pouco tempo para a visita aos locais de trabalho, informação e formação dos trabalhadores.

Esta estratégia de trabalhar apenas com as suas organizações próximas politicamente, de olhar as instituições do Estado com desconfiança, de confundir participação com colaboração, de privilegiar a crítica ao Estado e aos governos relegando para segundo lugar  a crítica aos empresários e ao capital, conduziu a uma perda clara de influência da CGTP na sociedade portuguesa.Uma CGTP que, no entanto, continua a ser a maior organização social militante.

Os restantes sindicatos independentes ou não alinhados com uma das centrais estão fragmentados e são raras as estratégias de concertação,imbuidos uma parte deles de um corporativismo estiolante.

A nossa democracia exige sindicatos fortes

Temos assim, não se pode esconder o sol com uma peneira,um movimento sindical em erosão e desgastado, embora com o seu núcleo activista e estrutura intactos.Essa erosão é notória particularmente nos locais de trabalho, a base essencial do sindicalismo reivindicativo e transformador.

Ora, uma democracia como a entendemos hoje exige sindicatos fortes e mobilizadores.Sindicatos que tanto na concertação de cúpula como na negociação colectiva, como na luta de rua e nas empresas consigam ganhos para os trabalhadores e impeçam o seu  contínuo empobrecimento e desvinculação sindical.

Para que tal aconteça os sindicatos terão que ter os trabalhadores com eles e não apenas os activistas e funcionários sindicais.Mas ainda mais,tal como fazem os patrões as diferentes famílias sindicais terão que agir de forma concertada e alcançar novos patamares de convergência sindical para travar a regressão social em curso e as ameaças á democracia.

quinta-feira, 20 de outubro de 2022

PORQUE ESTÃO AFASTADOS OS JOVENS DOS SINDICATOS?

 

Hoje temos em Portugal uma juventude mais instruída do que no passado.Dizem


que temos a geração com mais habilitações académicas de todos os tempos.

Esta democratização do ensino e da instrução é um sinal de desenvolvimento do País.Esta juventude formada vai entrando nas empresas sem uma correspondente informação sindical onde se inclui a importância de pertencer a um sindicato.Estranhamente a maioria das famílias não incentiva a filiação sindical dos mais jovens nem acompanham as condições de trabalho dos mesmos ,nomeadamente de segurança e saúde, exceptuando a questão salarial.Quanto vais ganhar é a questão principal.Alguèm quer saber se o filho tem seguro de acidentes no seu trabalho?

Uma parte significativa dos jovens entra tardiamente e de forma precária no trabalho.Esta situação inibe não apenas  a adesão ao sindicato mas também retarda o desenvolvimento de uma consciencia laboral, nomeadamente de procura de informação e formação sobre os seus direitos.

Temos assim milhares de jovens trabalhadores que não conhecem os seus direitos sobre segurança e saúde,paternidade, contrato colectivo, férias, despedimento etc.Alguns consideram até que não é necessário saber estas coisas pois a empresa encarrega-se disso,sem suspeitarem que, por vezes, não lhes dizem tudo,ou dizem aquilo que é mais conveniente.

Dificuldades ou barreiras à adesão dos jovens aos sindicatos

Existem no entanto algumas dificuldades ao trabalho para que os jovens se possam organizar sindicalmente.Podemos elencar alguns com destaque para:

1.O desconhecimento das vantagens de estar sindicalizado;

2. A forte precariedade laboral que afecta em especial os jovens;

3.A cultura anti sindical da maioria dos empresários e gestores que se manifesta de forma mais brutal ou mais subtil;

4.A desvalorização social dos sindicatos e sindicalistas em particular pelos «media»;

5.A percepção social de que os sindicatos estão muito ligados a determinados partidos políticos;

6.A existencia de discursos e práticas sindicais pouco criativas e que não envolvem os jovens

Embora poucos estudos (1) existam sobre esta matéria um ou outro conclui que os jovens aproximam-se dos sindicatos por influência dos familiares ou amigos.

