segunda-feira, 30 de março de 2015

ACIDENTES QUE FAZEM PENSAR?

O recente acidente com um avião da Germanwings da rota Barcelona – Dusseldorf abriu o debate sobre os vários problemas que afetam as companhias aéreas e as respetivas tripulações. Mas há debates e debates, ou seja há debates que procuram ocultar realidades e debates que procuram colocar o «dedo na ferida».
Após um acidente destes há quase sempre vários interesses em jogo, nomeadamente as indemnizações às vítimas, a imagem da companhia com eventual perda de clientes, desvalorização na bolsa, enfim um montão de problemas.
Como pano de fundo deste acidente parece aparecer com clara evidência um problema grave de saúde de um piloto que porventura foi ocultado. Segundo as informações da imprensa tudo indica que era um problema de ordem psicológica! Por certo que o inquérito irá revelar outros dados da situação.
A questão que se coloca é que um acidente é sempre a revelação extrema de uma desordem organizacional na empresa, é a manifestação de que existem falhas e que são necessárias medidas de prevenção e segurança. Em geral os acidentes são produto também de uma cultura da empresa.
A nossa sociedade considera a competição e nomeadamente a competitividade uma «vaca sagrada» que nunca deve ser questionada. Ora a competição, que tem as suas virtualidades também tem importantes limitações e deve ter limites. Sabemos que as companhias aéreas, em particular com a introdução dos voos low-cost, reduziram os custos a todos os níveis, nomeadamente no pessoal. Pilotos que ganhavam grandes salários trabalham por metade e fazem mais horas de voo. A competição e a resistência ao stresse são enaltecidas. O mundo da aviação é para heróis, para fortes. Ter uma doença qualquer, e em particular psicológica, pode significar uma carreira acabada!
Mais do que as medidas de tipo complementar que estão a ser tomadas, como manter dois tripulantes na cabine, é fundamental cuidar da cultura da empresa e de instituir bons serviços de segurança e saúde ocupacional.
Infelizmente esta cultura sem humanidade atravessa hoje a maioria das empresas e até dos serviços públicos. A doença é vista como uma fraqueza, uma debilidade do trabalhador. Fomenta-se o «presentismo», ir para o trabalho mesmo doente, e exorcisa-se o absentismo, mesmo que por doença!


quinta-feira, 26 de março de 2015

O STRESSE LABORAL - a visão sindical!

«De acordo com a Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho (EU-
OSHA), o stress na Europa custa cerca de 240 mil milhões de Euros/ano à sociedade. Trata-se de um número retumbante, principalmente se considerarmos que uma fatia importante deste "stress" é "stress laboral", ou seja, "stress" causado pelas más condições de trabalho. 

Este número comprova que as más condições de trabalho e a radical desregulação das relações laborais promovida pelos governos Europeus e Português, faz incidir sobre toda a sociedade um encargo financeiro incomportável e, mais importante que tudo, desnecessário. 
Desnecessário, porque a sua prevenção é possível. 
Em tempo de crise social e económica, agravada pelas políticas de austeridade, mais do que nunca é imprescindível discutir o custo "social" da sinistralidade laboral, provocada pelo incumprimento, incúria e negligência de entidades patronais para as quais a segurança e saúde no trabalho ainda é vista como um custo a evitar»-Diz a CGTP num documento sobre a matéria inscrito no seu site pelo Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho.O texto, escrito de forma simples e compreensível, aborda os custos do stresse para as sociedades e para os trabalhadores.VER


terça-feira, 24 de março de 2015

O ÓDIO À ALEMANHA!


Em Portugal, mais à esquerda do que á direita, tem crescido o sentimento anti alemão. São as piadas, os mails, artigos de opinião, vídeos, enfim, circula um certo sentimento de indignação pelo protagonismo e defesa das políticas de austeridade na Europa por parte da Alemanha, em particular por Angela Merkel e, agora mais recentemente, por causa da Grécia!
Este sentimento tem razões objetivas. Efetivamente, segundo alguns analistas, a Alemanha está a ganhar com a crise das dívidas soberanas, ou seja, este país e os povos nórdicos em geral estariam a beneficiar do euro. Simultaneamente as economias periféricas como Portugal e a Grécia estariam a caminhar para a pobreza e para o desastre se as políticas de austeridade se mantiverem.
Mesmo aceitando como certa esta análise teremos que cuidar de um aspeto muito importante que é não olhar para a Alemanha como um inimigo, nomeadamente no que respeita aos trabalhadores alemães e suas organizações! Existem setores do povo alemão que não concordam com as políticas do seu governo. Por outro lado, a principal divisão e contradição na Europa e no mundo não é entre países. Seja ente a Alemanha versus Grécia, seja entre o norte e sul da Europa! Os grandes beneficiários da crise são determinados setores do capital financeiro e multinacional, os gestores pagos a peso de ouro da Alemanha, dos USA de Portugal e outros países!

Embora saibamos que o nacionalismo está hoje muito vivo, e até agressivo em alguns aspetos, inclusive no seio dos sindicatos, não podemos alinhar com o ódio a um povo olhado em bloco, seja que povo for! Os trabalhadores europeus não se podem deixar manipular! Temos que manter e desenvolver o espírito de solidariedade e coesão. O nacionalismo pode levar á cegueira e ao ódio levando-nos a lutar contra outros dominados em vez de se lutar contra os dominadores! É obrigação das organizações de trabalhadores serem lúcidas neste aspeto e fazerem a pedagogia da solidariedade e nãos e enganarem no adversário!

segunda-feira, 23 de março de 2015

AMIANTO É PERIGOSO? ESTEJA INFORMADO!

