quinta-feira, 6 de agosto de 2015

O PAPEL DA ERGONOMIA NAS MUDANÇAS NO TRABALHO!

A prestigiada Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, editada pela Fundacentro, dedica o dossier do nº 131 à Ergonomia no trabalho.No seu editorial podemos ler:«As mudanças nas formas de organização, relações de trabalho, gestão da produção e das empresas e reorganização das cadeias de fornecedores, associadas a mudanças no cenário político nos anos de 1990, após a queda do muro de Berlim, influenciaram sobremaneira as condições de trabalho, impactando negativamente a saúde dos trabalhadores . 
Assistimos no mundo do trabalho ao surgimento de diversas formas de violência e de desrespeito aos limites humanos, as quais resultaram no aumento epidêmico de problemas musculo-esqueléticos e de saúde mental, na ocorrência cada vez mais frequente de suicídios, além da manutenção dos problemas tradicionais associados ao ruído, à exposição de agentes químicos, dentre outros. A intensificação do trabalho e a precarização das condições de trabalho dão o tom da exploração do capitalismo atual.»VER

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

CONGRESSO DA CGTP: velhos problemas ,novos desafios!

Em 2016 temos Congresso da CGTP. São tempos bons para debater aspetos importantes do sindicalismo e das práticas sindicais! Entre os vários problemas do nosso sindicalismo destaco quatro neste comentário necessariamente breve e centrado em particular na CGTP.
O primeiro problema é a sobrevalorização do político. Esta situação decorre da própria História da CGTP e da tradição sindical portuguesa e latina. Esta perspetiva sobrevaloriza a luta contra os governos ou o poder político, colocando como objetivo máximo, no caso da CGTP, o derrube dos mesmos. Ora, o movimento sindical luta em primeiro lugar contra a exploração laboral no quadro de uma economia capitalista em que o trabalho está submetido á lógica do mercado e do capital!
Esta luta contra os governos em primeiro lugar por parte da CGTP reduz a sua base de apoio e evoca a luta partidária! Esta luta política partidária é, por vezes, tão intensa que coloca militantes sindicais contra militantes sindicais. Uns defendem o governo e os outros atacam o governo. Por vezes, o discurso e slogans dos sindicalistas assemelham-se ao discurso e slogans partidários! Os ativistas com pouca formação consideram estas práticas como boas porque não precisam de pensar. Ora, um sindicalismo que não pensa cai na rotina e na manipulação de imagens e símbolos.
Na UGT existe algo diferente, embora para pior. Nesta organização existe o discurso de conivência com os governos e patrões e, de certo modo, sobrevaloriza igualmente o político, a negociação com o poder.

A desvalorização da ação internacional

O segundo problema na CGTP é a desvalorização da ação internacional em tempos de globalização. Hoje perante os desafios da globalização injusta e desigual comandada por um capitalismo que tem visão planetária urge um sindicalismo com uma forte visão e ação sindical internacional. A CGTP continua a defender nos dias de hoje a não filiação na Confederação Sindical Internacional.
Sem descurar a organização e ação de base nacional, onde as organizações sindicais têm raízes, o sindicalismo nas suas diferentes correntes tem que encontrar as vias para uma ação internacional competente e eficaz que, sendo necessário, afete os interesses dos acionistas. As federações sindicais europeias e mundiais poderão aqui desempenhar um novo e relevante papel. Urge também evoluir no campo do direito internacional e pressionar para impor o direito à greve para além das fronteiras nacionais.
Um terceiro problema ou desafio é a necessidade de fortalecer de forma criativa o sindicalismo nos locais de trabalho sem o que se perderá a essência da ação sindical. A vida sindical vive e fortalece-se na base, na empresa ou onde estão os trabalhadores. Há que superar as divergências sindicais e políticas para refazer os coletivos de trabalhadores que foram destruídos pelas novas formas de gestão do capitalismo e pela revolução tecnológica. A ação partidária nos sindicatos pode levar à asfixia completa do sindicalismo. Em alguns locais a confusão entre ações partidárias e sindicais é total. A ação sindical é claramente um meio de militância partidária e eleitoral! Os trabalhadores afastam-se da participação sindical.