Vantagens de ser sindicalizado

É importante saber que estar sindicalizado é um direito desde que nos tornamos trabalhadores.Podemos informar a empresa ou não da nossa situação sindical.Podemos pagar a quota sindical por transferência bancária sem que a empresa tenha que estar informada.

Estar sindicalizado tem várias vantagens, nomeadamente uma informação específica sobre a nossa profissão ou o nosso sector económico, sobre os nossos direitos gerais e do nosso contrato.Uma outra vantagem significativa é que podemos usufruir do apoio jurídico em caso de conflito com a empresa.Os sindicatos promovem também diversas ações de formação que nos podem ser úteis.

Qual é o papel do sindicato numa empresa

Um sindicato numa empresa tem por missão representar os trabalhadores seus associados e defender os direitos e interesses dos mesmos face ao patrão ou administração.Os trabalhadores sindicalizados na empresa são o primeiro e mais importante pilar do sindicato.Assim, ao contrário do que muitos pensam o sindicato não é uma organização exterior à empresa e aos trabalhadores.Por vezes nesta matéria o próprio discurso sindical é ambiguo ao não deixar claro que o sindicato é o conjunto dos trabalhadores sindicalizados e organizados.

A existência de um sindicato numa empresa facilita a vida dos trabalhadores e da gestão/administração.Quais são os problemas?Vamos dialogar e resolver os problemas de forma justa,sempre na defesa dos interesses e direitos dos trabalhadores.Havendo um sindicato a administração tem mais cuidado e respeito com a gestão das pessoas.Empresa sem sindicato é um local de trabalho sem possibilidade de contrabalançar o poder  da administração.Havendo discriminação e atentados aos direitos de um trabalhador entra em ação o delegado sindical, que é um trabalhador eleito democraticamente pelos sócios do sindicato no local de trabalho.O delegado sindical ou a comissão sindical é o porta-voz e representante dos trabalhadores.A Constituição Portuguesa e a lei do trabalho protege o delegado sindical e a ação sindical na empresa.O delegado sindical pode constituir com outros delegados uma comissão sindical de empresa.Todos fazem parte do sindicato.

(1)        Tese de mestrado de Batriz Maria Ribeiro Cid «Sindicalismo:um contributo para a compreensão da sua diminuição junto dos trabalhadores mais jovens» ISCTE,2019

 


terça-feira, 27 de setembro de 2022

A ECONOMIA DE FRANCISCO E O SINDICALISMO:há pontos em comum?

 

O Papa Francisco continua a agitar as águas do mundo e qualquer


pessoa,crente ou pouco crente,não pode deixar de admirar este homem fragilizado e bastante idoso pela sua enorme energia e lucidez!

É espantoso como tem desencadeado e dinamizado em simultâneo três dinâmicas no mundo católico com um entusiasmo contagiante e ecuménico,são elas:

-O Sínodo da Igreja que abala a estrutura clerical

-A economia de Francisco que envolve alguns sectores de jovens e universitários de todo o mundo e pretende um novo  modelo económico;

-As Jornadas Mundiais da Juventude de Lisboa onde a Igreja Católica pretende afirmar-se como mobilizadora de massas e é a actividade que mais ambiguidade comporta.

A sua atitude obriga-me mais uma vez a falar de assuntos que actualmente acompanho da periferia, porque óbviamente me sinto desafiado.Em todas estas iniciativas Francisco parte de uma abordagem muito própria, ou seja, das periferias , dos marginalizados e sem voz, da necessidade de fazer justiça aos injustiçados e defender a «Mae Terra».As suas referências centrais são bem conhecidas: a figura espantosa de Francisco de Assis que se fez pobre no meio dos pobres, contestando a deriva de poder e dinheiro da própria Igreja  e proclamou o amor a todos os seres da terra, e a parábola do samaritano, aquele que, sendo marginal ao povo eleito, se compadeceu de quem sofria.