O amianto, em particular a existência do mesmo em edifícios públicos, tem sido notícia em vários órgãos decomunicação social.A questão tornou-se política em meados de 2014 com o governo a constituir um grupo de trabalho para analisar a situação, fazendo um primeiro levantamento de edifícios com possibilidade de conterem materiais com amianto na sua construção, nomeadamente escolas.
Que o amianto é perigoso, hoje é um dado adquirido!As suas finas partículas podem alojar-se nos pulmões e na pleura e, passados anos, darem lugar a um cancro! 
A ACT constituiu recentemente um dossier bastante completo sobre as características do amianto e os riscos da exposição ás poeiras do mesmo.Nos últimos dias introduziu nesse dossier um conjunto de desdobráveis informativos sobre esta questão que explicam, em linguagem muito simples, o que todos devemos saber!VER

quinta-feira, 19 de março de 2015

UM NOVO AUTORITARISMO?


Uma dos aspetos do ambiente cultural atual é a manifestação de um indisfarçável autoritarismo e controlo social, bem como a necessidade da diferenciação através da separação de classes! Mesmo pessoas pertencentes às classes populares procuram diferenciar-se através da compra de determinados objetos caros para exibirem em público. 
Existe em certos meios um snobismo alimentado, um exibicionismo da riqueza e do estatuto social que exprimem uma certa alteração na estrutura económica da sociedade, nomeadamente o aprofundamento das desigualdades e da concentração da riqueza. Algumas pessoas das classes altas felicitam-se porque a classe média já não acede alguns espaços de lazer e não enche as vias das autoestradas. O espaço e o melhor território já não são disputados pelos antigos «pés rapados» do 25 de Abril!
O autoritarismo revela-se de modo especial nas empresas, nas escolas e nos locais de trabalho do Estado. Revela-se na aversão ao sindicalismo, à greve, ao discurso reivindicativo! Pequenos e grandes chefes são «mais papistas que o papa» na defesa de medidas disciplinadoras e rigoristas, na implementação da gestão do despedimento e do assédio moral para dominar e domesticar!
O discurso da moda é o individualismo, a superficialidade, o discurso vazio, sem ideologia aparente, a reprodução do que diz o patrão, o chefe e o comentador do jornal económico!

A normalização e domesticação capitalista quer fazer das pessoas uns robots, uns enfatuados de computador às costas e fatos de seminarista! A cultura capitalista não quer que as pessoas pensem mesmo que tenham vários mestrados, alguns dos quais na universidade católica!

Quando as pessoas pensam criticamente as coisas correm mal, as pessoas contestam, as pessoas organizam-se! A rebeldia é a alma de qualquer geração!

A cultura do atual capitalismo quer fazer de cada trabalhador um átmo, uma ilha, um ser manipulável e manipulado, incapaz de formar um coletivo, de ter consciência de classe! A nossa missão é contrariar tal objetivo! Porque esse caminho conduz a uma sociedade totalitária, fechada, comandada por pessoas sem rosto, um mundo impiedoso e frio!

terça-feira, 17 de março de 2015

MAIS SAÚDE PARA MOTORISTAS PROFISSIONAIS!

A Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) promove em 2015 uma campanha de segurança e
saúde no trabalho no setor rodoviário em Portugal continental. Está provado que este setor é dos mais perigosos na União Europeia. Em média morrem mais de 1300 motoristas nas estradas europeias só nos transportes de pesados e de passageiros! Estes profissionais apresentam elevado absentismo por doença e fadiga, sobrecarga mental, stresse e perturbações do sono. A deficiente organização do trabalho está na origem de muitos acidentes e doenças destes profissionais. Para ver mais  informação sobre esta campanha deve consultar aqui.

segunda-feira, 16 de março de 2015

A IDEOLOGIA DA PRODUTIVIDADE E A SAÚDE DOS TRABALHADORES!

O pedaço de prosa abaixo, uma notícia de um jornal diário, é ilustrativo de como se concebe hoje a
promoção da saúde dos trabalhadores em alguns locais, inclusive nos meios académicos!Um mero negócio para a produtividade!O homem, da Ordem dos Psicólogos, precisa de vender um produto no mercado.Esse produto é a necessidade de contratar psicólogos para as empresas....para tratar da saúde dos «colaboradores».Colaboradores?Que é isso?O que temos são trabalhadores por conta de outrem ou independentes!

Notícia

«Vão ser lançados nos próximos dias e destinam-se a premiar os locais de trabalho mais saudáveis, que podiam, por cá, ser em maior número. O Prémio Healthy Workplaces – Locais de Trabalho Saudáveis, uma iniciativa da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP), pretende mostrar que um local de trabalho saudável é igual a aumento de produtividade. Ganham os funcionários e ganham os empregadores.
 "O atual paradigma está a mudar", confirma ao Destak Telmo Mourinho Baptista, bastonário da OPP. Hoje, as empresas "começaram a perceber que algo está errado", resultado dos "inúmeros casos de "burnout", taxas de absentismo elevadíssimas e, igualmente grave, um número demasiadamente alto de situações de presentismo, ou seja, o colaborador vai trabalhar, mas sem estar em condições de produzir aquilo que seria normal e expectável". Situações que têm, reforça, "custos elevadíssimos para as empresas". E que as leva a procurar tornar saudável os locais de trabalho. O mesmo é dizer: "valorizar e promover a segurança, a saúde e o bem-estar dos colaboradores". Algo que é feito "através da implementação de estratégias de prevenção e intervenção".  ( No DESTAK de 12 de março de 2015)