quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

REFLEXÕES SOBRE OS CEM ANOS DA INSPEÇÃO DO TRABALHO!

O Ministério do Trabalho e alguns serviços do mesmo, como a Inspeção do Trabalho Portuguesa, fazem em março próximo um século de existência! Alguns atos oficiais assinalarão esta efeméride, 1916-2016, havendo lugar a debates sobre o papel de um Ministério do Trabalho e da inspeção ao longo de cem anos! Estando nesta altura um socialista no Ministério espera-se que em nenhum debate se tente branquear a história desta instituição que nasceu em plena Primeira República! Dois momentos foram particularmente difíceis para a Inspeção do trabalho portuguesa. O primeiro foi a liquidação do regime republicano e a implantação do regime corporativo com a Ditadura do Chamado «Estado Novo» e, o segundo, o derrube precisamente da
Ditadura com o 25 de Abril e o ano e meio que se seguiu também chamado de PREC!
Em ambos os períodos a Inspeção do trabalho teve que se submeter de forma mais ou menos forçada às dinâmicas sociais e culturais da época e do regime político em construção!
 Com efeito a ditadura cedo retirou o grau de autonomia mínima á inspeção do trabalho submetendo-a à ideologia corporativa que negava a luta de classes e subalterniza e atrelava as classes trabalhadoras aos interesses do núcleo económico capitalista. Em determinado período através do INTP a Inspeção do trabalho articulava com os delegados desta instituição e estes articulavam por sua vez com a GNR e a polícia política para impedirem as greves e prenderem os dirigentes operários! Com a fascisação dos sindicatos à italiana criaram-se os sindicatos únicos e submetidos ao Estado! Foi um longo e negro período em que os inspetores do trabalho objetivamente eram peças da máquina repressiva do Estado e de controlo das lutas sociais! Certamente que não foram tempos fáceis para muitos inspetores que viram a sua missão tão desvirtuada, embora, tendo em conta o contexto histórico, a maioria considerasse certamente que desempenhava a sua missão de forma correta.
No PREC a Inspeção do Trabalho, tal como as restantes instituições do Estado não estavam preparadas para enfrentarem um autêntico furacão social! A dinâmica social e sindical foi de tal modo impressionante que o velho Estado rachou por todos os lados. 
O Ministério do Trabalho esteve no centro do furacão. Novas realidades como abandono e ocupação de empresas, manifestações, reivindicações salariais e de condições de trabalho colocavam a inspeção num conflito enorme em que a relação de forças era agora favorável às organizações sindicais e partidos de esquerda! A inspeção do trabalho tinha que acompanhar agora quem tinha o poder na rua e nas empresas Qual o papel da nova inspeção do trabalho no novo contexto? Só passados anos, após a estabilização do novo regime, se conseguiu adaptar a situação. Toda esta história está por fazer! Mas como ambos os períodos foram de grandes clivagens e dividiram os portugueses, procura-se passar por estes tempos como «gato por brasas»!Isso não é bom!


segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

FERRAMENTAS PARA AVALIAR RISCOS NO TRABALHO!

A Autoridade para as Condições do Trabalho, enquanto Ponto Focal Nacional da Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho, acaba de disponibilizar mais uma ferramenta OiRA, nomeadamente uma ferramenta OIRA multissetorial, com potencialidade para ser utilizada em múltiplos setores de atividade.

A avaliação de riscos constitui a base de qualquer abordagem à gestão da segurança e da saúde, sendo essencial para a criação de locais de trabalho seguros e saudáveis. Esta ferramenta multissetorial, por pretender abranger um leque alargado de setores de atividade é naturalmente mais extensa que as existentes anteriormente (cabeleireiros, curtumes e transportes rodoviários de mercadorias). No entanto, cada utilizador não necessita de percorrer todos os itens da ferramenta, podendo centrar-se nos riscos profissionais da sua atividade em concreto.