O acontecimento mais recente foi o «Encontro de Assis» sobre a Economia de Francisco.Perante um capitalismo predador da terra e dos pobres, fomentador da guerra ,da violência e competição, Francisco procura incentivar um movimento dinamico global de vontades e competências para encontrar saídas para esta« economia que mata».Francisco supera aqui a tradicional «Doutrina Social da Igreja» e é muito mais abrangente, interrogativo e aberto.Aponta as linhas mestras de um outro modelo económico mas não apresenta um modelo concreto como é óbvio.O novo modelo tem que respeitar a terra e os homens e as mulheres do planeta, as riquezas distribuídas, os direitos dos trabalhadores respeitados;os que não têm voz também devem ter voz;teto, terra e trabalho para todos.Embora Francisco nunca o diga um tal modelo é anticapitalista

O  sindicalismo mundial vai ao encontro deste modelo de Francisco?

Entretanto, a Confederação Sindical Internacional CSI, realiza em novembro próximo, o seu Congresso em Melbourne,Austrália.Logo no início do projecto de declaração do congresso podemos ler«Um novo contrato social torna-se mais urgente do que nunca para que a economia esteja ao serviço da humanidade e para salvar as pessoas e o planeta da destruição.Apenas com os trabalhadores organizados se pode conseguir este novo contrato social.Este assenta as bases para a democracia, a igualdade, uma prosperidade compartilhada para enfrentar os desafios que a população de todo o mundo enfrenta».

O projecto de declaração continua dizendo que mais de 2.000 milhões estão na pobreza e no desespero, faz um levantamento das desgraças por que passam milhões de trabalhadores nos seus locais de trabalho, nomeadamente os mais de dois milhões que morrem por causas profissionais,as perdas de emprego e os efeitos da pandemia,etc,etc.Apresenta depois um conjunto de reivindicações e compromissos para o mundo sindical, desde as condições de trabalho , ao emprego e salários.O documento reclama um novo contrato social fundamentado em seis reivindicações dos trabalhadores e trabalhadoras :emprego, direitos,salários, proteção social,igualdade,inclusão.

O documento é, no entanto, quase omisso  na explicação clara das razões destas situações,ou seja,do causador profundo destes males ambientais e sociais-o capitalismo-embra critique num ponto ou outro as políticas neoliberais. Evita as clivagens politicas no seio do movimento sindical onde se encontram correntes mais á esquerda e mas á direita.No entanto,  muitas reivindicações vão ao encontro da« Economia de Francisco», nomeadamente a justiça social, começando por salários dignos,condições de trabalho decentes, o emprego e proteção social para todos, paises ricos e países pobres,a defesa de transição ecológica e digital justas, com respeito pela terra e pelos seres vivos.

Onde está o busilis?

Os sindicatos pretendem um novo contrato social que faça renascer a esperança de milhões de trabalhadores e trabalhadoras,bem como as respectivas famílias.Francisco incentiva o caminho para um novo modelo humanista,cooperativo,ecuménico,ecológico e democrático,dando voz a quem não tem voz.Mas temos um grosso problema que é o seguinte:quer o mundo dos negócios, das multinacionais,dos ricos, um novo contrato social e um novo modelo económico?Será que precisam dele?Aparentemente não precisam e a maioria não quer qualquer contrato e sente-se muito bem acumulando riqueza,alargando o fosso classista, protegendo-se como uma casta com direitos especiais .Claro que os mais lúcidos perceberam que o barco ao afundar-se leva toda a gente, mas primeiro vão os da terceira classe.

