quinta-feira, 18 de março de 2010

A FACTURA DA CRISE: O PEC!


Tal como já se previa , aí está a verdadeira factura da crise: o PEC! Durante um ano vimos um desfilar de medidas de combate á crise e as consequências da mesma reflectidas no encerramento de empresas, no desemprego em flecha, nos apoios ao sistema financeiro com pacotes de milhões!

Mas agora é que a maioria vai pagar verdadeiramente a crise! Em primeiro lugar, e como sempre, os funcionários públicos, em particular os de baixos salários. Estes trabalhadores nunca mais podem ver qualquer luz ao fundo do túnel! Espera-os uma situação de passarem de pobres para miseráveis! Em segundo lugar os desempregados que, ou não vão ter emprego, ou vão continuar sem subsídio ou com o mesmo diminuído!
Depois seguem-se os reformados com baixas pensões e todos os outros trabalhadores que pertencem á classe média baixa! É cortes nas deduções do IRS, subida das mensalidades na compra de casa, precariedade laboral!

Quanto ás classes altas continuam em alta! Apenas uma subida de IRS para algumas pessoas que não podem fugir ao fisco! Imposto sobre mais valias? Talvez! A ver veremos! Aos que colocaram dinheiro no exterior? Vamos dar-lhe a possibilidade de regressarem com a bolsa. Será que regressam?
Para amenizar a dívida e atingir as metas previstas para o déficit vamos privatizar, entregar a saldo o que resta com valor nas mãos do Estado!
Em resumo, vamos ter um PEC já aceite em Bruxelas e só agora é que vai ser debatido na Concertação Social! Para quê?

Não seria mais transparente dizer que neste quadro actual não há lugar para o diálogo social? Que a nossa soberania está mais do que limitada? Para quê fazer caricatura do diálogo social?
Será que não haveria alternativa a este PEC? Porque será que um governo socialista incorporou todas as reivindicações do centro direita e da direita no PEC? Diminuição drástica do investimento público, privatizações, medo de fazer pagar quem mais tem! Será que a culpa está toda na esquerda? De que tem medo o PS?

Por outro lado , será que a zona euro não terá que ser toda repensada?

2 comentários:

João disse...

O pagamento desta factura é escandaloso porque a crise veio a partir do modelo económico vigente e provocado pelos bancos gananciosos, e vai continuar por isso vamos pagar e voltar a pagar até que isto mude de modelo.

O socialismo não é o apanágio da defesa do capitalismo privado. Mas este é.
Quem estiver atento reconhecerá que o modelo da UE é idiológico defende o capitalismo duro e selvagem. Para justificar e implantar o mesmo usa uma faixa tão apertada como é o défice em 3% anuais. Nos Estados mais débeis obriga a privatizar tudo até cumprir esta meta. Depois facilita quem compra mas deixando a porta aberta para estes poderem vender aos potentosos os Estados mais ricos e assim ficam os pobres sem as suas joias e bons rendimentos tornando-se mais pobres e dependentes.
É o nosso caso com a venda das principais empresas públicas apeasar das suas áreas serem as mais estratégicas a exemplo a comunicação, água e energia etc. A saúde a seg. social estão agora a ficar mais sugeitas ao mercado do lucro pelo lucro e não como devia ser ao serviço das populações, nós povo trab. não mereciamos ser tratados tão mal.
Vamos pagar um preço muito alto com um futuro mais desprotegido e muito incerto em direitos sociais.
Com este PEC e este governo o trabalho digno não é um objectivo sagrado nem um direito como diz a constituição é um luxo dos que o têm trab. como os funcionários públicos que não sofrem o mesmo dos privados em despedimentos sem justa causa e por isso são malandros priveligiados que devem ser castigados congelados os salários, e com a redução do seu número aritmético em nome da privatização de serviços e igualdade e felecidade dos outros que não têm nem garantias nem estabilidade porque isso é bom e custa menos dinheiro coisa nobre na Europa Social e nas empresas.
Fico por aqui porque a isto tudo se chama democracia e economia de mercado com desenvolvimento moderno.

João Lourenço

A.Brandão Guedes disse...

o Zé Ricardo mandou este comentário:
Ora viva,

Obrigado pelo teu apontamento sobre o PEC. A propósito da crise e das medidas apresentadas para a combater, recordei-me da ultima entrevista do nosso concidadão Belmiro que, criticando a política do Governo, apontou como saída para a crise: o aumento do investimento e o aumento do consumo. Se em relação ao investimento é obvio que o aumento da economia e do emprego passará pelo aumento do investimento, no que concerne ao aumento do consumo algumas perguntas se devem fazer. A riqueza aumenta para quem? Para quem tem supermercados? Isto é, para ele, ou para o país? Isto seria verdade se nos seus supermercados se vendessem preferencialmente produtos portugueses. Como não é e todos sabemos que a maior parte do consumo do país é de produtos importados é bem de ver que quanto mais se consome mais enriquece o Belmiro e mais empobrece o país. Até os dividendos vão para a estranja! Já nos esquecemos da guerra do leite em que por uns míseros cêntimos preferiu vender leite importado em lugar de favorecer as cooperativas leiteiras nacionais? Ah! É verdade, já me esquecia. Não podemos ultrapassar o supremo valor da concorrência. Só que quantos menos empregados houver em Portugal, sejam leiteiros ou outros, menos dinheiro teremos para levar aos supermercados do sr. Belmiro.

Um abraço

JR