Numa publicação do Instituto Sindical Europeu Jukka Takala, um perito internacional em segurança e saúde
no trabalho apela a que a União Europeia faça mais para combater o cancro profissional.
Takala estima que o cancro profissional provoca em cada ano a morte a 102.500 pessoas na União Europeia, ou seja, vinte vezes mais que os acidentes de trabalho.
A maioria, cerca de 85%, destes cancros estão ligados apenas a uma dezena de cancerógenos. Ver documento.
Este é um blog para comunicar com todos os que se preocupam com a promoção da segurança e saúde no trabalho em Portugal , na Europa e no Mundo. Trabalho há 25 anos nas questões de segurança e saúde no trabalho, particularmente nas área da comunicação social. Espero que outros escrevam para este blog, não apenas comentários a artigos que aqui apareçam mas também textos de opinião, chamadas de atenção para factos importantes,opiniões sobre política de prevenção, saúde e segurança.
domingo, 1 de novembro de 2015
quinta-feira, 29 de outubro de 2015
REVISTA BRASILEIRA DE SAÚDE LABORAL
Acaba de ser publicado o nº131 da Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, uma publicação editada pela Fundacentro, organismo brasileiro do Estado que se dedica há mais de 40 anos à promoção da segurança e saúde no trabalho!
Este número da Revista é todo dedicado à Ergonomia e ao seu impacto nas condições de trabalho dos trabalhadores brasileiros.Muitos dos problemas abordados também se encontram nas nossas sociedades europeias, nomeadamente com as transformações nos serviços públicos e o impacto nos trabalhadores..VER
terça-feira, 27 de outubro de 2015
PREVENIR O SUICÍDIO NO TRABALHO-uma metodologia aplicada em França!
O
suicido ou tentativa de suicídio no trabalho é hoje devidamente considerada
pelas estruturas de SST francesas, nomeadamente pelas comissões de segurança e
saúde no trabalho das empresas.
Quando
ocorre um suicídio ou tentativa de suicídio no trabalho existe uma metodologia
para abordar a questão constituindo-se de imediato um DEP (Delegação de
Inquérito Paritário).
O que é
um DEP e como funciona é o que se pode ver num trabalho em francês, do INRS, um
instituto de investigação de matérias de segurança e saúde no trabalho.VER
sexta-feira, 23 de outubro de 2015
SEGURANÇA E SAÚDE DOS TRABALHADORES COM NOVA ESTRATÉGIA NACIONAL!
Por Resolução do Conselho de Ministros foi publicada
recentemente uma nova Estratégia Nacional de Segurança e Saúde no trabalho
2015-2020.Vem na continuação de um documento comunitário mais ou menos para o
mesmo período e visa estabelecer o quadro estratégico de Portugal no domínio da
promoção da segurança e saúde dos trabalhadores. O documento foi
consensualizado entre os parceiros sindicais e empresariais no âmbito do
Conselho Nacional para a SST, órgão de consulta da ACT.
Confesso que esperava muito mais! O documento é fraco e,
apesar de quantificar metas para cada objetivo, temos a sensação de que nada
aparece de verdadeiramente significativo! A Resolução determina, aliás, logo no
início «que a assunção de compromissos no âmbito da execução das medidas
previstas na ENSST-2015-2020 depende da existência de fundos disponíveis por
parte das entidades públicas competentes».
Ora, tal determinação não é compreensível de modo algum!
A existência de fundos para ações do Estado dependem da vontade política do
mesmo Estado! Este aviso à navegação tem que ser lido como, enfim, se houver
algum dinheiro poderemos fazer algumas coisas, mas é provável que não se
disponibilizem grandes fundos!
Esta determinação retira o necessário impacto a este
documento e mostra bem como o governo de Passos/Portas pensa as questões das
condições de trabalho, nomeadamente a qualidade do mesmo. Ele não está
verdadeiramente interessado em investir na valorização do trabalho! Pelo
contrário, a redução dos custos do trabalho para aumentar a competitividade foi
um dos seus principais objetivos estratégicos.
