Há tempos tive um sonho que me incomodou muito, pese a pouca importância que normalmente dou aos sonhos, a maioria dos quais como acontece com toda a gente, nem me lembro no dia seguinte. Todavia, este ficou até ao meu levantar para o trabalho e não gostei nada!
Sonhei que um governo sem rosto queria suprimir o feriado do 25 de Abril. As razões apresentadas eram as de sempre: pouca gente comemorava a efeméride, era uma data histórica mas longínqua no tempo, o país precisava de mais trabalho, enfim, as novas gerações tinham outros eventos mais recentes para comemorar. Sei que me esforçava todo para contrariar os argumentos apresentados, chegando a arfar e mexer-me violentamente na cama, falando palavras impercetíveis segundo me disseram mais tarde!
É óbvio que este sonho premonitório tem a ver com a nossa atual realidade política, nomeadamente com os cortes de feriados e com a banalização e ritualização da maioria, se não de todas, as comemorações!
As classes e grupos dominantes, para melhor atingirem os seus objetivos, procuram varrer da memória ou recuperar todos os acontecimentos carregados de subversão e rebeldia dos dominados! Com um discurso aparentemente do bom senso, do lugar- comum, procuram retirar sentido ao que o povo em tempos deu sentido!
Todavia, os próprios adeptos de uma comemoração, neste caso do 25 de Abril, podem contribuir para o esvaziamento dessa mesma comemoração. Em primeiro lugar pela ritualização do acontecimento. Um ritual que é muitas vezes o centro das comemorações.
A esquerda teima em ritualizar as comemorações do 25 de Abril mas tarda em retomar o processo da liberdade que em vários aspetos está em perigo e em retrocesso! As condições em que vive hoje o país, devidas aos compromissos internacionais e a uma maioria política de direita quase radical, são de degradação das liberdades e direitos económicos e sociais. Para a esquerda os direitos económicos e sociais são parte constituinte da liberdade. Ora estes direitos estão a ser liquidados!
Neste quadro uma verdadeira comemoração de ABRIL é desenvolver um processo que altere a relação de forças, através de um compromisso social e político que permita um outro caminho para o País. O caminho da dignidade, sem dúvida, mas também do crescimento, do combate á pobreza e ás desigualdades. Sem este caminho a comemoração de Abril é puro ritual de velhos que comemoram apenas os sonhos passados!
Compete aos partidos políticos avançarem com este processo.Neste regime são os partidos os constituintes de alternativas de poder.Que andam a fazer?
Este é um blog para comunicar com todos os que se preocupam com a promoção da segurança e saúde no trabalho, sindicalismo e relações de trabalho em Portugal , na Europa e no Mundo.
quarta-feira, 18 de abril de 2012
terça-feira, 17 de abril de 2012
CONCILIAR VIDA PROFISSIONAL COM VIDA FAMILIAR E SOCIAL?
Está difícil?Muito difícil, sem dúvida!Até nos locais de trabalho públicos está difícil.Com a crise, desemprego e flexibilidade de horários muito mais difícil se torna conciliar a nossa vida profissional com uma equlibrada vida familiar e social.
A União Europeia não se cansa de produzir retórica sobre o tema mas depois pede que na prática se flexibilizem os horários segundo os interesses da competitividade e das empresas!
A Agência Europeia para a Segurança e Saúde publicou um documento sintese que nos faz o ponto da situação e qual o sentir dos europeus sobre a matéria.São poucas páginas, não se assustem!VER
A União Europeia não se cansa de produzir retórica sobre o tema mas depois pede que na prática se flexibilizem os horários segundo os interesses da competitividade e das empresas!
A Agência Europeia para a Segurança e Saúde publicou um documento sintese que nos faz o ponto da situação e qual o sentir dos europeus sobre a matéria.São poucas páginas, não se assustem!VER
sexta-feira, 13 de abril de 2012
PURA DEMAGOGIA!
PURA DEMAGOGIA!
A notícia deixaria qualquer um de boca aberta se, por acaso, não estivéssemos há muito em tempos de demagogia! O Secretário de Estado espanhol da administração pública avisou os funcionários públicos do país vizinho de que «era tempo de deixarem de ler o jornal e de tomar café»! Impressionante e ao mesmo tempo de um mau gosto e de uma demagogia de se lhe tirar o chapéu!Corrupção e demagogia sapam a liberdade!
