segunda-feira, 18 de maio de 2015

SOLIDARIEDADES E LUTAS INTERNACIONAIS!

Entidades e organizações de aproximadamente 30 países já receberam o convite para a 2ª Reunião Internacional da Rede Sindical Internacional de Solidariedades e Lutas, que acontece em 8 e 9 de junho em Campinas (SP), Brasil. Este convite é feito para organizações das Américas, Europa, África e Ásia. A atividade se dará após 2º Congresso da CSP-Conlutas, uma das organizadoras desta reunião.
Entre os temas debatidos estão o balanço político das atividades e campanhas assumidos, a consolidação dessa iniciativa como um espaço de organização, a solidariedade e difusão das lutas pelo mundo pautadas pela ação sindical autônoma, de base, classista, independente de patrões e governos, internacionalista e de confrontação com o capital. A definição do perfil político da Rede e a estruturação do trabalho setorial e interprofissional comum das organizações que compõem esse movimento serão temas da reunião, bem como avançar na construção de um trabalho efetivo na América Latina, inspirados nas experiências dos sindicatos europeus.VER

quinta-feira, 14 de maio de 2015

O STRESSE E O ASSÉDIO NÃO SÃO PROBLEMAS INDIVIDUAIS!


O stresse e o assédio no trabalho não são meros problemas individuais dos trabalhadores como frequentemente se pretende fazer crer! Em colóquios e conversas não é raro ouvir dizer ou dar a entender que estes problemas têm muito de pessoal e que apenas os trabalhadores mais vulneráveis psicologicamente são afetados pelo stresse ou sofrem assédio! Tal não é verdade! Não existe nenhuma personalidade específica propícia a estar exposta aos riscos psicológicos, nomeadamente ao stresse ou assédio! Existem, é verdade, algumas caraterísticas que nos podem tornar mais vulneráveis, tais como uma autoestima muito baixa ou uma vida familiar instável! Todavia, o stresse e a depressão podem afetar as pessoas mais fortes psicologicamente!
Estes riscos psicossociais como o stresse, o assédio, a violência e o bullyng existem no trabalho, em particular em alguns setores e profissões como os trabalhadores da saúde, professores, pilotos e outros trabalhadores dos transportes. Aliás, o stresse também pode afetar operários e gestores!
Com a crise atual e a intensificação do trabalho, desregulação dos horários e esbatimento da fronteira entre a vida familiar e profissional o stresse, a intimidação e o assédio crescem nas empresas europeias!
Com este quadro há que equacionar estes riscos não como um problema individual a resolver com medidas sobre o trabalhador de caráter paliativo e individual mas com uma política preventiva da empresa enquadrada e gerida pelos serviços de segurança e saúde no trabalho. Uma política que atue nas causas que estão na origem do stresse, do assédio ou violência prevenindo assim consequências dramáticas para os trabalhadores, familiares e para o futuro da empresa!
Em geral muitas causas do stresse e de outros riscos psicológicos estão na organização do trabalho, nomeadamente nas formas de gestão altamente predadoras, competitivas, nos ritmos de trabalho intensivos, na desregulação dos horários, na pressão dos clientes, na falta de apoios sociais e de trabalho coletivo e de cooperação.

Todavia, estas causas são abordadas de passagem como o gato pela água! Teme-se aprofundar esta questão com medo de se pôr em questão a vaca sagrada da produtividade, dos sistemas de avaliação, dos prémios, da competitividade da economia! Ora, assim, vai ser difícil chegar a bom porto neste debate que só há pouco começou!

segunda-feira, 11 de maio de 2015

PELO TRABALHO DIGNO NA SAÚDE!