Questão da Unidade

Um quarto problema é a questão da unidade. Nota-se que alguns ativistas têm uma noção religiosa da unidade sindical. Gritam «Unidade Sindical» sempre que podem mas pouco fazem para agir em unidade nos tempos atuais. A unidade sindical ultrapassa a unidade entre as correntes sindicais historicamente existentes e extravasa as confederações constituídas. Os esforços para a unidade devem ser realizados na ação. Porém, se não debatermos e aceitarmos, e até valorizarmos, as diferenças e divergências jamais avançaremos para novos patamares de unidade nacional e internacional tão urgentes e necessários na luta contra esta economia que mata.Em determinados momentos da História temos que valorizar o que nos une e desvalorizar tudo o que nos divide!Os ganhos serão muitos para todas as partes!

sexta-feira, 31 de julho de 2015

SAIBA UTILIZAR OS PESTICIDAS, NÃO ARRISQUE!

Os pesticidas detêm uma posição única entre os muitos produtos químicos com que diariamente o homem se defronta.
De facto, eles são deliberadamente introduzidos num determinado ambiente, com a finalidade objetiva de limitar uma dada forma de vida. Infelizmente, esta ação não é dotada de uma especificidade seletiva que abranja apenas os seres indesejáveis e, assim, outras formas de vida são afetadas, incluindo o próprio homem, em particular os que manuseiam estes produtos.
No seu portal a ACT disponibilizou um manual de 15 páginas, escrito em linguagem simples e objetiva que pode ajudar os agricultores e trabalhadores rurais ou qualquer outra pessoa que utilize estes produtos químicos.VER

terça-feira, 28 de julho de 2015

O PODER DOS TRABALHADORES!

No próximo mês de fevereiro vamos ter o XIII Congresso da CGTP, a histórica central sindical
portuguesa! Será que vai ser avaliado o mandato desta direção coordenada pelo Arménio Carlos, o secretário- geral que assumiu a liderança da Intersindical, após décadas de Carvalho da Silva?
O debate interno já começou na Central sindical e tudo indica que vamos ter um congresso relativamente pacífico, mas realizado num dos períodos mais complexos e difíceis da História dos trabalhadores portugueses e europeus!
Temos uma Europa em estagnação económica, com o diálogo social em estilhaços e com uma forte desvalorização salarial, perda de direitos sociais e ataques aos serviços públicos. Tudo num quadro de forte ataque ideológico da direita europeia e de uma social -democracia sem rumo!
O processo grego adensou ainda mais o sentimento de impotência das forças de esquerda e do movimento social face às políticas de austeridade! A esquerda tem dificuldade em fazer passar as suas mensagens e em certos países dissolve-se ou pulveriza-se numa constelação de «egos», cada um afirmando que são o caminho verdadeiro ou a solução necessária!
Neste contexto vemos uma UGT cada vez mais calada e remetida à sua insolvência, particularmente agravada em tempos em que nada se negoceia nos corredores da concertação! Vemos uma CGTP em manifestação constante, mobilizando os ativistas sindicais e procurando um discurso para uma larga massa de trabalhadores passivos com medo do desemprego e corroídos pela precariedade. Precariedade que alastra colocando em xeque o modelo tradicional de relações laborais europeu que aceitava e legitimava um certo poder dos trabalhadores num esquema de cogestão, com alguma distribuição da riqueza por quem trabalha, nomeadamente férias pagas e contratação coletiva, subsídio de Natal e algum poder de informação e participação nas empresas.
Este modelo está sob forte ataque em nome da competitividade e da globalização! Globalização que tem beneficiado em particular o capital e a sua circulação estonteante colocando como serviçais os próprios estados e povos através da desregulação das relações do trabalho e da gestão da dívida permanente e infinita! O pouco poder dos trabalhadores europeus está a ser esvaziado! O Movimento sindical europeu parece um náufrago à procura de uma tábua de salvação!
Perante esta situação não basta gritar por mais Europa ou por um Portugal soberano fora do euro! Há que ver a realidade com realismo e procurar inverter a situação. Voltarei ao tema certamente….


segunda-feira, 27 de julho de 2015

O CAPITALISMO SUBCONTRATA OS RISCOS PROFISSIONAIS!