Apenas um forte movimento sindical, político e popular a nível mundial, bem articulado, consciente e mobilizado poderá inverter a relação de forças e obrigar os poderosos a novos compromissos.Com a juventude, com velhas e novas organizações.O que vemos não é isto,antes pelo contrário, vemos parte substancial da classe trabalhadora votar na extrema direita como ocorreu na Suécia, na França e na Itália.Vemos o movimento político socialista e social democrata fazer compromissos com o capital na governação.Vemos grande parte  do movimento sindical acomodado e institucionalizado. Vemos pouca crença e motivação militante nas pessoas, mesmo as mais conscientes.Há muito trabalho pela frente!Mas a esperança nunca morre nos corações dos homens e mulheres de boa vontade!

terça-feira, 13 de setembro de 2022

O GOVERNO VAI PELO ASSISTENCIALISMO, TEM MEDO DOS GRANDES!

 

O Governo do Partido Socialista , apesar de ter a maioria, rendeu-se ao assistencialismo e tem medo dos grandes .Era o que se temia há tempos.O governo de António Costa, agora sem a «geringonça» não vai


utilizar a sua maioria parlamentar para realizar reformas importantes que beneficiem as classes populares com destaque para o necessário equilibrio das relações de trabalho, reforçando o tratamento mais favorável do trabalhador e a negociação colectiva,bem como a exigência de melhores salários e de condições de trabalho mais dignas e saudáveis.

As medidas que este governo vai tomando mostram que a natureza social deste Partido Socialista vem na sua linha histórica , ou seja, não beliscar um centímetro as classes  possidentes,as grandes empresas e seus acionistas, e dar umas migalhas aos pobres de vez em quando.Quanto ao resto, ou seja investimento nos serviços públicos, há muita retórica algum dinheiro, mas pouca vontade em continuar com um serviço de saúde universal e gratuito como os seus fundadores o idealizaram após a revolução de Abril.

Mas, dada a conjuntura, a relação de forças a nível mundial, a enorme dívida pública, a dependencia dos mercados financeiros ,os constrangimentos da UE, este governo poderia fazer mais?Podia!É aqui que eu e muitos portugueses têm fortes divergências com alguns militantes socialistas.Não fazem mais porque no próprio Partido há dirigentes que são sociais democratas do PSD.Lutaram com todas as forças para que a experiência dos acordos à esquerda acabasse e se fizesse aliança com o PSD.Sãos os primeiros a proibir qualquer alteração laboral que repusesse o que Passos/Troica retirou aos trabalhadores, nomeadamente os cortes no valor do trabalho extraordinário e no caso de despedimento;são os primeiros a dizer que a caducidade é necessária para dinamizar a negociação quando o que se passou foi o contrário!O que eles queriam era um governo como este que não chateasse os poderosos;diziam «um governo em que o PS governasse em liberdade».Pois aí temos!

Assim o actual governo do António Costa é um governo velho à nascença, governando no lugar do PSD e retirando  deste partido a dinâmica assistencialista no plano social e de combate à inflação.Destas oito medidas nehuma actua na questão salarial e da repartição da riqueza para combater as desigualdades gritantes que se acentuaram com os efeitos da guerra e da pandemia. O imposto sobre os lucros escandalosos das grandes empresas está rodeado de incertezas e polémicas mesmo no interior do próprio Partido.Um imposto que é debatido e aplicado por partidos da direita escandalizados com o que se passa.Estão a ver as semelhanças com o PSD de Montenegro?

António Costa tem  a sorte de governar um País com mentalidade de pedintes, de aceitar com as duas mãos qualquer esmola,o «vale mais do que nada» onde o fatalismo e o assistencialismo fizeram escola desde tempos imemoráveis.O País reivindicativo ainda é minoritário, considerado por muitos como  «pobre e mal agradecido»,contestário, que nunca está satisfeito, como se fosse pecado exigir aquilo a que temos direito como seres humanos e cidadãos!

