quinta-feira, 19 de março de 2015

UM NOVO AUTORITARISMO?


Uma dos aspetos do ambiente cultural atual é a manifestação de um indisfarçável autoritarismo e controlo social, bem como a necessidade da diferenciação através da separação de classes! Mesmo pessoas pertencentes às classes populares procuram diferenciar-se através da compra de determinados objetos caros para exibirem em público. 
Existe em certos meios um snobismo alimentado, um exibicionismo da riqueza e do estatuto social que exprimem uma certa alteração na estrutura económica da sociedade, nomeadamente o aprofundamento das desigualdades e da concentração da riqueza. Algumas pessoas das classes altas felicitam-se porque a classe média já não acede alguns espaços de lazer e não enche as vias das autoestradas. O espaço e o melhor território já não são disputados pelos antigos «pés rapados» do 25 de Abril!
O autoritarismo revela-se de modo especial nas empresas, nas escolas e nos locais de trabalho do Estado. Revela-se na aversão ao sindicalismo, à greve, ao discurso reivindicativo! Pequenos e grandes chefes são «mais papistas que o papa» na defesa de medidas disciplinadoras e rigoristas, na implementação da gestão do despedimento e do assédio moral para dominar e domesticar!
O discurso da moda é o individualismo, a superficialidade, o discurso vazio, sem ideologia aparente, a reprodução do que diz o patrão, o chefe e o comentador do jornal económico!

A normalização e domesticação capitalista quer fazer das pessoas uns robots, uns enfatuados de computador às costas e fatos de seminarista! A cultura capitalista não quer que as pessoas pensem mesmo que tenham vários mestrados, alguns dos quais na universidade católica!

Quando as pessoas pensam criticamente as coisas correm mal, as pessoas contestam, as pessoas organizam-se! A rebeldia é a alma de qualquer geração!

A cultura do atual capitalismo quer fazer de cada trabalhador um átmo, uma ilha, um ser manipulável e manipulado, incapaz de formar um coletivo, de ter consciência de classe! A nossa missão é contrariar tal objetivo! Porque esse caminho conduz a uma sociedade totalitária, fechada, comandada por pessoas sem rosto, um mundo impiedoso e frio!

terça-feira, 17 de março de 2015

MAIS SAÚDE PARA MOTORISTAS PROFISSIONAIS!

A Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) promove em 2015 uma campanha de segurança e
saúde no trabalho no setor rodoviário em Portugal continental. Está provado que este setor é dos mais perigosos na União Europeia. Em média morrem mais de 1300 motoristas nas estradas europeias só nos transportes de pesados e de passageiros! Estes profissionais apresentam elevado absentismo por doença e fadiga, sobrecarga mental, stresse e perturbações do sono. A deficiente organização do trabalho está na origem de muitos acidentes e doenças destes profissionais. Para ver mais  informação sobre esta campanha deve consultar aqui.

segunda-feira, 16 de março de 2015

A IDEOLOGIA DA PRODUTIVIDADE E A SAÚDE DOS TRABALHADORES!

O pedaço de prosa abaixo, uma notícia de um jornal diário, é ilustrativo de como se concebe hoje a
promoção da saúde dos trabalhadores em alguns locais, inclusive nos meios académicos!Um mero negócio para a produtividade!O homem, da Ordem dos Psicólogos, precisa de vender um produto no mercado.Esse produto é a necessidade de contratar psicólogos para as empresas....para tratar da saúde dos «colaboradores».Colaboradores?Que é isso?O que temos são trabalhadores por conta de outrem ou independentes!

