«Este
guia é um instrumento de apoio que visa, de uma forma simples, ajudar a identificar
situações de assédio e servir de inspiração à construção de procedimentos de
prevenção e combate deste tipo de fenómenos nos locais de trabalho, o que só
poderá ser conseguido, na prática, com o empenho e a concertação entre os
representantes da entidade empregadora, pública ou privada, e os representantes
dos trabalhadores e trabalhadoras que, em conjunto, devem, sempre que possível,
envolver nesta causa os serviços de segurança e saúde no trabalho....»VEREste é um blog para comunicar com todos os que se preocupam com a promoção da segurança e saúde no trabalho em Portugal , na Europa e no Mundo. Trabalho há 25 anos nas questões de segurança e saúde no trabalho, particularmente nas área da comunicação social. Espero que outros escrevam para este blog, não apenas comentários a artigos que aqui apareçam mas também textos de opinião, chamadas de atenção para factos importantes,opiniões sobre política de prevenção, saúde e segurança.
segunda-feira, 1 de junho de 2015
GUIA PARA COMBATER O ASSÉDIO MORAL NO TRABALHO!
«Este
guia é um instrumento de apoio que visa, de uma forma simples, ajudar a identificar
situações de assédio e servir de inspiração à construção de procedimentos de
prevenção e combate deste tipo de fenómenos nos locais de trabalho, o que só
poderá ser conseguido, na prática, com o empenho e a concertação entre os
representantes da entidade empregadora, pública ou privada, e os representantes
dos trabalhadores e trabalhadoras que, em conjunto, devem, sempre que possível,
envolver nesta causa os serviços de segurança e saúde no trabalho....»VERsexta-feira, 29 de maio de 2015
O TRABALHO MATA-LHES O CORPO!
Francisco Queirós Chamava-se Saramago , mas não era escritor .
Teve um momento defama nos jornais e televisões , mas pelos piores motivos.
Desta fama não queriam provar os familiares e amigos . Joaquim Saramago Gomes
faleceu na terça-feira quando trabalhava nas Minas de Aljustrel.
A queda de 190
metros num silo da mina provocou a morte ao trabalhador alentejano de 48 anos,
dirigente desportivo do clube da sua terra, Grupo Desportivo de Odivelas, no
concelho de Ferreira do Alentejo.
No mesmo dia, 19 de Maio, um jardineiro da
Câmara do Porto morreu esmagado por uma grua quando procedia ao levantamento e
remoção de um velho plátano na Praça Marquês de Pombal. A grua tombou, incapaz
de erguer a velha árvore centenária de seis toneladas provocando a morte ao
funcionário da autarquia de 40 anos. Segundo números oficiais de 2013, 141
portugueses foram vítimas mortais em acidentes de trabalho.
O trabalho da construção
civil continua a ser o mais perigoso. Mas nas indústrias transformadoras e na
agricultura há muito quem, para ganhar o sustento diário, sofra acidentes
incapacitantes ou mortais. Em 2013, morreram a trabalhar neste país 12 pessoas
por mês. Portugal ocupava nesse ano o sétimo lugar entre os países da Europa
com mais acidentes de trabalho grave. O trabalho é um direito – gritam de
coração partido os desempregados deste país. Trabalho com direitos – exigem os
que trabalham. Recompensa digna e justa pelo que trabalharam – exigem
pensionistas e reformados. Morrer a ganhar o pão, que permite viver, é uma
tragédia que nunca devia ser possível.
Mas tal tragédia não será estranha às
condições crescentes de exploração de quem trabalha. À proliferação de formas
de trabalho precário, num quadro de elevado desemprego. À incúria de entidades
empregadoras, que com o agravamento da crise económica, regressam a práticas de
incumprimento das normas de Segurança e Saúde e Higiene no trabalho. Para
muitas destas entidades, a prevenção dos riscos profissionais é um custo a
reduzir ou eliminar, e seja o que Deus quiser… Acresce ainda, nesta onda
neoliberal do vale tudo até arrancar olhos, a imposição de horários de trabalho
excessivamente prolongados com ritmos acelerados de trabalho. Proliferam
práticas de controlo de pausas, de vigilância de idas a casas de banho entre
outras. Práticas de um controlo sobre os trabalhadores que são revoltantes,
arcaicas e que em nada contribuem para o aumento de produtividade e de produção.
