«A negociação
coletiva é um processo político, no qual a disputa de interesses, de valores e
visões de mundo permeiam todas as etapas, de forma que, seu resultado,
dependerá da correlação de forças entre os diferentes atores sociais
envolvidos. Por sua vez, este processo terá influência direta do contexto
político e econômico, dos aparatos legais existentes, assim como das mobilizações
dos trabalhadores.»VER Este é um blog para comunicar com todos os que se preocupam com a promoção da segurança e saúde no trabalho em Portugal , na Europa e no Mundo. Trabalho há 25 anos nas questões de segurança e saúde no trabalho, particularmente nas área da comunicação social. Espero que outros escrevam para este blog, não apenas comentários a artigos que aqui apareçam mas também textos de opinião, chamadas de atenção para factos importantes,opiniões sobre política de prevenção, saúde e segurança.
sexta-feira, 24 de julho de 2015
NEGOCIAÇÃO COLETIVA E SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO-no Brasil!
«A negociação
coletiva é um processo político, no qual a disputa de interesses, de valores e
visões de mundo permeiam todas as etapas, de forma que, seu resultado,
dependerá da correlação de forças entre os diferentes atores sociais
envolvidos. Por sua vez, este processo terá influência direta do contexto
político e econômico, dos aparatos legais existentes, assim como das mobilizações
dos trabalhadores.»VER quarta-feira, 22 de julho de 2015
A GRÉCIA, O PAPA FRANCISCO!
Nas últimas
semanas o ocorreram dois acontecimentos no mundo de grande importância social e
política. Por um lado a assinatura pelo governo grego de um acordo com o Eurogrupo
e, por outro, a visita do papa Francisco aos países mais pobres da América Latina,
nomeadamente à Bolívia onde participou num Encontro dos Movimentos Sociais e
Populares!
Relativamente à primeira questão, a Grécia, muito se falou e continua a falar, enquanto da
segunda muito pouco se falou e escreveu em Portugal! Este Papa tem um discurso
que cria alergias em largos setores da Igreja portuguesa e europeia; fala a
partir do olhar das periferias do interior de cada país e dos continentes! Mas,
uma andorinha não faz a Primavera e se a palavra/praxis deste Papa não
mobilizar outros setores da Igreja católica, mobilizando mais cristãos em todo
o mundo para a luta contra esta economia predadora do capitalismo atual, de
muito pouco valerá o esforço de Francisco! A recente encíclica é um documento
altamente mobilizador para essa luta, em defesa da terra mãe e do homem todo e
de todos os homens, construindo um mundo sem excluídos e oprimidos!
Relativamente à
cena grega sou dos que não condena o primeiro- ministro nem o Syriza! Com maior
ou menor competência tentaram e tentam encontrar outro caminho para a União
Europeia e para o seu país, utilizando os instrumentos democráticos! Não raras
vezes a voz popular é contraditória! Mas o respeito pela vontade popular nunca esteve
em causa na minha opinião!
Pelo contrário,
os outros membros do Euro nunca fizeram qualquer esforço para negociar com o
governo grego e avespinharam-se com a convocatória do referendo! Estiveram e
estão perfeitamente organizados com uma vontade comum de esmagar qualquer
alternativa do tipo syriza! Foi afirmado de forma clara que, neste momento, no
euro existe uma só moeda, uma só voz, uma só política! A política da
austeridade ao serviço dos banqueiros e acionistas! Com algumas pequenas diferenças
entre socialistas e conservadores, é verdade! A realidade não é a preto e branco
e em política são importantes as diferenças e nuances!
Neste sentido, e
como principal lição a retirar para já do caso grego, é que as forças europeias
que lutam por políticas que não cortem direitos dos trabalhadores e
pensionistas e criem emprego de qualidade precisam de ser reforçadas! Os
sindicatos são uma destas forças…mas tiveram um papel bem apagado!!
segunda-feira, 20 de julho de 2015
AÇÃO DISSUASORA DA INSPEÇÃO DO TRABALHO!
Entre os
muitos e complexos problemas que se colocam hoje às inspeções do trabalho
encontramos um que não é de fácil solução. Trata-se da sua capacidade
dissuasora, isto é, agindo de tal modo com eficácia que impõe respeito e pouca
vontade de prevaricar no domínio das condições de trabalho, nomeadamente das
condições de segurança e saúde no trabalho. Digo respeito e não medo! O medo é
fruto do arbítrio e da falta de transparência, próprios da ditadura. Falo do
respeito pela lei democrática, pelas regras que existem para a defesa dos
direitos e deveres de cada um.
Ora, a
nossa inspeção do trabalho, a ACT, está hoje fortemente manietada por diversos
fatores externos e internos. Lembremos alguns externos e temos logo em primeiro
lugar a justiça laboral, com destaque para a lei e o funcionamento dos
tribunais. Existem processos que se arrastam durante anos sem solução á vista.
Por outro lado a lei está de tal modo fabricada que protege por vezes mais o
prevaricador do que a vítima. Quantos empregadores foram presos em processos de
acidentes mortais de trabalho? Não conheço! Mesmo em casos graves são
absolvidos! Hoje as grandes empresas com bons advogados nos processos ganham
uma grande maioria dos mesmos!