Estas ferramentas ou instrumentos de avaliação de riscos, são interativas, gratuitas e podem ser utilizadas online por todos os profissionais do setor que pretendam avaliar os riscos no seu local de trabalho.

Outra vantagem destas ferramentas, agora disponibilizadas pela ACT, é permitirem no final do processo imprimir um relatório de avaliação de riscos que deverá ser assinado pelo técnico ou técnico superior de segurança do trabalho, ou pelo empregador ou trabalhador designado.
Os instrumentos de avaliação de riscos disponibilizados permitem assegurar o cumprimento da lei, não dispensando no entanto, sempre que outros riscos sejam identificados e que não constem nas ferramentas, a sua integração na avaliação de riscos global.
As ferramentas disponibilizadas não têm carácter obrigatório, constituindo apenas um instrumento de avaliação de riscos opcional.VER


Pode aceder às ferramentas OiRA Ver

PERIGO QUÍMICO PARA OS TRABALHADORES!

Em conformidade com o Regulamento REACH, as empresas que fabricam ou importam para a UE, a Islândia, a Noruega ou o Listenstaine substâncias químicas em quantidades iguais ou superiores a uma tonelada por ano devem registá-las junto da ECHA (Agência Ambiental Europeia). Se não estiverem disponíveis informações sobre as propriedades perigosas das substâncias químicas em questão, essa informação deve ser gerada e, se necessário, devem ser atualizadas as fichas de dados de segurança. Os representantes dos trabalhadores e técnicos de segurança devem verificar se as empresas em que trabalham cumprem as regras.
Entretanto o Tribunal de Justiça da União Europeia considerou que a Comissão Europeia violou o regulamento europeu relativo à colocação no mercado e utilização de produtos biocidas.Sindicatos europeus felicitaram-se pela decisão do tribunal.Ver mais

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

NOVA RESOLUÇÃO DO PARLAMENTO EUROPEU SOBRE SAÚDE DOS TRABALHADORES!

Em Resolução de 25 de novembro passado sobre o Quadro Estratégico da União Europeia 2014-2020 de segurança e saúde no trabalho este órgão comunitário reafirma, mais uma vez, a importância da inspeção do trabalho e dos parceiros sociais na efetivação das políticas de segurança e saúde dos trabalhadores e avança com fortes críticas á Comissão Europeia pela sua inoperância e conservadorismo nos últimos anos em matéria de segurança e saúde dos trabalhadores.
Algumas recomendações dos deputados europeus vão ao encontro das críticas e preocupações dos sindicatos europeus, nomeadamente no facto de que a nova estratégia europeia para a segurança e saúde dos trabalhadores não estipulou objetivos concretos sobre as matérias, concretamente com as doenças profissionais e acidentes de trabalho.

Na continuação de pedidos anteriores os deputados voltam a insistir com a Comissão para que apresente uma proposta de revisão da diretiva que protege os trabalhadores na exposição aos agentes cancerígenos e se avance com legislação sobre a prevenção das lesões músculo esqueléticas e se ataque de forma mais eficaz o stresse e os riscos psicossociais.
O Parlamento Europeu, entre as importantes considerações e recomendações expressas no seu documento refere ainda que a eficácia da luta contra os acidentes de trabalho exige necessariamente uma estratégia que coloque o homem no coração do processo produtivo em todos os aspetos.
Ora isto é precisamente o que a atual gestão capitalista das empresas não está a fazer! Bem pelo contrário, o trabalhador é considerado cada vez mais um produto a usar e deitar fora!VER


terça-feira, 5 de janeiro de 2016

TRABALHO CLANDESTINO NO ALENTEJO!

Em mais uma ação contra o trabalho não declarado a ACT de Beja encontrou dezenas de trabalhadores ilegais, sem qualquer desconto para a segurança social.Aquela entidade emitiu um comunicado dando conta da intervenção efetuada em articulação com a GNR.

