quarta-feira, 6 de maio de 2015

OS SINDICATOS E A INSTALAÇÃO DE UMA IDEOLOGIA CONSERVADORA!

Quem vive de perto com a comunicação social, e se tiver um pouco de sentido crítico, notará como está em curso uma monumental instalação de uma ideologia conservadora que visa justificar e reforçar os valores de uma sociedade desigual e autoritária, hostil ao espírito crítico e a qualquer contestação.
Um dos sinais mais evidentes desta instalação ideológica conservadora é o ataque aos sindicatos e outras organizações de trabalhadores. E porque? Simplesmente porque eles, ou a maioria deles, ainda são em Portugal a forma mais visível da contestação às políticas de desvalorização do trabalho, da exploração dos trabalhadores! Porque eles dizem em voz alta muito daquilo que milhares de trabalhadores apenas podem dizer em voz baixa ou já nem dizem!

Os sindicatos dizem mal? Dizem de forma anacrónica? Dizem de forma mais ou menos partidária? E depois? Mas dizem, protestam, não aceitam a nova ideologia que defende a empresa como senhora de todos os direitos e benefícios a quem os trabalhadores devem submeter sem regras o seu tempo, as suas energias a sua vida familiar! Não aceitam que desconhecidos especuladores e investidores do capital tudo possam, tudo mandem tudo decidam! A supremacia é do trabalho sobre o capital!
Os ataques aos sindicatos por alguma comunicação social é um dos sintomas da doença do sistema democrático! Outro sintoma, aliás já bem visível, são as manifestações racistas e xenófobas, nomeadamente as posições relativamente aos refugiados/imigrantes que chegam á Europa pelo mar mediterrâneo. As posições egoístas, manifestamente ignorantes e enviesadas dos racistas ressuscitam teses nazis que pensávamos enterradas para sempre!
O ataque demagógico ao sindicato, ao imigrante, ao que pensa criticamente e ao que é diferente da carneirada são sintomas claros de que se caminha para sociedades perigosamente fascistas!
Esta situação obriga-nos à lucidez, à reflexão e à ação na unidade! Enquanto é tempo…..

segunda-feira, 4 de maio de 2015

A GREVE DA TAP E O SINDICALISMO!

A greve da TAP em curso convocada pelo sindicato dos pilotos provocou não apenas uma avalanche de notícias e comentários sobre a mesma, mas também um significativo número de artigos sobre o sindicalismo, nomeadamente sobre o papel dos sindicatos e a sua representatividade na sociedade portuguesa! Diga-se em abono da verdade que a maioria dos artigos e comentários sobre esta matéria vieram de jornalistas, alguns dos quais de jornais económicos e jornais ideologicamente à direita. 
Na sua maioria foram artigos que, aproveitando uma greve polémica, desancaram no sindicalismo português fazendo assim mais um favor aos patrões que lhes pagam! Uma parte deles isolam e manipulam alguns dados para levar o leitor a uma e só conclusão: mais valeria não termos sindicatos! Pior ainda, alguns deles afirmam que estes são destruidores da economia! Isto, meus senhores, é a ideologia fascista e totalitaria no seu esplendor!
Temos um exemplo num artigo do Observador que começa dizendo que os sindicalistas não representam os trabalhadores e questiona que, sendo o Arménio Carlos eletricista, há quanto tempo não exerce a profissão? Ora, isto, dito assim, é jornalismo demagógico!
Um ou outro artigo procurou ser mais objetivo e questionar a prática sindical quer da CGTP quer da UGT, quer de alguns sindicatos independentes. Devo dizer antes de mais nada que qualquer cidadão é livre de escrever e falar sobre sindicalismo e não deve sentir qualquer constrangimento. Todavia, ao escrever sobre a matéria, como aliás acontece sempre, toma partido por mais neutro que pareça o seu discurso!
E a maioria dos articulistas que nestes dias escreveram sobre a matéria mostraram um grande azedume e alguma ignorância relativamente ao sindicalismo! Aproveitaram a greve da TAP para oportunisticamente darem uma estocada ideológica nos sindicatos! Deram a entender que a crise de sindicalização está relacionada com o facto de os sindicatos serem reivindicativos, fazerem muitas greves e que o nosso sindicalismo obedece às lógicas partidárias! Enfim, para eles o sindicalismo já não existe nas empresas privadas e ainda existe no setor público porque aí os trabalhadores ainda têm na sua maioria um emprego estável! E então isso é bom?
Ora, toda esta argumentação, embora com alguma base na realidade, é uma argumentação política que esconde as verdadeiras causas da crise do sindicalismo e tem como objetivo manipular o conhecimento dos cidadãos/leitores.
Esconde que os sindicatos, tal como todas as entidades historicamente situadas e que representam os cidadãos, estão em crise, nomeadamente os partidos políticos e o associativismo em geral. Esconde que as mudanças na legislação laboral e as mudanças no trabalho fragilizaram os vínculos laborais de milhões de trabalhadores; que no setor privado quem faz greve ou é sindicalizado fica na lista negra, ou seja, na calha para o despedimento! Há medo em muitas empresas! Será que alguns destes escrivas não sabem disso?
É verdade também que os sindicatos sentem dificuldades em se renovarem, que usam uma linguagem que não capta as gerações mais jovens que uma grande maioria de quadros está alinhada partidariamente! Que, por vezes, se banaliza o recurso à greve!
Mas qualquer análise séria ao nosso sindicalismo não pode ser leviana descurando dados essenciais de natureza cultural, das mudanças no trabalho e na economia, nomeadamente da passagem do capital produtivo para o financeiro e das novas tecnologias de comunicação!