Se eu ouvisse esta «boca» a um cidadão qualquer que, porventura, foi mal atendido numa repartição pública, ou ao meu avô que, para além da banda de música e das vinhas, não ia muito em jornais, coisas de doutores obviamente-eu não me espantaria!
Agora ouvir esta frase preconceituosa a um membro do governo de um país com os pergaminhos da Espanha é a prova clara da baixeza a que chegou certa classe política!
Este tipo de afirmação sobre os trabalhadores do Estado não é inédito. Estamos ao corrente dos últimos dez anos em Portugal, desde o governo Durão Barroso, em que teve início um ataque feroz á administração pública em nome da «reforma do Estado». Em nome desta reforma cortou-se nos rendimentos dos trabalhadores, enviaram-se vários para a mobilidade, precarizou-se o vínculo da maioria, tornou-se insuportável a vida dos mais velhos e experimentados técnicos, introduziu-se o pior do privado na gestão pública, nomeadamente um sistema de avaliação monstruoso. Objetivos? Poupar dinheiro, entregar aos privados, nomeadamente consultores, chorudos negócios!
Governantes ainda de fraldas insultavam logo de manhã o brio profissional dos funcionários! Tudo lhe chamaram nesta pátria de Camões! Deram a entender e ainda hoje dão, que os funcionários públicos apenas são um custo! Quem cuida deste país? Quem o limpa? Quem limpa os velhos, trata os doentes nos hospitais, cuida de centenas de milhares de crianças e de jovens nas escolas? Francamente!
Com esta indignação não estou a dizer que os trabalhadores da administração pública são todos excelentes ou mesmo bons funcionários! Que não houve e que não há trabalhadores que prevaricam! Não cabe hoje aqui essa crítica, mas ficará prometida.
Mas francamente, ler o jornal nos dias de hoje, online ou em papel, é porventura um ato indigno e de não trabalho? Tomar um café já é um luxo? Onde estudou esta gente? Em que universidades? Quem foram os alarves dos professores? Por qual cartilha estudaram e que leite beberam em pequenos?
A notícia deixaria qualquer um de boca aberta se, por acaso, não estivéssemos há muito em tempos de demagogia! O Secretário de Estado espanhol da administração pública avisou os funcionários públicos do país vizinho de que «era tempo de deixarem de ler o jornal e de tomar café»! Impressionante e ao mesmo tempo de um mau gosto e de uma demagogia de se lhe tirar o chapéu!Corrupção e demagogia sapam a liberdade!
Se eu ouvisse esta «boca» a um cidadão qualquer que, porventura, foi mal atendido numa repartição pública, ou ao meu avô que, para além da banda de música e das vinhas, não ia muito em jornais, coisas de doutores obviamente-eu não me espantaria!
Agora ouvir esta frase preconceituosa a um membro do governo de um país com os pergaminhos da Espanha é a prova clara da baixeza a que chegou certa classe política!
Este tipo de afirmação sobre os trabalhadores do Estado não é inédito. Estamos ao corrente dos últimos dez anos em Portugal, desde o governo Durão Barroso, em que teve início um ataque feroz á administração pública em nome da «reforma do Estado». Em nome desta reforma cortou-se nos rendimentos dos trabalhadores, enviaram-se vários para a mobilidade, precarizou-se o vínculo da maioria, tornou-se insuportável a vida dos mais velhos e experimentados técnicos, introduziu-se o pior do privado na gestão pública, nomeadamente um sistema de avaliação monstruoso. Objetivos? Poupar dinheiro, entregar aos privados, nomeadamente consultores, chorudos negócios!
Governantes ainda de fraldas insultavam logo de manhã o brio profissional dos funcionários! Tudo lhe chamaram nesta pátria de Camões! Deram a entender e ainda hoje dão, que os funcionários públicos apenas são um custo! Quem cuida deste país? Quem o limpa? Quem limpa os velhos, trata os doentes nos hospitais, cuida de centenas de milhares de crianças e de jovens nas escolas? Francamente!
Com esta indignação não estou a dizer que os trabalhadores da administração pública são todos excelentes ou mesmo bons funcionários! Que não houve e que não há trabalhadores que prevaricam! Não cabe hoje aqui essa crítica, mas ficará prometida.
Mas francamente, ler o jornal nos dias de hoje, online ou em papel, é porventura um ato indigno e de não trabalho? Tomar um café já é um luxo? Onde estudou esta gente? Em que universidades? Quem foram os alarves dos professores? Por qual cartilha estudaram e que leite beberam em pequenos?
quarta-feira, 11 de abril de 2012
NANOPARTÍCULAS: potencialidades e ameaças!