«Inspetores do trabalho da Unidade Local do Litoral e Baixo Alentejo (Beja) da ACT, em articulação com o Comando Territorial de Santiago do Cacém da GNR, realizaram, ontem, dia 4 de janeiro, na zona de Santo André - Sines, uma ação de combate ao trabalho não declarado na apanha da pinha.

Com esta intervenção da ACT, e através da localização prévia de diversos grupos de trabalhadores em vários locais pelos agentes da GNR, foi possível identificar 31 pessoas trabalhando para o mesmo empregador de forma ilegal.

Por consulta direta à base de dados da Segurança Social foi possível apurar desde logo que nenhum destes trabalhadores tinha sido declarado à Segurança Social, havendo, inclusive, uma trabalhadora em situação de desemprego a receber o respetivo subsídio.


Na sequência desta ação a ACT local vai adotar os procedimentos habituais tendentes à regularização da situação dos trabalhadores identificados, nomeadamente procedendo-se ao eventual apuramento de contribuições para a Segurança Social, bem como ao levantamento dos correspondentes autos de notícia...»

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

AGÊNCIAS PRIVADAS DE COLOCAÇÃO:mais um negócio?

No dia 12 de janeiro a ACT promove um seminário sobre as chamadas agências privadas de colocação. O evento será realizado com os parceiros interessados nomeadamente a Associação das respetivas entidades interessadas no negócio, o Sindicato do Comércio (CESP) e a federação dos serviços (FETESE).
O objetivo do evento para algumas pessoas, nomeadamente para a ACT, é debater o problema para que a implementação destas agências se faça de forma legal e com regras de licenciamento e funcionamento. Para outros o que os move será colocar o tema na ordem do dia e dar-lhes publicidade! É que, tal como as empresas de trabalho temporário, estará aqui um bom negócio para os interesses privados, ou seja, fazer do desemprego um negócio e do desempregado uma mercadoria!O discurso não será este óbviamente!O discurso é o da parceria, da complementariedade...enfim só falta dizer da caridade!
Se, porventura, estas agências de colocação viessem colmatar uma lacuna social e económica existente no país seria compreensível. Porém, estas entidades têm como missão fazer o que o IEFP, uma entidade pública, tem feito desde a sua existência de décadas! Logo, a sua missão é ir esvaziando uma das vertentes do IEFP, a colocação de desempregados no chamado «mercado de trabalho», aniquilando paulatinamente uma entidade pública e colocando em risco o emprego de centenas de técnicos. Utilizando  a parceria com o IEFP irão parasitar esta entidade ao nível de  conhecimentos, ficheiros e saberes.

Creio que qualquer pessoa que não esteja envolvida neste negócio reconhecerá que estas agências não são necessárias se o IEFP cumprir cabalmente a sua missão! Só que o cavalo de troia já está há muito no próprio IEFP através de pessoas que os diversos governos aí colocaram nos últimos tempos…Pouco a pouco os interesses subjacentes a estas agências vão ganhando terreno. Os trabalhadores desempregados, para além da sua desgraça, ainda alimentam interesses privados. O capitalismo de hoje mercantiliza tudo, tudo torna em negócio!É o empreendorismo! Desmascarar estes negócios é a primeira etapa do combate contra a exploração da pessoa!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

CUIDAR DE QUEM CUIDA DA ESCOLA!

Professores e outros trabalhadores escolares têm cada vez mais problemas relativamente ás suas condições de trabalho.Os cortes nos orçamentos, a redução das equipas de administrativos e operacionais nas escolas estão a colocar estes profissionais em situação de ruptura!A carga física e psicológica tem aumentado para estes trabalhadores.Cada grupo profissional tem os seus problemas e tardam as medidas de prevenção e promoção da saúde nas escolas.Mas é urgente tomar medidas.
Reforçar as equipas que devem ser mais paritárias (homens e mulheres) e não apenas de mulheres;organizar os serviços de segurança e saúde no trabalho, nomeadamente com apoio psicológico aos profissionais.VER brochura