Por
outro lado, em determinadas circunstancias pagar as coimas ou ir para tribunal
compensa. Há setores que, fazendo contas, preferem não pagar as horas de
trabalho extra mesmo que, porventura, venham a pagar umas coimas pelo meio. Ou
seja, prevaricar pode compensar sob ponto de vista financeiro.
Sob
ponto de vista dos fatores internos à inspeção do trabalho, nomeadamente á ACT,
temos os cortes orçamentais e a diminuição de trabalhadores e de capacidade
técnica e de experiência, bem como as orientações no sentido de se implementarem
mais as notificações para as tomadas de medidas do que para os autos de
notícia. As práticas inspetivas vão muito no sentido da informação e da
pedagogia, enfim, do aconselhamento da autoregulamentação. É mau? Pode não ser!
Todavia, se esta tendência é sobrevalorizada a inspeção perde o efeito
dissuasor! Perdem-lhe o respeito e, num contexto de grande desregulamentação,
tal atitude é um convite à fuga aos deveres e ao cumprimento das obrigações
patronais e desrespeito dos direitos dos trabalhadores!
-
sexta-feira, 17 de julho de 2015
UM PAÍS DE PRISIONEIROS?
Recentes notícias
davam como certo que os portugueses trabalhavam em média mais 40 horas por mês
do que os alemães! Outras notícias lembram-nos que os nossos alunos do
secundário, e até as crianças dos infantários, passam demasiadas horas nas escolas
e creches. Por outro lado, as nossas prisões estão superlotadas! Ou seja, o
nosso País assemelha-se a uma grande prisão ou campo de concentração!
Retirando
os reformados, embora muitos estejam também encafuados em lares miseráveis, toda
a gente em Portugal está demasiado tempo presa! E porquê? Acaso temos uma alta
produtividade? Não! Então valerá a pena estar tanto tempo preso no trabalho? Acaso
temos altos níveis de sucesso escolar? Não! Então valerá a pena estar tantas
horas na escola? Por acaso o crime está a diminuir em Portugal? Não! Então
valerá a pena meter tanta gente na cadeia?
Para além de que
não valerá a pena este caminho, de prender os portugueses, temos dados que
apontam Portugal como um País com altos níveis de consumo de fármacos, de
depressões, de stressados e de divorciados! Será necessário repensar este
estilo de vida que a elite politica e o sistema económico de trabalho barato e
longos horários imprimem á nossa vida! O ajustamento imposto pela Troika
insistiu nestes males como remédio para curar a nossa economia. A situação
piorou como é visível!
Do que precisamos é de uma economia onde as pessoas
sejam reconhecidas e recompensadas pelo esforço que fazem, os jovens, em
particular os mais qualificados, possam ficar nas nossas empresas! Uma energia
mais barata e uma burocracia simplificada. E, muito importante, uma democracia
que funcione sem corrupção, com mecanismos de controlo democrático dos
cidadãos!
quarta-feira, 15 de julho de 2015
GUIA PARA COMBATER O ESGOTAMENTO PROFISSIONAL!
Dando continuidade
ao trabalho de prevenção dos riscos psicossociais a Direção Geral do Trabalho
de França desenvolveu, em conjunto com outras entidades, um interessante guia de
combate ao bournout (esgotamento profissional), consequências e formas de o
prevenir nos locais de trabalho públicos e privados, nomeadamente os meios e
ações coletivas e individuais a operacionalizar para agir sobre os fatores de
risco. VER em francêsterça-feira, 14 de julho de 2015
A NANOTECNOLOGIA EM BANDA DESENHADA!
«Nanotecnologia: um universo em construção» é uma brochura da Fundacentro, Brasil, que explica em banda desenhada o que são as nanotecnologias e os riscos que podem colocar aos trabalhadores!Um trabalho muito interessante que pode informar, em particular o público jovem, sobre matérias complexas de segurança no trabalho.A Fundacentro é o organismo governamental, paritário, que tem a seu cargo a aplicação das políticas de promoção da segurança e saúde dos trabalhadores.VER
segunda-feira, 13 de julho de 2015
O PODER DOS TÉCNICOS DE SEGURANÇA
«Na perceção dos Técnicos de Segurança o seu trabalho é caracterizado por limitações
constantes no exercício de suas atividades e por conflitos com os diferentes
níveis hierárquicos das empresas. O desvio de função foi apontado como prática
corrente, com destaque para atividades administrativas e vigilância
patrimonial.
Os aspetos identificados como determinantes dessa situação foram:
priorização, pelas empresas, da produção em detrimento da prevenção; inserção
frágil do Técnico na política de segurança das empresas; atuação conflituosa
por sua posição intermediária entre trabalhadores e gestores; ausência de
proteção contra despedida desmotivada; predominância da abordagem
comportamental de segurança nas empresas e entre os próprios Técnicos. Essas
limitações e constrangimentos foram apontados como prejudiciais ao
desenvolvimento de ações preventivas e como causa de sofrimento mental e
adoecimento desses trabalhadores.» Revista Brasileira de Saúde OcupacionalVER
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