Imbuídos de uma enorme ingenuidade alguns jovens portugueses consideram o sindicalismo uma
«coisa» do passado, das gerações mais velhas dos pais e avós, sem qualquer utilidade para a vida. Um dia vão dar-se conta de que o sindicalismo foi uma das chaves para a melhoria de vida dos seus pais, melhoria que lhes permitiu inclusive dar um curso aos seus filhos. Razões históricas e sociológicas estão na base deste pensamento, nomeadamente os conflitos sociais vividos pelos portugueses no último meio século em que o Movimento Sindical teve um papel central nas reivindicações sociais e económicas e também as impressionantes mudanças tecnológicas e políticas. Mas, nas primeiras décadas do século XX, na primeira República, os sindicatos tiveram um papel na melhoria das condições de vida do povo português. Foram os tempos do sindicalismo revolucionário, tempos em que a maioria dos trabalhadores era analfabeta e os sindicalistas autodidatas, aprendiam uns com os outros nos sindicatos e nas associações culturais e sociais. Com a ditadura de Salazar os sindicatos deixaram de ser livres, eram comandados e vigiados pelo Estado, deixando os trabalhadores nas mãos de patrões exploradores e sem escrúpulos.
A pouca
formação e informação sindical da população portuguesa em geral, inclusive
sobre a história do movimento social e operário, e o papel negativo que a
escola e os media tiveram e contiuam a ter na imagem do sindicalismo e
sindicalistas é um entrave e explica a fraca adesão aos sindicatos. Efetivamente
muitos jovens não sabem como funciona e para que serve um sindicato e o papel
que teve e ainda tem o Movimento Sindical na construção do nosso regime
democrático e constitucional.
Todos precisamos de um sindicato
Temos assim
um imenso campo de trabalho para demonstrar aos jovens portugueses a validade
dos sindicatos no século XXI. Alguns pensam que apenas os trabalhadores pouco
qualificados precisam do sindicato. Com poucas habilitações estes jovens não
podem negociar individualmente as suas condições de trabalho. Mas os mais
qualificados, engenheiros e doutores não precisam do sindicato. Não é verdade!
Todos precisam do sindicato para melhorar o salário, as condições de trabalho e
ter uma carreira digna! Mas pertencer a um sindicato é muito mais do que
negociar e lutar por uma profissão e salário dignos. É ter a solidariedade do
sindicato nas situações complicadas, o apoio jurídico quando necessário, a
informação especializada sobre a empresa ou sobre o setor, oferta de formação e
de serviços sociais. Organizados no sindicato temos a consciência de ter uma
família, um coletivo do qual fazemos parte, um espaço de cidadania!
O sindicato
não é apenas a direção que visita o local de trabalho ou o delegado sindical. O
sindicato são os associados que se organizam sindicalmente-secção sindical- e mobilizam todos os trabalhadores para
lutarem por melhores salários e melhores condições de trabalho! Nós, o coletivo
de sindicalizados, somos o sindicato que elegemos ou destituímos os nossos
diretores e órgãos do sindicato. As grandes decisões e orientações devem ser
tomadas nas assembleias de trabalhadores e de sindicalizados, verdadeiramente
livres e não meros pro- formas, com todas as decisões já feitas pela direção. A
falta de democracia e a burocracia matam a vida sindical. Alguns sindicatos já
deixaram de ser sindicatos vivos, não passam de gabinetes jurídicos, com
dirigentes que se perpetuam eternamente e que estão longe do trabalho
profissional.
Para criticar há que entrar para os sindicatos...
Mas se não participarmos na vida sindical não temos capacidade para criticar aquilo que não conhecemos. Assim é fundamental entrarmos para os sindicatos e ali participarmos ativamente. Dizer simplesmente que o sindicato está partidarizado não basta! Há que libertar o sindicato da submissão a qualquer partido, grupo económico ou confissão religiosa! Tal não significa que para estarmos num sindicato tenhamos que abdicar de pertencer a um partido ou Igreja. Um sindicato é de todos e para todos os trabalhadores, quer sejam deste ou daquele partido, ou sejam religiosos, agnósticos ou ateus. O sindicato, no entanto, deve ser autónomo e independente , guiar-se sob orientação exclusivamente dos seus associados e dirigentes, sem obedecer a estratégias exteriores
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