Neste contexto o objetivo de diminuir o número de
acidentes de trabalho em 30% é certamente irrealista! Tal objetivo, para ser
cumprido exigiria um sério investimento na promoção da segurança e saúde dos
trabalhadores, sendo contraditório com a determinação ou ameaça de que os
compromissos assumidos neste âmbito serão para cumprir apenas se houver
dinheiro.
Por outro lado os objetivos e metas desta Estratégia são
fundamentalmente de natureza informativa e cabem na maioria dos casos nos
planos de atividade da ACT. Fala-se em meios humanos para a ACT, é verdade. Ora,
realisticamente, o governo de direita nunca desvendou o rumo que tinha para a
inspeção do trabalho! O que fez nestes anos foi desvalorizar a instituição e
diminuir-lhe drasticamente o orçamento!
Os Parceiros Sociais, em particular os sindicais, foram
talvez demasiado compreensivos com este documento!Ver documento.
domingo, 18 de outubro de 2015
HÁ QUE MUDAR DE RUMO!
As eleições de 4 de outubro deixaram Portugal numa situação política complexa! Mais de 43% dos eleitores abstiveram-se, a coligação do governo ganhou as eleições com maioria relativa e o Partido Socialista ficou em segundo lugar.O Bloco de Esquerda foi a esquerda que mais subiu, certamente à custa do PS e do PCP.`Constata-se assim que a direita portuguesa ganhou as eleições após o pior governo de 40 anos de democracia! Pior para os trabalhadores, em particular os funcionários públicos, idosos reformados e desempregados, claro!Houve gente que ganhou com esta crise e com esta governação!Porém, desta vez a direita não pode governar a seu gosto, tendo que fazer compromissos com o PS.A possibilidade, mera hipótese, de um governo do PS com apoio parlamentar das esquerdas lançou a histeria geral dos comentadores mercenários e de alguma direita caceteira que ainda se lembra do susto que teve quando perdeu os seus privilégios outorgados pela ditadura!
Sendo o PS o partido charneira da situação atual, não deixa de ser dramática a sua situação,pois sendo forte, é também muito frágil, em particular a do seu atual líder que foi derrotado no sufrágio de outubro!
Mas, sendo altamente improvável qualquer governo do PS com apoio das outras esquerdas não deixa de ser curioso que as esquerdas em permanente guerra civil e sem qualquer convergência antes das eleições queiram agora viabilizar um governo minoritário e frágil do PS!
Não conhecendo neste momento a substancia dos debates havidos entre as cúpulas das esquerdas o observador exterior não pode deixar de se interrogar como é possível que as esquerdas portuguesas estivessem disponíveis para uma estratégia tão oportunista , tão pouco fundamentada e tão frágil que, mais cedo do que tarde,se viraria contra as próprias esquerdas.
Poderão dizer alguns: mas o importante é não deixar governar a direita!Sim é importante que a direita não acabe o desastre que começou!Haverá outras formas de o fazer sem cair numa armadilha que poderia vir reforçar a direita a curto prazo.A arma mais importante é ter uma maioria no parlamento e os trabalhadores vigilantes e mobilizados para impedir novos ataques aos serviços públicos e aos direitos dos trabalhadores sem se hipotecar uma governação de esquerda que teria toadas as condições para falhar!
Uma plataforma para uma governação das esquerdas deve ter por base não acordos entre cúpulas, feitos á pressa e cheios de silêncios e ambiguidades!Tais acordos devem ser transparentes, amplamente debatidos em assembleias, promovendo-se o diálogo, a reconciliação e as convergências nas bases militantes e populares!Pessoalmente e ao contrário de alguns amigos e companheiros de luta, nunca entenderia tal governo apressado, tendo por base o medo de algo e não propostas mobilizadoras para um futuro!Para mim as esquerdas não podem funcionar como as direitas!As práticas políticas devem ser diferentes!0s trabalhadores e os cidadãos em geral são atores políticos e não meras sombras e marionetes!
terça-feira, 29 de setembro de 2015
DIREITOS DOS TRABALHADORES DESTACADOS!
