sábado, 7 de fevereiro de 2026

PORQUE FALHA O ESTADO NA PROTEÇÃO DAS PESSOAS NAS HORAS NEGRAS?

 

Mais uma vez somos apanhados por uma tragédia que abrange uma parte significativa do País.


No verão passado foram os incêndios e o elevador da Glória, agora as cheias e os ventos! Sempre as mesmas críticas: falta de coordenação e de meios, falta de rapidez e oportunidade. As pessoas queixam-se de que foram abandonadas pelos serviços, enfim, pelo Estado.

Continuamos assim com aquilo que parece ser uma fatalidade! Mas nada mais falso. Não é uma fatalidade, é uma mentalidade, uma cultura e uma política essencialmente economicista, que apenas visa os custos a curto prazo e não tem visão estratégica para apostar na prevenção e no planeamento.

As consequências estão à vista de todos e podemos enumerar apenas algumas: mortes que poderiam ser evitadas e milhões de euros em prejuízos que poderiam ser evitados também.

Poderemos resumir em poucos pontos o que nos falta e poderia ser feito:

1.       Falta de planeamento e prevenção

2.       Falta de manutenção permanente e inteligente

3.       Avaliação periódica dos riscos e tomada de medidas apropriadas

Queixamo-nos de que somos um povo que não planeamos, mas ao mesmo tempo desconfiamos dos que querem planear e prever para prevenir. Em todos os campos é necessário prevenir para evitar ao máximo os efeitos nefastos, seja na saúde, nas emergências, na guerra e na paz e nos locais de trabalho.Hoje com o desenvolvimento das ciências e das tecnologias o planeamento e a prevenção podem ser organizados com rigor! Temos que promover a visão científica contra o empirismo, a exigência contra o facilitismo e a negligência. Temos que ter responsabilidade social, preocupação pelo bem comum.

Esta exigência abrange a necessidade de um sistema de manutenção permanente e inteligente. Uma manutenção das infraestruturas e equipamentos rigorosos e que não facilite em nome do baixo custo. As ideias neoliberais que inundaram as instituições são uma das causas das catástrofes porque regateiam o investimento público. Em nome do menos estado e da privatização deixaram-se pontes e estradas a cair de podres ou com elevado risco. Os cortes orçamentais sempre incentivados por Bruxelas e pelos governantes neoliberais são uma das causas das catástrofes e da incapacidade do Estado perante as alterações climáticas.

É importante por fim investir numa cultura rigorosa de avaliação dos riscos em todos os departamentos responsáveis pelas obras públicas e pelos equipamentos. Como se pode aceitar que haja tanta construção licenciada nos rios e ribeiros? Há que melhorar os planos locais de emergência, contratar e formar pessoas que possam assumir as tarefas de planeamento, coordenação e ação nas emergências! Acreditem por favor que Nossa Senhora de Fátima não nos vai proteger toda a vida!

 

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