Os erros de um sindicato altamente corporativo como é o dos pilotos não podem servir para atacar desta forma os sindicatos e o sindicalismo! Não existe democracia sem organizações livres e autónomas, nomeadamente de trabalhadores!

segunda-feira, 27 de abril de 2015

VIOLÊNCIA E ASSÉDIO NO TRABALHO EM 29 PAÍSES EUROPEUS!

A Fundação Europeia para a Melhoria das Condições do Trabalho publicou recentemente um relatório sobre a violência e assédio no trabalho em 29 países europeus. O documento divide os países em quatro grupos em função da prevalência do fenómeno, procedimentos e políticas adotadas nas empresas e sensibilização da sociedade. Há diferenças entre a Europa do norte de um lado e os países do sul e leste do outro. Ver relatório em anexo.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

DE ABRIL A MAIO!

Aquele 1º de Maio estava radioso! Era a escrita de uma nova página depois da manhã de Abril. Uma massa humana caminhava com dificuldade pelas principais artérias da capital tendo como destino o Estádio do Inatel! 
Em cada rosto a igualdade e um sorriso do tamanho de um abraço! Burgueses mais receosos acenavam das suas janelas fortalezas! O seu pudor de classe impedia-os de se misturarem ás multidões amaldiçoadas pela ditadura derrubada há poucos dias! «Uma gaivota voava, voava! » - diziam as vozes mais poéticas, enquanto que outros mais audazes e com os pés assentes na terra não queriam «nem mais um soldado na guerra»! Uns marchavam com passo domingueiro, como quem vai para um piquenique primaveril, outros cerravam fileiras e erguiam os punhos para o céu que se mantinha mudo mas sereno!

Já no recinto, falaram os grandes fundadores, vindos há pouco do exílio, e os que aqui lutaram como toupeiras e o soldado e o sindicalista….e tudo foi prometido, uma nova terra, um novo homem! E dali saímos todos convencidos que de novo se tinha nascido! Era a liberdade!

OPERÁRIOS SÃO AS MAIORES VÍTIMAS DO TRABALHO!

O 28 de Abril!Dia Mundial para lembrar as vítimas do trabalho!Os trabalhadores qualificados da indústria, construção e artífices é o grupo profissional que mais acidentes
de trabalho sofreu, segundo os últimos dados oficiais conhecidos, ano de 2012, com quase 38% das ocorrências! O mesmo grupo também se destaca para as ocorrências com consequência mortal com quase 32% do total.
Todavia é no grupo dos «agricultores e trabalhadores qualificados da agricultura, da pesca e da floresta» que a sinistralidade é mais grave, registando-se uma percentagem de ocorrências mortais quase 3 vezes superior à percentagem do total de acidentes neste grupo. Para os sinistrados em que se conhece a idade à data do acidente, mais de metade dos acidentes, 55,5%, ocorreram com trabalhadores entre os 25 e 44 anos.