Acaba de ser disponibilizado no Portal da ACT o guia
prático intitulado «Mobilidade Transnacional de Trabalhadores e Empresas» que
tem como objetivo apoiar as empresas e trabalhadores na interpretação e
aplicação prática da «Diretiva destacamento» no quadro da prestação de serviços
em território da UE e EEE.
Mais do que nunca é necessário estar atento a este tipo de trabalho para se garantirem todos os direitos de quem vai ser ou está destacado no estrangeiro ou quem veio destacado para Portugal.VER
terça-feira, 15 de setembro de 2015
SINDICALISMO, TERRITÓRIO E DESENVOLVIMENTO!
No
quadro do debate preparatório do próximo Congresso da CGTP importa debater
questões que possam influenciar e melhorar a prática sindical e a estratégia
geral das organizações de trabalhadores
Temos
neste caso uma questão que poderia denominar de participação das organizações
sindicais nas políticas locais e regionais de desenvolvimento.
Esta
participação sob ponto de vista sindical não só se justifica como deve ser
trabalhada e perspetivada pelas estruturas sindicais regionais, as uniões
sindicais. Todavia, por vários motivos, estas estruturas perderam muita
vitalidade nas últimas décadas, não se sabendo muito bem para que servem hoje.
Ora, a
participação sindical nos locais de decisão regional é hoje fundamental. A
qualidade de vida dos trabalhadores, nomeadamente no que respeita às questões
económicas, sociais e ambientais passam em vários aspetos pelo local ou
regional. Quando uma empresa nacional, e em particular multinacional, resolve
instalar-se numa determinada região não podem ser considerados apenas os
interesses dos proprietários e acionistas dessa empresa. Também devem ser
considerados os interesses dos respetivos trabalhadores e população local ou
comunidade.
No
entanto, para que a participação sindical tenha eficácia o movimento sindical
deveria apostar nas seguintes questões:
A
primeira seria rever todas as instâncias participativas onde as organizações
sindicais têm assento. Há instâncias que estão vazias de sentido ou onde a voz
sindical é apenas formalmente ouvida. Isto partindo do princípio de que não há
dúvidas quanto a esta participação, sempre articulada com as outras formas de
ação sindical. A vida dos trabalhadores não se resume à questão salarial,
condições de trabalho e horários. Todas as dimensões da vida do trabalhador
enquanto cidadão dizem respeito ao sindicato.
Que fazer ás uniões sindicais?
Que fazer ás uniões sindicais?
A
segunda questão tem a ver com a necessidade de repensar a dimensão da
organização territorial do sindicalismo, nomeadamente o papel das uniões
sindicais. Sei que para muitos sindicalistas que são simultaneamente militantes
partidários, os problemas territoriais ficam para os partidos. Eles, por sua
vez, ora são sindicalistas ora são dirigentes partidários. Tenho a sensação de
que não sabemos bem qual o papel das uniões sindicais distritais no atual
momento.
Penso
que seria importante fazer uma reflexão sobre esta questão. Hoje apesar das
tecnologias de informação a maioria das empresas ainda é localizada, os
trabalhadores residem em locais, por vezes não muito longe da empresa. Os desempregados,
por outro lado não têm local de trabalho, mas têm uma residência. Muitos nem
dinheiro têm para se deslocarem ao centro do emprego quanto mais ao sindicato
que fica longe. A base sindical territorial poderia ajudar na mobilização dos
desempregados, nos precários e na influência sobre as políticas educativas,
ambientais e de qualidade de vida.
Mas
para dar efetiva eficácia à participação sindical regional e local seria
necessário também não apenas saber o que fazer mas também com quem, ou seja com
que serviços. A base territorial do sindicato seria um excelente espaço para a
aliança com os técnicos sociais e investigadores. A participação sindical deve
ser de qualidade técnica e política. Sabemos que não é fácil o sindicalista
acumular estas duas valências. As uniões, ou entidades semelhantes, seriam
excelentes espaços de mobilização e de prestação de serviços aos trabalhadores
no ativo, aos desempregados e aos reformados.Urge assim renovar o papel das uniões sindicais ou regiões sindicais e dar uma outra imagem ás mesmas!
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