Num país de mão-de-obra cada vez mais descartável, de uso rápido e substituível
no imediato e a baixo custo, há ainda falta de formação dos próprios
trabalhadores, mal preparados muitas vezes, conhecem insuficientemente o
trabalho e os respectivos riscos. E tudo assim indica, há uma insuficiente
fiscalização por parte das entidades competentes, nomeadamente a ACT,
paralisada ou diminuída na sua acção por ausência de recursos humanos e
materiais. “Oh minha mãe, minha mãe, oh minha mãe do trabalho, para quem
trabalho eu? O trabalho mata o meu corpo, não tenho nada de meu.” Mas muito
pior…O trabalho tira-lhes a vida. Joaquim, José, Maria, Saramago ou outros,
muitos outros.(jornal AS BEIRAS de 26 de maio de 2015)
quarta-feira, 27 de maio de 2015
INQUÉRITO ÀS CONDIÇÔES DO TRABALHO-para quando?
A ideia
de um inquérito às condições de trabalho em Portugal é uma ideia que foi
morrendo nos últimos anos! De objetivo prioritário na Estratégia Nacional para
a Segurança e Saúde no Trabalho passou a objetivo ignorado nos últimos tempos. Espera-se
que seja ressuscitado na próxima Estratégia Nacional 2015-2020 que está a ser
debatida com os patrões e sindicatos no âmbito da ACT.
Saber
com maior profundidade e seriedade quais as condições de trabalho dos
trabalhadores portugueses é fundamental para definir políticas no domínio da
segurança e saúde no trabalho! Políticas que não sejam propostas soltas e
unilaterais, consensos ocos, promessas não cumpridas! Políticas amplamente
debatidas e que sejam assumidas por quem governa!
Mas será
que as entidades oficiais, ou seja o Ministério da Solidariedade, os patrões e
os sindicatos representados no aparelho do Estado, estão muito convencidos da
bondade de um inquérito às condições de trabalho dos trabalhadores portugueses?
Duvido!
E duvido
porquê? Porque a força que têm vindo a fazer para que o mesmo se faça é
diminuta e porque é um projeto do qual pouco ou nada beneficiam de imediato. Cada
um pensa que sabe tudo das condições dos trabalhadores portugueses e, portanto,
não é de facto pertinente! Preferem a situação de dizerem umas banalidades de
seminário em seminário, aborrecendo os participantes com as suas lérias do
costume! Do patronato não haverá muito a esperar! Dos sindicatos espero muito
mais!
segunda-feira, 25 de maio de 2015
CAUSAS DOS ACIDENTES!QUEM FISCALIZA?
Nos últimos meses ocorreram pelo menos dois acidentes mortais em autarquias. Na semana passada foi a morte de um trabalhador da Câmara do Porto esmagado por uma parte de uma grua!
A ocorrência de acidentes de trabalho são um sinal de que existe algo que não está bem na empresa, é uma falha no sistema de trabalho que pode ter diversas causas. É sabido que os cortes financeiros na administração central e local estão a ter consequências várias, como menor manutenção dos equipamentos de trabalho, adiamento de aquisições de novos equipamentos, menor número de trabalhadores, menor investimento na área da promoção da segurança e saúde dos trabalhadores.
Agravando esta situação este governo retirou á ACT as competências de fiscalização das condições de trabalho na administração pública! Sentiu-se muito a falta desta fiscalização? Talvez não, no entanto, se a situação não era boa ficou pior atualmente, pois as inspeções dos ministérios não têm as devidas competências em matéria de segurança e saúde no trabalho!
Urge assim reivindicar com urgência uma medida legislativa que responsabilize a ACT pela fiscalização das condições de trabalho na Função pública, ou encontre outra solução competente para atingir o mesmo objetivo! O Governo não está a cumprir o normativo comunitário nem as convenções da OIT nesta matéria!
sexta-feira, 22 de maio de 2015
OS SINDICATOS E O DEBATE POLÍTICO
Numa
primeira leitura do projeto do programa eleitoral do Partido Socialista devo
dizer que vi muitas matérias que estão bem equacionadas e que será um caminho
diferente do escolhido pela maioria de direita atualmente no poder! Onde está o
calcanhar de Aquiles é, sem dúvida, na questão do trabalho que é pouco
trabalhada. O Trabalho, para além de uma questão fraturante, onde, por vezes,
convém esconder o jogo, é infelizmente o parente pobre dos programas dos
partidos sociais – democratas e socialistas. A onda liberal que atravessa a
maioria destes partidos vai corroendo a matriz trabalhista dos mesmos.
O que se
sabe do documento dos economistas que estudaram os cenários para uma governação
PS não pode deixar ninguém sossegado em particular no que respeita às propostas
para a TSU e para o combate á precariedade! E sobre o que este governo e a
troika fizeram ao Código do Trabalho? Nada é dito? A contratação coletiva, as
indemnizações, o trabalho suplementar, os dias de férias,etc…fica tudo como estes decidiram?Claro que tudo
isto ainda está no plano do debate. Depois quando vier a legislação para a mesa
é que se verá! Mas é bom que os sindicalistas do PS, e não só, vão dando as
suas opiniões e façam pressão e não apenas que demonstrem publicamente
preocupação! A própria UGT e CGTP têm legitimidade para falarem sobre o
assunto.