Dos 193 436 acidentes mortais,31,3% não provocaram qualquer ausência ao trabalho e 22,3% geraram ausências superiores a 29 dias.
Novas medidas de prevenção e segurança e saúde no trabalho devem ser tomadas em Portugal para se melhorarem de facto as condições de trabalho de todos os trabalhadores.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

AÇÃO INSPETIVA NOS ESTALEIROS DA CONSTRUÇÃO!

«A Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) realizou no passado dia 15 de abril uma ação inspetiva nacional no setor da construção envolvendo 188 inspetores do trabalho de todos os seus serviços desconcentrados, de norte a sul do País.
A ação, que teve incidência especial nas questões de segurança e saúde no trabalho abrangeu um total de 276 estaleiros, 692 empresas do setor e beneficiou 2.110 trabalhadores. Das visitas resultaram 26 suspensões de trabalhos, 55 autos de notícia e 563 notificações para tomada de medidas.
Esta ação nacional, prevista no Plano de Atividades da ACT, justifica-se plenamente pois não obstante as intervenções que têm sido desenvolvidas no setor da construção e a conhecida diminuição dos estaleiros, os índices da sinistralidade grave e mortal continuam a atingir proporções preocupantes no nosso país.

Com efeito, e segundo dados da ACT atualizados a 7 deste mês de abril, ocorreram 88 acidentes graves e 41 mortais no ano de 2014. Em 2015 já se registaram 21 acidentes graves e 9 mortais. Porém, e segundo informação do Ministério da Economia do ano de 2012 sobre sinistralidade laboral não mortal, a mais recente disponível, ocorreram nesse ano 28.093 acidentes, ou seja 14,5% do total, atrás das indústrias transformadoras e do comércio por grosso e a retalho....» (Do comunicado da ACT de 23 de abril de 2015)

segunda-feira, 20 de abril de 2015

PRÁTICAS DE GESTÃO QUE GERAM SOFRIMENTO!

Neste contexto é importante aprofundar os desafios colocados ao trabalho humano pelas atuais formas de  gestão empresarial e de organização do trabalho desta economia capitalista. É impressionante verificar que a maioria dos gestores pensa da mesma maneira como fossem formatados. É uma gestão que recorre á pressão permanente, a sistemas de avaliação quantitativos e fomentadores da competição e, em tantos casos, ao assédio moral. Instala-se a concorrência entre trabalhadores bem como o medo do despedimento ou da não renovação do contrato. Os call centers, agora muito em moda, são alguns exemplos de um tipo de gestão onde se encontram dinâmicas deste tipo para além dos salários baixos que auferem. Os coletivos de trabalhadores são destruídos, os sindicatos são fragilizados e cada um fica por sua conta! Os mais vulneráveis não resistem ao stresse e a outras doenças como a depressão, que segundo a OMS será, em 2020, a principal doença das pessoas ativas.
Mas o mais grave é que esta cultura empresarial que se expande á frente dos nossos olhos não tem piedade para os fracos! É enaltecido o que resiste, o forte, o competitivo. Depois temos casos como o piloto alemão da Germanwings que escondem a sua doença para não aparecer como fraco aos seus gestores e assim comprometer a sua carreira ou ainda os casos dos sucessivos suicídios na Renault francesa muito falados na imprensa de todo o mundo! Neste contexto muita gente acaba por ir trabalhar doente-hoje muito comum- e temos assim o «presentismo» em contraponto ao absentismo.

Mas ainda mais grave é que estas práticas de gestão e de organização do trabalho, em que o trabalhador vive em sofrimento e em silêncio, começa a ser banal, é a «banalização do mal», tema trabalhado hoje por vários investigadores da Psicodinâmica do Trabalho, tendo como nome mais conhecido o francês Christophe Déjours. Os trabalhadores procuram definir as suas estratégias para enfrentar o sofrimento do trabalho. Os próprios sindicatos não estão preparados para lidar com estes problemas.(Preocupações apresentadas no ESCUTAR A CIDADE em Lisboa a 16 de abril de 2015).