Os trabalhadores da saúde vão fazer greve no próximo dia 15 de maio! As condições de trabalho destes profissionais agravaram-se de forma particular nos últimos quatro anos! Cortes salariais, desregulação dos horários, trabalho suplementar não pago ou mal pago e pressão constante para aumento dos ritmos de trabalho e muito sofrimento, nomeadamente violência física dos utentes!
O pessoal da saúde, em particular dos serviços públicos e em especial os enfermeiros, estão na primeira linha no domínio do stresse! São dos grupos profissionais que em toda a Europa mais afetada pelos riscos psicossociais, com maior carga psíquica, para além da carga física diária.
As causas desta situação estão já devidamente mapeadas! Em primeiro lugar os cortes orçamentais nos serviços nacionais de saúde empreendidos por quase todos os governos conservadores e sociais- democratas da Europa! O trabalho aumenta e o número de profissionais diminui! Por outro lado, em alguns países, caso de Portugal, a semana de trabalho aumentou podendo, em alguns casos chegar às 50 e mais horas!
A introdução da gestão privada nas unidades de saúde levou a formas de organização que conduzem a uma exploração intensa do factor trabalho no sentido da rentabilidade capitalista! Formas de gestão de desvalorização do trabalho e do trabalhador, nomeadamente no que respeita à sua estabilidade e dignidade profissional!

Neste contexto a luta dos profissionais da saúde é uma luta justa, uma luta pela sua dignidade e que vai reverter na qualidade dos cuidados dos doentes!

quarta-feira, 6 de maio de 2015

OS SINDICATOS E A INSTALAÇÃO DE UMA IDEOLOGIA CONSERVADORA!

Quem vive de perto com a comunicação social, e se tiver um pouco de sentido crítico, notará como está em curso uma monumental instalação de uma ideologia conservadora que visa justificar e reforçar os valores de uma sociedade desigual e autoritária, hostil ao espírito crítico e a qualquer contestação.
Um dos sinais mais evidentes desta instalação ideológica conservadora é o ataque aos sindicatos e outras organizações de trabalhadores. E porque? Simplesmente porque eles, ou a maioria deles, ainda são em Portugal a forma mais visível da contestação às políticas de desvalorização do trabalho, da exploração dos trabalhadores! Porque eles dizem em voz alta muito daquilo que milhares de trabalhadores apenas podem dizer em voz baixa ou já nem dizem!

Os sindicatos dizem mal? Dizem de forma anacrónica? Dizem de forma mais ou menos partidária? E depois? Mas dizem, protestam, não aceitam a nova ideologia que defende a empresa como senhora de todos os direitos e benefícios a quem os trabalhadores devem submeter sem regras o seu tempo, as suas energias a sua vida familiar! Não aceitam que desconhecidos especuladores e investidores do capital tudo possam, tudo mandem tudo decidam! A supremacia é do trabalho sobre o capital!
Os ataques aos sindicatos por alguma comunicação social é um dos sintomas da doença do sistema democrático! Outro sintoma, aliás já bem visível, são as manifestações racistas e xenófobas, nomeadamente as posições relativamente aos refugiados/imigrantes que chegam á Europa pelo mar mediterrâneo. As posições egoístas, manifestamente ignorantes e enviesadas dos racistas ressuscitam teses nazis que pensávamos enterradas para sempre!
O ataque demagógico ao sindicato, ao imigrante, ao que pensa criticamente e ao que é diferente da carneirada são sintomas claros de que se caminha para sociedades perigosamente fascistas!
Esta situação obriga-nos à lucidez, à reflexão e à ação na unidade! Enquanto é tempo…..

segunda-feira, 4 de maio de 2015

A GREVE DA TAP E O SINDICALISMO!