É
verdade que os sindicalistas que ouvi do lado da UGT, e que falaram como
dirigentes do PS, falaram muito brando, enquanto que os dirigentes da CGTP que
ouvi, falaram em nome da Central, nomeadamente o Arménio Carlos, e falaram
muito duro!
O que
até agora temos são documentos para debate e não se pode falar como se já fosse
uma decisão de um governo PS. Em particular se falarmos em nome de uma Central
Sindical! Convém dizer claramente o que se pensa das questões, sem ambiguidades,
mas com peso e medida. Corre-se o risco, que é evidente hoje, dos sindicalistas
arrastarem o movimento sindical para o debate eleitoral. E na CGTP esse debate
eleitoral já atravessa a Central. Isso não ajuda em nada o esclarecimento dos
trabalhadores e vai corroendo a unidade que tanto custou a consolidar.
Por
outro lado, qualquer Central deve manter uma margem de manobra e de capacidade
tática para lidar com um governo saído de eleições democráticas! Mesmo que não
esteja de acordo com 80% do seu programa!
segunda-feira, 18 de maio de 2015
SOLIDARIEDADES E LUTAS INTERNACIONAIS!
Entidades e organizações de aproximadamente 30 países já receberam o convite para a 2ª Reunião
Internacional da Rede Sindical Internacional de Solidariedades e Lutas, que
acontece em 8 e 9 de junho em Campinas (SP), Brasil. Este convite é feito para
organizações das Américas, Europa, África e Ásia. A atividade se dará após 2º Congresso da
CSP-Conlutas,
uma
das organizadoras desta reunião.
Entre os temas debatidos estão o balanço político das
atividades e campanhas assumidos, a consolidação dessa iniciativa como um espaço de organização,
a solidariedade e difusão das lutas pelo mundo pautadas pela ação sindical autônoma,
de base, classista, independente de patrões e governos, internacionalista e de
confrontação com o capital. A definição do perfil político da Rede e a estruturação do trabalho setorial e
interprofissional comum das organizações que compõem esse movimento serão temas
da reunião, bem como avançar na construção de
um trabalho efetivo na América Latina, inspirados nas experiências dos sindicatos europeus.VER
quinta-feira, 14 de maio de 2015
O STRESSE E O ASSÉDIO NÃO SÃO PROBLEMAS INDIVIDUAIS!

O
stresse e o assédio no trabalho não são meros problemas individuais dos
trabalhadores como frequentemente se pretende fazer crer! Em colóquios e
conversas não é raro ouvir dizer ou dar a entender que estes problemas têm
muito de pessoal e que apenas os trabalhadores mais vulneráveis psicologicamente
são afetados pelo stresse ou sofrem assédio! Tal não é verdade! Não existe
nenhuma personalidade específica propícia a estar exposta aos riscos
psicológicos, nomeadamente ao stresse ou assédio! Existem, é verdade, algumas
caraterísticas que nos podem tornar mais vulneráveis, tais como uma autoestima
muito baixa ou uma vida familiar instável! Todavia, o stresse e a depressão
podem afetar as pessoas mais fortes psicologicamente!
Estes
riscos psicossociais como o stresse, o assédio, a violência e o bullyng existem
no trabalho, em particular em alguns setores e profissões como os trabalhadores
da saúde, professores, pilotos e outros trabalhadores dos transportes. Aliás, o
stresse também pode afetar operários e gestores!
Com a
crise atual e a intensificação do trabalho, desregulação dos horários e
esbatimento da fronteira entre a vida familiar e profissional o stresse, a
intimidação e o assédio crescem nas empresas europeias!
Com este
quadro há que equacionar estes riscos não como um problema individual a resolver
com medidas sobre o trabalhador de caráter paliativo e individual mas com uma
política preventiva da empresa enquadrada e gerida pelos serviços de segurança
e saúde no trabalho. Uma política que atue nas causas que estão na origem do
stresse, do assédio ou violência prevenindo assim consequências dramáticas para
os trabalhadores, familiares e para o futuro da empresa!
Em geral
muitas causas do stresse e de outros riscos psicológicos estão na organização
do trabalho, nomeadamente nas formas de gestão altamente predadoras,
competitivas, nos ritmos de trabalho intensivos, na desregulação dos horários,
na pressão dos clientes, na falta de apoios sociais e de trabalho coletivo e de
cooperação.
Todavia,
estas causas são abordadas de passagem como o gato pela água! Teme-se
aprofundar esta questão com medo de se pôr em questão a vaca sagrada da
produtividade, dos sistemas de avaliação, dos prémios, da competitividade da
economia! Ora, assim, vai ser difícil chegar a bom porto neste debate que só há
pouco começou!
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