Leão XIV tem sido notícia nas últimas semanas apelando à paz
e criticando os fautores das guerras, visando indiretamente os americanos e a
administração Trump. Uma posição firme e de louvar!
Mas o atual Papa tem demonstrado outra faceta muito importante na continuação da pastoral de
Francisco. Trata-se do apoio aos Movimentos Populares que lutam pela Terra, Habitação e Trabalho, ou seja ,«tierra, techo e trabajo»!E de certo modo Leão XIV justifica-se:« Uma das razões pelas quais escolhi o nome “Leão XIV” é a Encíclica Rerum novarum, escrita por Leão XIII durante a Revolução Industrial. O título Rerum novarum significa “coisas novas”. Existem certamente “coisas novas” no mundo, mas quando dizemos isto, normalmente adotamos uma “visão centralizada” e referimo-nos a coisas como a inteligência artificial ou a robótica. No entanto, hoje, gostaria de analisar convosco as “coisas novas”, começando pela periferia».
E
adianta ainda no seu discurso de 23 de outubro aos participantes do Encontro
com os movimentos Populares: «há mais de dez anos, aqui no Vaticano, o Papa Francisco disse-vos que viestes plantar uma bandeira. O que
estava escrito nela? “Terra, casa e trabalho”. “Tierra, techo, trabajo”,
como nos disse Guadalupe há pouco. Era algo “novo” para a Igreja, e era uma
coisa boa! Fazendo eco aos apelos de Francisco, hoje digo: a terra, a casa e o
trabalho são direitos sagrados, pelos quais vale a pena lutar, e quero que me
ouçam dizer: “Eis-me!”, “Estou convosco!”.»
E mais adiante ele afirma de forma clara: «De facto,
«enquanto os problemas dos pobres não forem radicalmente resolvidos, rejeitando
a autonomia absoluta dos mercados e da especulação financeira e abordando as
causas estruturais da desigualdade, não se encontrará solução para os problemas
do mundo, ou, melhor dizendo, para qualquer problema. A desigualdade é a raiz
dos males sociais».
Claro como nunca, o Papa reafirma :«A Igreja apoia as vossas
justas lutas pela terra, pela casa e pelo trabalho. Tal como o meu predecessor
Francisco, acredito que os caminhos justos partem da base e da periferia em
direção ao centro. As vossas numerosas e criativas iniciativas podem transformar-se
em novas políticas públicas e direitos sociais. A vossa é uma busca legítima e
necessária. Quem sabe se as sementes do amor que vós semeais, pequenas como
sementes de mostarda (cf. Mt 13, 31-32, Mc 4, 30-32, Lc 13, 18-19), poderão crescer num mundo mais humano
para todos e ajudar a gerir melhor as «coisas novas».
Tal como o seu predecessor Leão XIV faz uma reflexão das
periferias muito típica de uma teologia da América Latina onde a Igreja
Católica animou e ainda anima centenas de movimentos sociais que lutam por
causas justas como ter terra, habitação e trabalho dignos! Muitos destes
Movimentos populares são animados por cristãos incluindo com alguns padres e
bispos.
Na Europa a visão da Igreja Católica é outra!
Esta visão não é, em geral, partilhada pela Igreja Católica na
Europa e nos Estados Unidos! Em decadência a Igreja Católica agarra-se, embora
pouco, aos valores «sociais- cristãos» na perspetiva tradicional da «Doutrina
Social» da Igreja. Não vejo nenhum bispo português falar dos Movimentos sociais
com o entusiasmo e benevolência dos papas! Aliás, os nossos bispos nem assim
falam dos Movimentos da Ação Católica Portuguesa e muito menos do Movimento
sindical ou das organizações de agricultores! Mão vejo nenhum bispo português
falar claramente sobre mais uma reforma laboral que retira mais direitos aos
trabalhadores! Não os vejo dizer claramente que os pobres estão no centro, no coração
da Igreja!
Pelo contrário, as relações da Hierarquia Católica com os
Movimentos de Trabalhadores têm sido de desconfiança, vendo o «lobo mau» no seu
seio, não lhes dando confiança, sonegando apoios incluindo aos seus Movimentos
que fazem 90 anos neste ano de 2026!
Neste discurso o Papa diz que apoia as justas lutas pela
terra, pela habitação e pelo trabalho! E pede amor nesta luta! Não diz para se
não lutar, diz sim para se lutar pela dignidade e por justas reivindicações.
Aqui amar significa lutar pela dignidade de todos, todos, todos…E quem oprime e
concentra riqueza que de tão imensa se torna pornográfica, e que é de todos,
não é um ser digno! Há que lhe tirar esse poder para o tornar digno! Assim
também o pobre e oprimido para ser digno tem de deixar de ser submisso, deve
lutar pela sua dignidade! O amor entre oprimidos e opressores,
entre tiranos/escandalosamente ricos e gente sem Teto, nem terra nem trabalho
digno é um amor ativo de luta pela dignidade, pela riqueza distribuída por todos, por uma terra de irmãos!
Note-se que estes discursos aos Movimentos Populares não são notícia em Portugal , incluindo os meios da Igreja católica! Para os ricos e políticos da extrema direita este papa está a seguir os caminhos do saudoso Papa Francisco! Há muitos ouvidos surdos aos discursos do Papa!