Artigo apresentado no 10º Congresso Internacional de Segurança e Saúde no Trabalho realizado a 1 e 2 de Março na cidade do Porto.
A exposição ocupacional a nanopartículas é um risco novo com tendencia para aumentar o que o torna emergente exigindo o estudo de medidas de prevenção e proteção.
Este artigo de especialistas tem a vantagem de nos dar de forma arrumada o ponto da situação sobre estas matérias na língua portuguesa.VER
A exposição ocupacional a nanopartículas é um risco novo com tendencia para aumentar o que o torna emergente exigindo o estudo de medidas de prevenção e proteção.
Este artigo de especialistas tem a vantagem de nos dar de forma arrumada o ponto da situação sobre estas matérias na língua portuguesa.VER
segunda-feira, 9 de abril de 2012
SEGURANÇA E SAÚDE NUMA ECONOMIA VERDE!
O Relatório da OIT para o 28 de Abril -Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho tem este ano como tema central a economia verde , empregos verdes e trabalho digno!
O avanço para uma economia verde exige profundas mudanças nos processos de produção e nas formas de trabalhar.Mas está em causa o futuro do planeta e em última instancia da Humanidade!Economia verde e empregos verdes, tudo muito bonito se tal processo for acompanhado de trabalho digno, ou seja com condições de trabalho humanas e democráticas!
A contradição é porém profunda.Como conseguir um novo modelo económico sustentável sob ponto de vista ambiental e social com a natureza do capitalismo atual,estruturalmente predador tanto sob ponto de vista do ambiente como sob ponto de vista das relações de trabalho!Ver Relatório
O avanço para uma economia verde exige profundas mudanças nos processos de produção e nas formas de trabalhar.Mas está em causa o futuro do planeta e em última instancia da Humanidade!Economia verde e empregos verdes, tudo muito bonito se tal processo for acompanhado de trabalho digno, ou seja com condições de trabalho humanas e democráticas!
A contradição é porém profunda.Como conseguir um novo modelo económico sustentável sob ponto de vista ambiental e social com a natureza do capitalismo atual,estruturalmente predador tanto sob ponto de vista do ambiente como sob ponto de vista das relações de trabalho!Ver Relatório
terça-feira, 27 de março de 2012
STRESS NO TRABALHO VAI AUMENTAR!
Acabamos de ter acesso à segunda sondagem de opinião encomendada pela Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho onde é revelado que o stresse relacionado com o trabalho preocupa a grande maioria dos trabalhadores europeus .
De facto, 8 em cada 10 trabalhadores europeus (80%) pensam que o número de pessoas que sofrem de stresse relacionado com o trabalho vai aumentar nos próximos cinco anosRespondem ao inquérito 35.000 pessoas de 36 países europeus!
A maioria dos europeus concorda também com a necessidade de se adotarem boas práticas em matéria de segurança e saúde no trabalho para assegurar a competitividade económica dos países.
O stresse ocupacional é um dos maiores desafios da Europa no domínio da segurança e saúde no trabalho!VER
De facto, 8 em cada 10 trabalhadores europeus (80%) pensam que o número de pessoas que sofrem de stresse relacionado com o trabalho vai aumentar nos próximos cinco anosRespondem ao inquérito 35.000 pessoas de 36 países europeus!
A maioria dos europeus concorda também com a necessidade de se adotarem boas práticas em matéria de segurança e saúde no trabalho para assegurar a competitividade económica dos países.
O stresse ocupacional é um dos maiores desafios da Europa no domínio da segurança e saúde no trabalho!VER
domingo, 25 de março de 2012
PARTIDOS QUE MAIS PARECEM SINDICATOS!
Considero que o sindicalismo do futuro vai ser cada vez mais autónomo e com uma relação mais independente relativamente a estratégias partidárias ou interesses económicos.Os trabalhadores definirão esse futuro a partir das suas práticas.
Mas, hoje não é propriamente este o tema que pretendo salientar. É outro tema, também importante, e de algum modo surpreendente.Alguns partidos da esquerda portuguesa, em particular o BE e o PCP, estão a sindicalizar-se, ou seja, estão cada vez mais parecidos a sindicatos ou confundem-se muitas vezes com estes.