Perante esta estratégia do Governo maioritário, de governar para se manter no poder o mais tempo possível o combate vai ser duro, até porque na retaguarda deste governo espreitam outras forças que representam já não o assistencialismo mas o «salve-se quem puder», o direito e a liberdade do mais forte, as forças rancorosas que querem ainda fazer ajustes com o 25 de Abril após quase meio século depois!Mas atenção, o melhor caminho para o sucesso dessas forças é não enfrentar a realidade, não fazer reformas, não valorizar quem trabalha.A seu tempo o Estado não terá dinheiro para dar mais uns tostões aos pobres, porque estes serão muitos, muitos.....

sábado, 27 de agosto de 2022

O PARTIDO CHEGA QUER UM SINDICATO PARA COMBATER O SINDICALISMO

 

Segundo notícia recente o partido «Chega», à semelhança do seu congénere espanhol VOX, também


pretende criar uma «frente sindical».Ambos foram buscar o nome de «Solidariedade» auto arvorando-se o direito de serem iguais no nome e pretensamente semelhantes na ideologia anticomunista  ao conhecido sindicato polaco «Solidarnosc» que enfrentou e derrotou a ditadura militar  do partdio comunista polaco na década de oitenta do século passado na base de um amplo movimento de massas liderado pelos operários polacos,fazendo assim uma ruptura histórica com o regime

Por outro lado, tal como o VOX entronca numa ideologia sindical franquista também os ideólogos do Chega irão buscar ideias ao sindicalismo corporativista de Salazar e do sindicalismo  nacional-fascista de Rolão Preto.

Os objectivos do pretenso sindicato ou frente sindical a criar serão os mesmos a que se propõe a extrema direita europeia , alguns dos quais e suscintamente passo a considerar:

1.      - Alargar a sua base de apoio social penetrando alguns sectores de trabalhadores descontentes e empobrecidos e, em especial ,entrar nas forças de segurança e militarizadas;

2.       -Descredibilizar os sindicatos portugueses existentes e muito em particular a CGTP, acusando-os de submissos e vendidos ao poder, acomodados e ineficazes;

3.       ~-Conquistar a sua parte de ocupação da rua que eles consideram entregue ás esquerdas.Organizar manifs e comícios« sindicais« em especial nos dias simbólicos para a democracia como o 25 de Abril, 1º de Maio e 5 de Outubro; se puderem organizarão provocações para virar trabalhadores  contra trabalhadores ou contra símbolos e partidos de esquerda.

4.      - Dividir os trabalhadores nos locais de trabalho atacando a organização sindical de classe e, em conluio com alguns sectores patronais,negociar acordos e contratos favoráveis a estes e implementando valores racistas, de ódio e de desigualdade de género;acusando os outros sindicatos de incentivarem a luta de classes, a destruição da economia nacional e a harmonia das empresas á boa tradição fascista.

Perante estes objectivos  que comportará essa «frente fascista» caberá às organizações de trabalhadores desenvolverem uma resposta global que pode passar por alguns dos seguintes pontos:

1.Responder com propostas arrojadas de reforço da unidade e de dinamização sindical nos locais de trabalho,nomeadamente reforçando os canais de diálogo entre a UGT , CGTP e sindicatos independentes progressistas;

2.Reforçar a autonomia e independencia sindical, despartidarizando os sindicatos e a dependência perante o Estado dando claros sinais aos trabalhadores descontentes com a ação sindical que os sindicatos são espaços de todos os trabalhadores ,qualquer que seja a sua orientação política e religiosa;

3.Reforçar o trabalho de base, nos locais de trabalho, bem como  a informação e formação sindical;melhorar a participação sindical dos imigrantes, jovens e das mulheres claramente deficitária.

4.Defender um sindicalismo de valores e reivindicativo que, sendo combativo, não visa destruir as pessoas nem as empresas, mas defender com audácia e eficácia os interesses e direitos dos trabalhadores;um sindicalismo de solidariedade entre todos os trabalhadores reforrmados, desempregados e no activo;precários e permanentes; a defesa dos sindicalizados como primeira obrigação, mas também os direitos dos não sndicalizados.

