Mais uma vez somos apanhados por uma tragédia que abrange uma parte significativa do País.
No verão passado foram os incêndios e o elevador da Glória, agora as cheias e os ventos! Sempre as mesmas críticas: falta de coordenação e de meios, falta de rapidez e oportunidade. As pessoas queixam-se de que foram abandonadas pelos serviços, enfim, pelo Estado.
Continuamos assim com aquilo que parece ser uma fatalidade!
Mas nada mais falso. Não é uma fatalidade, é uma mentalidade, uma cultura e uma
política essencialmente economicista, que apenas visa os custos a curto prazo e
não tem visão estratégica para apostar na prevenção e no planeamento.
As consequências estão à vista de todos e podemos enumerar
apenas algumas: mortes que poderiam ser evitadas e milhões de euros em
prejuízos que poderiam ser evitados também.
Poderemos resumir em poucos pontos o que nos falta e poderia
ser feito:
1.
Falta de planeamento e prevenção
2.
Falta de manutenção permanente e inteligente
3.
Avaliação periódica dos riscos e tomada de
medidas apropriadas
Queixamo-nos de que somos um povo que não planeamos, mas ao
mesmo tempo desconfiamos dos que querem planear e prever para prevenir. Em
todos os campos é necessário prevenir para evitar ao máximo os efeitos
nefastos, seja na saúde, nas emergências, na guerra e na paz e nos locais de
trabalho.Hoje com o desenvolvimento das ciências e das tecnologias o
planeamento e a prevenção podem ser organizados com rigor! Temos que promover a
visão científica contra o empirismo, a exigência contra o facilitismo e a negligência.
Temos que ter responsabilidade social, preocupação pelo bem comum.
Esta exigência abrange a necessidade de um sistema de
manutenção permanente e inteligente. Uma manutenção das infraestruturas e
equipamentos rigorosos e que não facilite em nome do baixo custo. As ideias
neoliberais que inundaram as instituições são uma das causas das catástrofes
porque regateiam o investimento público. Em nome do menos estado e da
privatização deixaram-se pontes e estradas a cair de podres ou com elevado
risco. Os cortes orçamentais sempre incentivados por Bruxelas e pelos
governantes neoliberais são uma das causas das catástrofes e da incapacidade do
Estado perante as alterações climáticas.
É importante por fim investir numa cultura rigorosa de
avaliação dos riscos em todos os departamentos responsáveis pelas obras
públicas e pelos equipamentos. Como se pode aceitar que haja tanta construção
licenciada nos rios e ribeiros? Há que melhorar os planos locais de emergência,
contratar e formar pessoas que possam assumir as tarefas de planeamento,
coordenação e ação nas emergências! Acreditem por favor que Nossa Senhora de
Fátima não nos vai proteger toda a vida!

Sem comentários:
Enviar um comentário