Nas últimas duas greves gerais foi notória esta prática que pode não ser consciente mas é, sem dúvida ,uma desvirtuação da sua missão ou objectivo político!Alguns cartazes partidários a anunciar a Greve Geral eram muito iguais ao dos sindicatos, nomeadamente da CGTP, os respectivos líderes fizeram questão de aparecerem junto aos piquetes ou em locais mediaticamente estratégicos!Objetivamente a mensagem que os dois líderes querem fazer passar é: esta greve também é nossa ou nós estamos a liderar politicamente esta greve!Claro que a comunicação social não perde esta oportunidade para colar os dois líderes, do BE e do PCP à Greve.A posição do PS é diferente, mas frequentemente ambígua!
Não estou a dizer que os partidos da esquerda, incluindo aqui o PS, não devam apoiar as greves!Pelo contrário devem apoiar, mas de outra maneira, mais discretamente!O que me parece é que, quer o PCP, quer o BE, perante a situação complicada que se vive colam-se ao movimento sindical e já parecem sindicatos, inclusive nos seus textos sobre os problemas laborais.Podemos assim dizer que perante a situação a esquerda, em particular o BE e o PCP, fazem deles a luta do movimento sindical e, no Parlamento, apresentam projectos concorrentes para ver quem é mais á esquerda!
Ora, se no País já temos sindicatos para que queremos nós cópias políticas de sindicatos?O que demonstra isto?Demonstra que a continuarmos assim estamos num beco sem saída político.Do que precisamos é de partidos que criem uma alternativa credível ao bloco que está no poder e que tem claramente um projecto a médio prazo de corte com o legado da Revolução de Abril.A sindicalização da esquerda é um mau sinal .O papel fundamental dos partidos da esquerda neste momento é serem capazes de um compromisso político e programático capaz de mobilizar o vasto eleitorado da esquerda.Continuar a palrar no Parlamento e a substituir os sindicatos não nos leva a nada!Claro que é uma situação cómoda...mas estéril!Entretanto, os trabalhadores sofrem os efeitos da política da austeridade e não vislumbram os frutos das suas lutas!Cada um procura salvar a sua pele....precisamos de um projecto colectivo de esperança!
Mas, hoje não é propriamente este o tema que pretendo salientar. É outro tema, também importante, e de algum modo surpreendente.Alguns partidos da esquerda portuguesa, em particular o BE e o PCP, estão a sindicalizar-se, ou seja, estão cada vez mais parecidos a sindicatos ou confundem-se muitas vezes com estes.
Nas últimas duas greves gerais foi notória esta prática que pode não ser consciente mas é, sem dúvida ,uma desvirtuação da sua missão ou objectivo político!Alguns cartazes partidários a anunciar a Greve Geral eram muito iguais ao dos sindicatos, nomeadamente da CGTP, os respectivos líderes fizeram questão de aparecerem junto aos piquetes ou em locais mediaticamente estratégicos!Objetivamente a mensagem que os dois líderes querem fazer passar é: esta greve também é nossa ou nós estamos a liderar politicamente esta greve!Claro que a comunicação social não perde esta oportunidade para colar os dois líderes, do BE e do PCP à Greve.A posição do PS é diferente, mas frequentemente ambígua!
Não estou a dizer que os partidos da esquerda, incluindo aqui o PS, não devam apoiar as greves!Pelo contrário devem apoiar, mas de outra maneira, mais discretamente!O que me parece é que, quer o PCP, quer o BE, perante a situação complicada que se vive colam-se ao movimento sindical e já parecem sindicatos, inclusive nos seus textos sobre os problemas laborais.Podemos assim dizer que perante a situação a esquerda, em particular o BE e o PCP, fazem deles a luta do movimento sindical e, no Parlamento, apresentam projectos concorrentes para ver quem é mais á esquerda!
Ora, se no País já temos sindicatos para que queremos nós cópias políticas de sindicatos?O que demonstra isto?Demonstra que a continuarmos assim estamos num beco sem saída político.Do que precisamos é de partidos que criem uma alternativa credível ao bloco que está no poder e que tem claramente um projecto a médio prazo de corte com o legado da Revolução de Abril.A sindicalização da esquerda é um mau sinal .O papel fundamental dos partidos da esquerda neste momento é serem capazes de um compromisso político e programático capaz de mobilizar o vasto eleitorado da esquerda.Continuar a palrar no Parlamento e a substituir os sindicatos não nos leva a nada!Claro que é uma situação cómoda...mas estéril!Entretanto, os trabalhadores sofrem os efeitos da política da austeridade e não vislumbram os frutos das suas lutas!Cada um procura salvar a sua pele....precisamos de um projecto colectivo de esperança!
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