Eis uma primeira reflexão que pretende ser uma contribuição para que esta questão não seja ignorada com o argumenta de que não se lhe deve dar importância.Cada assunto merece a importância que lhe queremos dar.Esta , a meu ver, merece ser debatida e enfrentada.

terça-feira, 16 de agosto de 2022

ULTRAPASSAR A CRISE? apenas com sindicatos fortes!

 

Nos tempos conturbados que vivemos sáo necessários sindicatos fortes.A subida histórica dos preços,


em particular dos bens alimentares e da energia, empurram muitos portugueses para a pobreza.Em contraste as grandes empresas cotadas na bolsa e os bancos aumentam extraodináriamente os lucros.Com o aumento das taxas de juro são muitas as pessoas que sentem no bolso o aumento das rendas de casa ou das mensalidades pagas aos bancos.E os salários? Na Função Pública estagnaram e no privado os aumentos estão longe da taxa de inflação.Perante esta situação ouvimos os gritos impotentes da CGTP que procura mobilizar o que resta dos sectores sindicalizados e também o silencio cumplice e ensurdecedor da UGT.Isto para não falar de uma Conferência Episcopal tolhida pelos casos de abusos de menores e silenciosa perante o drama do custo de vida.

A maioria dos trabalhadores continua fora dos sindicatos

A grande maioria da população, nomeadamente dos trabalhadores portugueses, continuam fora dos sindicatos, entregues à caridade da Igreja ou à benevolência estatal, dependendo dos parcos subsídios dados pelo orçamento do estado, das cantinas sociais ou dos pequenos aumentos das pensões mais baixas.Ora, para piorar a situação não vamos ter eleições nos próximos tempos pelo que o governo de António Costa vai sendo avaro para mais tarde ser pródigo.

Neste quadro podemos ter perdido a confiança nos sindicatos ou não gostarmos deles por razões políticas.Não podemos, no entanto, argumentar que se precisa do dinheiro da quota, pois esse dinheiro irá cair-nos no bolso com juros aquando dos acertos do IRS.

Não podemos também argumentar que os sindicatos não fazem nada pois as pessoas vivem melhor nos países onde a maioria da população trabalhadora pertence aos sindicatos;nos sectores profissionais com fortes sindicatos como os médicos, professores, transportes e grandes empresas conseguem-se melhores salários , mais direitos e mas regalias.

Com sindicatos fortes não estariamos a viver este aumento de preços sem aumento de salários convenientes.O abandono dos sindicatos ou a não filiação dos mais jovens trabalhadores nos mesmos está, a par da precariedade e das mudançass tecnológicas, a empurrar a classe trabalhadora para uma situação de empobrecimento estrutural e para o aprofundamento das desigualdades em Portugal.E não é o plano social apregoado por Montenego no Pontal, nem o plano social do governo previsto para setembro, que vão resolver este grosso problema.

Um novo movimento de adesão aos sindicatos

Sem um rejuvenescimento sindical geracional, tático e ideológico, sem um novo movimento de adesão da classe trabalhadora aos sindicatos vamos ter mais pobreza, fuga de jovens quadros para o estrangeiro e mais imigrantes  a chegarem ao nosso País para alimentarem a nossa economia com baixos custos do trabalho.

Sinceramente não acredito que a «salvação» venha dos partidos que tradiconalmente  controlam o poder do Estado e das forças empresariais.Vão continuar a chorar lágrimas de crocodilo, dizendo que é necessário subir os salários e as pensões, fixar os jovens quadros no País, tornar a habitação acessívelA saída para a crise ou crises apenas pode vir dos trabalhadores organizados.Daí a pesada responsabilidade das organizações de trabalhadores, em particular da CGTP e da UGT.Se esta última Central sindical continuar amorfa e a CGTP a emagrecer terá que haver alterações no panorama sindical em Portugal,pois não acredito que o marasmo e ineficácia  possam continuar.

