segunda-feira, 20 de julho de 2015

AÇÃO DISSUASORA DA INSPEÇÃO DO TRABALHO!

Entre os muitos e complexos problemas que se colocam hoje às inspeções do trabalho
encontramos um que não é de fácil solução. Trata-se da sua capacidade dissuasora, isto é, agindo de tal modo com eficácia que impõe respeito e pouca vontade de prevaricar no domínio das condições de trabalho, nomeadamente das condições de segurança e saúde no trabalho. Digo respeito e não medo! O medo é fruto do arbítrio e da falta de transparência, próprios da ditadura. Falo do respeito pela lei democrática, pelas regras que existem para a defesa dos direitos e deveres de cada um.
Ora, a nossa inspeção do trabalho, a ACT, está hoje fortemente manietada por diversos fatores externos e internos. Lembremos alguns externos e temos logo em primeiro lugar a justiça laboral, com destaque para a lei e o funcionamento dos tribunais. Existem processos que se arrastam durante anos sem solução á vista. Por outro lado a lei está de tal modo fabricada que protege por vezes mais o prevaricador do que a vítima. Quantos empregadores foram presos em processos de acidentes mortais de trabalho? Não conheço! Mesmo em casos graves são absolvidos! Hoje as grandes empresas com bons advogados nos processos ganham uma grande maioria dos mesmos!
Por outro lado, em determinadas circunstancias pagar as coimas ou ir para tribunal compensa. Há setores que, fazendo contas, preferem não pagar as horas de trabalho extra mesmo que, porventura, venham a pagar umas coimas pelo meio. Ou seja, prevaricar pode compensar sob ponto de vista financeiro.
Sob ponto de vista dos fatores internos à inspeção do trabalho, nomeadamente á ACT, temos os cortes orçamentais e a diminuição de trabalhadores e de capacidade técnica e de experiência, bem como as orientações no sentido de se implementarem mais as notificações para as tomadas de medidas do que para os autos de notícia. As práticas inspetivas vão muito no sentido da informação e da pedagogia, enfim, do aconselhamento da autoregulamentação. É mau? Pode não ser! Todavia, se esta tendência é sobrevalorizada a inspeção perde o efeito dissuasor! Perdem-lhe o respeito e, num contexto de grande desregulamentação, tal atitude é um convite à fuga aos deveres e ao cumprimento das obrigações patronais e desrespeito dos direitos dos trabalhadores!

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sexta-feira, 17 de julho de 2015

UM PAÍS DE PRISIONEIROS?

Recentes notícias davam como certo que os portugueses trabalhavam em média mais 40 horas por mês do que os alemães! Outras notícias lembram-nos que os nossos alunos do secundário, e até as crianças dos infantários, passam demasiadas horas nas escolas e creches. Por outro lado, as nossas prisões estão superlotadas! Ou seja, o nosso País assemelha-se a uma grande prisão ou campo de concentração! 
Retirando os reformados, embora muitos estejam também encafuados em lares miseráveis, toda a gente em Portugal está demasiado tempo presa! E porquê? Acaso temos uma alta produtividade? Não! Então valerá a pena estar tanto tempo preso no trabalho? Acaso temos altos níveis de sucesso escolar? Não! Então valerá a pena estar tantas horas na escola? Por acaso o crime está a diminuir em Portugal? Não! Então valerá a pena meter tanta gente na cadeia?

Para além de que não valerá a pena este caminho, de prender os portugueses, temos dados que apontam Portugal como um País com altos níveis de consumo de fármacos, de depressões, de stressados e de divorciados! Será necessário repensar este estilo de vida que a elite politica e o sistema económico de trabalho barato e longos horários imprimem á nossa vida! O ajustamento imposto pela Troika insistiu nestes males como remédio para curar a nossa economia. A situação piorou como é visível!
 Do que precisamos é de uma economia onde as pessoas sejam reconhecidas e recompensadas pelo esforço que fazem, os jovens, em particular os mais qualificados, possam ficar nas nossas empresas! Uma energia mais barata e uma burocracia simplificada. E, muito importante, uma democracia que funcione sem corrupção, com mecanismos de controlo democrático dos cidadãos!

quarta-feira, 15 de julho de 2015

GUIA PARA COMBATER O ESGOTAMENTO PROFISSIONAL!