Ao nível da produção a economia capitalista, em particular em alguns setores da indústria, vai automatizando o máximo das operações, evitando assim alguns riscos tradicionais do trabalho. 
Mas o mesmo movimento de automatização é acompanhado por um outro que é a subcontratação de aspetos importantes como a manutenção e as limpezas onde efetivamente existem mais e maiores riscos profissionais.
Assim a grande indústria, dominada pelas multinacionais, ao subcontratarem as operações com maior risco acabam por subcontratar os riscos. Todavia, ao esmagarem os preços nos contratos que fazem para as operações de limpeza e manutenção contribuem de forma objetiva para a degradação das condições de trabalho das empresas subcontratadas.Na grande agricultura existe o mesmo fenómeno.As explorações agrícolas contratam empreiteiros que, por sua vez, contratam trabalhadores, muitos deles imigrantes, em condições de trabalho deploráveis!Nesta operação as grandes empresas agrícolas subcontratam igualmente os riscos profissionais!
Em resumo, e ao contrário do que se afirma em muitos colóquios acríticos, as estratégias do grande capital em relação á segurança e saúde no trabalho não passa por um maior investimento para aumentar o bem -estar dos trabalhadores! No fundo a estratégia passa por automatizar e diminuir o número de trabalhadores, subcontratando o mais possível para externalizar os riscos para as subcontratadas!

Neste campo, e em particular na construção civil e agricultura, é importante melhorar a legislação para responsabilizar de forma mais rigorosa as empresas que são «dono de obra» melhorando  e reforçando as coimas e a responsabilização de todos os intervenientes.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

NEGOCIAÇÃO COLETIVA E SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO-no Brasil!

«A negociação coletiva é um processo político, no qual a disputa de interesses, de valores e visões de mundo permeiam todas as etapas, de forma que, seu resultado, dependerá da correlação de forças entre os diferentes atores sociais envolvidos. Por sua vez, este processo terá influência direta do contexto político e econômico, dos aparatos legais existentes, assim como das mobilizações dos trabalhadores.»VER 

quarta-feira, 22 de julho de 2015

A GRÉCIA, O PAPA FRANCISCO!

Nas últimas semanas o ocorreram dois acontecimentos no mundo de grande importância social e política. Por um lado a assinatura pelo governo grego de um acordo com o Eurogrupo e, por outro, a visita do papa Francisco aos países mais pobres da América Latina, nomeadamente à Bolívia onde participou num Encontro dos Movimentos Sociais e Populares!
Relativamente à primeira questão, a Grécia, muito se falou e continua a falar, enquanto da segunda muito pouco se falou e escreveu em Portugal! Este Papa tem um discurso que cria alergias em largos setores da Igreja portuguesa e europeia; fala a partir do olhar das periferias do interior de cada país e dos continentes! Mas, uma andorinha não faz a Primavera e se a palavra/praxis deste Papa não mobilizar outros setores da Igreja católica, mobilizando mais cristãos em todo o mundo para a luta contra esta economia predadora do capitalismo atual, de muito pouco valerá o esforço de Francisco! A recente encíclica é um documento altamente mobilizador para essa luta, em defesa da terra mãe e do homem todo e de todos os homens, construindo um mundo sem excluídos e oprimidos!
Relativamente à cena grega sou dos que não condena o primeiro- ministro nem o Syriza! Com maior ou menor competência tentaram e tentam encontrar outro caminho para a União Europeia e para o seu país, utilizando os instrumentos democráticos! Não raras vezes a voz popular é contraditória! Mas o respeito pela vontade popular nunca esteve em causa na minha opinião!
Pelo contrário, os outros membros do Euro nunca fizeram qualquer esforço para negociar com o governo grego e avespinharam-se com a convocatória do referendo! Estiveram e estão perfeitamente organizados com uma vontade comum de esmagar qualquer alternativa do tipo syriza! Foi afirmado de forma clara que, neste momento, no euro existe uma só moeda, uma só voz, uma só política! A política da austeridade ao serviço dos banqueiros e acionistas! Com algumas pequenas diferenças entre socialistas e conservadores, é verdade! A realidade não é a preto e branco e em política são importantes as diferenças e nuances!

Neste sentido, e como principal lição a retirar para já do caso grego, é que as forças europeias que lutam por políticas que não cortem direitos dos trabalhadores e pensionistas e criem emprego de qualidade precisam de ser reforçadas! Os sindicatos são uma destas forças…mas tiveram um papel bem apagado!!