Podemos argumentar,como fazem alguns quadros do partido socialista, que a conjuntura é adversa, mesmo péssmia, com a guerra, a seca e a pandemia.Ninguém contesta tais factos e suas terríveis consequências.Todavia, o que os pobres e os trabalhadores não vão perdoar é que no meio destes terríveis factos haja tanta empresa que vê aumentar os seus lucros e tanta gente a valorização do seu capital , aproveitando precisamente o mal dos outros.Isso é inícuo porque esses senhores estão a roubar o pão dos mais pobres e fracos e o governo socialista pouco faz neste momnto para contrariar esta situação.

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

HONORIS CAUSA PARA DURÃO BARROSO-a pouca vergonha de uma Universidade Católica

 

Uma breve notícia na primeira página do Expresso informava que «A Universidade Católica vai atribuir


o grau de doutor honoris causa ao ex Presidente da Comissão Europeia e director do Centro de Estudos Europeus da UCP, José Manuel Durão Barroso»

Que eu saiba ainda ninguém comentou esta lacónica notícia do Expresso.Todavia, ela merece alguns breves comentários.Em primeiro lugar a Universidade Católica deveria fazer o que outras universidades fazem que é não dar este título ou grau a uma pessoa que seja docente da mesma universidade.

Por outro lado expliquem porque razão este senhor merece tal honra de uma Universidade Católica.Pelo seu curriculo jurídico e inteligência?Talvez.Mas nunca pelo seu curriculo como político, nomeadamente como Presidente da Comissão Europeia;nunca como Primeiro Ministro de Portugal

É aceite pela generalidade dos estudiosos da dimensão social europeia e pelos sindicatos que a Comissão Barroso estagnou nesta matéria durante o consulado Barrosos .Durante esses anos a Comissão andou a rever legislação para a tornar mais favorável aos empregadores, nomeadamente no campo da segurança e saúde dos trabalhadores.A ideia de um pilar Europeu dos direitos sociais nunca passaria com Barroso, nem qualquer directiva sobre os salário minimo europeu,ideias há tanto tempo ventiladas pelos sindicatos e outras organizações de trabalhadores de todos os quadrantes politicos e ideológicos.Se houve Comissão conservadora foi a de Barroso que bloqueou um verdadeiro diálogo social.Barroso foi o expoente máximo do conservadorismo europeu na altura, apesar do seu brilhantismo.

Mas como político nacional foi um desastre abandonando a governação para ir para a Comissão Europeia e deixando o país entregue a Santana Lopes e ,passado meio ano eleições legislativas.

Foi ele porém que patrocinou a cimeira dos Açores com Bush,Tony Blair e Aznar,onde se congeminou o embuste da invasão do Iraque com o argumento de que aquele País seria detentor de armas de destruição massiça.Deixou-se enganar e enganou o então Presidente da República, Jorge Sampaio.

Nos anos seguintes vimos o que foi o desastre do Iraque para aquele povo  e para os próprios USA.E onde estão essses bravos da cimeira dos Açores?Uns a gozar a vida como Aznar e Tony Blair e outros como Durão Barroso sendo consultor de um grande banco americano que esteve bem dentro do furacão da crise de 2010 que nos levou em 2012 , a nós portugueses, à troica e à famosa austeridade com corte de salários, pesados impostos e pobreza.

Então é a este político e profissional que a Universidade Católica vai entregar o titulo de «doutor honoris causa»?Uma Universidade Católica que vai homenagear um banqueiro do grande capital malfeitor, um fautor de uma guerra que teve centenas de milhar de mortos civis inocentes e a destruição de um País,de um comissário que foi um atraso de vida na UE em particular no domínio social.Mas quais são os valores subjacentes a esta Universidade?Não tinham outra personalidade para entregar o título?Comunga a UCP dos valores e feitos do Durão Barroso?Quem são as forças negras que estão na retaguarda desta universidade?