Dando continuidade ao trabalho de prevenção dos riscos psicossociais a Direção Geral do Trabalho de França desenvolveu, em conjunto com outras entidades, um interessante guia de combate ao bournout (esgotamento profissional), consequências e formas de o prevenir nos locais de trabalho públicos e privados, nomeadamente os meios e ações coletivas e individuais a operacionalizar para agir sobre os fatores de risco. VER em francês

terça-feira, 14 de julho de 2015

A NANOTECNOLOGIA EM BANDA DESENHADA!

«Nanotecnologia: um universo em construção» é uma brochura da Fundacentro, Brasil, que explica em banda desenhada o que são as nanotecnologias e os riscos que podem colocar aos trabalhadores!Um trabalho muito interessante  que pode informar, em particular o público jovem, sobre matérias complexas de segurança no trabalho.
A Fundacentro é o organismo governamental, paritário, que tem a seu cargo a aplicação das políticas de promoção da segurança e saúde dos trabalhadores.VER

segunda-feira, 13 de julho de 2015

O PODER DOS TÉCNICOS DE SEGURANÇA

«Na perceção dos Técnicos de Segurança o seu trabalho é caracterizado por limitações constantes no exercício de suas atividades e por conflitos com os diferentes níveis hierárquicos das empresas. O desvio de função foi apontado como prática corrente, com destaque para atividades administrativas e vigilância patrimonial. 

Os aspetos identificados como determinantes dessa situação foram: priorização, pelas empresas, da produção em detrimento da prevenção; inserção frágil do Técnico na política de segurança das empresas; atuação conflituosa por sua posição intermediária entre trabalhadores e gestores; ausência de proteção contra despedida desmotivada; predominância da abordagem comportamental de segurança nas empresas e entre os próprios Técnicos. Essas limitações e constrangimentos foram apontados como prejudiciais ao desenvolvimento de ações preventivas e como causa de sofrimento mental e adoecimento desses trabalhadores.» Revista Brasileira de Saúde OcupacionalVER

quinta-feira, 9 de julho de 2015

MILHARES DE TRABALHADORES SEM VIGILÃNCIA DA SAÚDE!

Há mais de um ano foi publicada a Portaria nº112/2014 de 23 de maio que pretendia regular a prestação de cuidados de saúde primários do trabalho através dos Agrupamentos de centros de saúde (ACES) visando assegurar a promoção e vigilância da saúde a grupos de trabalhadores específicos de acordo com o previsto no regime jurídico da promoção da segurança e saúde dos trabalhadores. 
Quem são esses trabalhadores? São os trabalhadores independentes, agrícolas sazonais e a termo, aprendizes ao serviço de um artesão, trabalhadores do serviço doméstico, pescadores e, enfim, trabalhadores de microempresas que não exerçam atividade de risco elevado.
Ora, esta realidade no nosso País significa centenas de milhares de trabalhadores cuja promoção e vigilância da saúde ficariam asseguradas pelo Serviço Nacional de Saúde. Digo: «ficariam» porque efetivamente, e apesar deste diploma, não ficaram! Pouco ou nada se fez neste sentido. Não se realizou formação e preparação de médicos e enfermeiros do trabalho para assegurarem estas funções nos centros de saúde! O governo sabia que seria assim pois nem conseguia médico de família para todos os portugueses como poderia abrir uma nova frente do SNS, ou seja, capacitar aqueles centros com os recursos humanos e técnicos para a vigilância da saúde no trabalho! Aliás, a Ordem dos Médicos contestou esta Portaria porque não teria pés para andar! Mais um «Faz de Conta» legislativo para «inglês ver», matéria onde, de facto, este governo é exímio e em geral a nossa tradição política!
Mas esta malfeitoria do governo não surpreende! Agora surpreende-me que os parceiros sociais e, em especial os sindicatos, estejam calados sobre a matéria!

segunda-feira, 6 de julho de 2015

INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÂO DE RISCOS PSICOSSOCIAIS!

Foram disponibilizadas no Portal da ACT listas de verificação relacionadas com os riscos psicossociais, nomeadamente o stresse, assédio moral e violência no trabalho.Utilize estas listas para verificar a sua situação e a da sua empresa.
No mesmo menu são igualmente disponibilizados instrumentos de avaliação de riscos em várias atividades, editados pela Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho.VER