A greve da TAP em curso convocada pelo sindicato dos pilotos provocou não apenas uma avalanche de notícias e comentários sobre a mesma, mas também um significativo número de artigos sobre o sindicalismo, nomeadamente sobre o papel dos sindicatos e a sua representatividade na sociedade portuguesa! Diga-se em abono da verdade que a maioria dos artigos e comentários sobre esta matéria vieram de jornalistas, alguns dos quais de jornais económicos e jornais ideologicamente à direita. 
Na sua maioria foram artigos que, aproveitando uma greve polémica, desancaram no sindicalismo português fazendo assim mais um favor aos patrões que lhes pagam! Uma parte deles isolam e manipulam alguns dados para levar o leitor a uma e só conclusão: mais valeria não termos sindicatos! Pior ainda, alguns deles afirmam que estes são destruidores da economia! Isto, meus senhores, é a ideologia fascista e totalitaria no seu esplendor!
Temos um exemplo num artigo do Observador que começa dizendo que os sindicalistas não representam os trabalhadores e questiona que, sendo o Arménio Carlos eletricista, há quanto tempo não exerce a profissão? Ora, isto, dito assim, é jornalismo demagógico!
Um ou outro artigo procurou ser mais objetivo e questionar a prática sindical quer da CGTP quer da UGT, quer de alguns sindicatos independentes. Devo dizer antes de mais nada que qualquer cidadão é livre de escrever e falar sobre sindicalismo e não deve sentir qualquer constrangimento. Todavia, ao escrever sobre a matéria, como aliás acontece sempre, toma partido por mais neutro que pareça o seu discurso!
E a maioria dos articulistas que nestes dias escreveram sobre a matéria mostraram um grande azedume e alguma ignorância relativamente ao sindicalismo! Aproveitaram a greve da TAP para oportunisticamente darem uma estocada ideológica nos sindicatos! Deram a entender que a crise de sindicalização está relacionada com o facto de os sindicatos serem reivindicativos, fazerem muitas greves e que o nosso sindicalismo obedece às lógicas partidárias! Enfim, para eles o sindicalismo já não existe nas empresas privadas e ainda existe no setor público porque aí os trabalhadores ainda têm na sua maioria um emprego estável! E então isso é bom?
Ora, toda esta argumentação, embora com alguma base na realidade, é uma argumentação política que esconde as verdadeiras causas da crise do sindicalismo e tem como objetivo manipular o conhecimento dos cidadãos/leitores.
Esconde que os sindicatos, tal como todas as entidades historicamente situadas e que representam os cidadãos, estão em crise, nomeadamente os partidos políticos e o associativismo em geral. Esconde que as mudanças na legislação laboral e as mudanças no trabalho fragilizaram os vínculos laborais de milhões de trabalhadores; que no setor privado quem faz greve ou é sindicalizado fica na lista negra, ou seja, na calha para o despedimento! Há medo em muitas empresas! Será que alguns destes escrivas não sabem disso?
É verdade também que os sindicatos sentem dificuldades em se renovarem, que usam uma linguagem que não capta as gerações mais jovens que uma grande maioria de quadros está alinhada partidariamente! Que, por vezes, se banaliza o recurso à greve!
Mas qualquer análise séria ao nosso sindicalismo não pode ser leviana descurando dados essenciais de natureza cultural, das mudanças no trabalho e na economia, nomeadamente da passagem do capital produtivo para o financeiro e das novas tecnologias de comunicação!

Os erros de um sindicato altamente corporativo como é o dos pilotos não podem servir para atacar desta forma os sindicatos e o sindicalismo! Não existe democracia sem organizações livres e autónomas, nomeadamente de trabalhadores!

segunda-feira, 27 de abril de 2015

VIOLÊNCIA E ASSÉDIO NO TRABALHO EM 29 PAÍSES EUROPEUS!

A Fundação Europeia para a Melhoria das Condições do Trabalho publicou recentemente um relatório sobre a violência e assédio no trabalho em 29 países europeus. O documento divide os países em quatro grupos em função da prevalência do fenómeno, procedimentos e políticas adotadas nas empresas e sensibilização da sociedade. Há diferenças entre a Europa do norte de um lado e os países do sul e leste do outro. Ver relatório em anexo.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

DE ABRIL A MAIO!

Aquele 1º de Maio estava radioso! Era a escrita de uma nova página depois da manhã de Abril. Uma massa humana caminhava com dificuldade pelas principais artérias da capital tendo como destino o Estádio do Inatel! 
Em cada rosto a igualdade e um sorriso do tamanho de um abraço! Burgueses mais receosos acenavam das suas janelas fortalezas! O seu pudor de classe impedia-os de se misturarem ás multidões amaldiçoadas pela ditadura derrubada há poucos dias! «Uma gaivota voava, voava! » - diziam as vozes mais poéticas, enquanto que outros mais audazes e com os pés assentes na terra não queriam «nem mais um soldado na guerra»! Uns marchavam com passo domingueiro, como quem vai para um piquenique primaveril, outros cerravam fileiras e erguiam os punhos para o céu que se mantinha mudo mas sereno!

Já no recinto, falaram os grandes fundadores, vindos há pouco do exílio, e os que aqui lutaram como toupeiras e o soldado e o sindicalista….e tudo foi prometido, uma nova terra, um novo homem! E dali saímos todos convencidos que de novo se tinha nascido! Era a liberdade!