Notícia

«Vão ser lançados nos próximos dias e destinam-se a premiar os locais de trabalho mais saudáveis, que podiam, por cá, ser em maior número. O Prémio Healthy Workplaces – Locais de Trabalho Saudáveis, uma iniciativa da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP), pretende mostrar que um local de trabalho saudável é igual a aumento de produtividade. Ganham os funcionários e ganham os empregadores.
 "O atual paradigma está a mudar", confirma ao Destak Telmo Mourinho Baptista, bastonário da OPP. Hoje, as empresas "começaram a perceber que algo está errado", resultado dos "inúmeros casos de "burnout", taxas de absentismo elevadíssimas e, igualmente grave, um número demasiadamente alto de situações de presentismo, ou seja, o colaborador vai trabalhar, mas sem estar em condições de produzir aquilo que seria normal e expectável". Situações que têm, reforça, "custos elevadíssimos para as empresas". E que as leva a procurar tornar saudável os locais de trabalho. O mesmo é dizer: "valorizar e promover a segurança, a saúde e o bem-estar dos colaboradores". Algo que é feito "através da implementação de estratégias de prevenção e intervenção".  ( No DESTAK de 12 de março de 2015)

quarta-feira, 11 de março de 2015

SAÚDE LABORAL NAS FORÇAS ARMADAS! COMO É?

 
Recentemente foi noticiado que um jovem militar se teria suicidado após ter sofrido durante algum tempo de assédio moral por ter uma determinada orientação sexual! É caso para perguntar, quem fiscaliza as condições de trabalho, nomeadamente, quem acompanha as condições de segurança e saúde no trabalho nas Forças Armadas? A maioria dos cidadãos portugueses não sabe responder a esta questão e talvez não se preocupe com esta notícia, pensando, talvez, que são casos raros. Ora, estas questões de segurança e saúde no trabalho, nomeadamente a nossa integridade psíquica, não são tão raras como se poderá talvez pensar!
Nas Forças Armadas existem locais, trabalhos, procedimentos e relações que podem proporcionar acidentes de trabalho e doenças profissionais de origem física, química, ergonómica e psíquica. Algumas atividades são, inclusive, de grande risco como é, aliás, próprio de alguns aspetos do treino e do tipo de organização e atividade militar.
Os cortes nos orçamentos militares não facilitam os investimentos na segurança, saúde e bem -estar dos trabalhadores e militares das Forças Armadas. Embora a cultura militar tenha a segurança como um elemento central da sua atividade, nem sempre a organização das atividades de segurança e saúde no trabalho são consideradas. O próprio regime legal de promoção da segurança e saúde não se aplica às Forças Armadas e as entidades inspetivas, nomeadamente a ACT, não podem atuar na área militar! Aliás, tal competência pertence, porventura, á inspeção do trabalho do Ministério da Defesa, ou seja, é a própria instituição que se fiscaliza a si própria!

Tal situação é discriminatória face á Constituição Portuguesa! Embora com um estatuto próprio os trabalhadores das Forças Armadas e os próprios militares têm direito a trabalhar em condições de segurança e saúde tal como afirma a nossa lei fundamental! As organizações sindicais da classe deveriam ser mais claras e reivindicativas nesta matéria!

segunda-feira, 9 de março de 2015

A EUROPA MOVE-SE! CHEGARÁ A PRIMAVERA!

Aproximam-se as eleições legislativas! Na Grécia o povo rompeu o bipartidarismo e, desesperado e
faminto, derrotou o tradicional partido da direita (Nova Democracia) e afundou o representante do social liberalismo (PASOK)!Foi a derrota completa do status quo, da obediência cega aos «mercados» e credores representados pela Troika!
Na Espanha o «Podemos» e o «Ciudadanos» podem igualmente colocar em questão os tradicionais partidos da direita (PP) e do centro esquerda (PSOE) igualmente do «centrão» espanhol que gerem o sistema politico e sindical há décadas!
Em ambos os países, para não falarmos de outros como a França ou Alemanha, aqueles partidos têm dinheiros públicos para se sustentarem, para se perpetuarem numa alternância sem esperança, gerindo a crise de modo que os trabalhadores, desempregados e pobres levem o fardo mais pesado!
A arrogância de muita desta gente é insustentável, dividem o bolo financeiro entre eles, quer seja o bolo partidário quer seja o bolo das instituições «democráticas» no aparelho de Estado, desde a mais humilde freguesia até á mais opulenta empresa pública ou privada! Competentes ou incompetentes são eles que mandam e que gerem!
Em Portugal a situação também pode mudar! As pessoas estão fartas desta gente que se apoderou da democracia em seu proveito! Algo tem que mudar nos próprios partidos para que a mudança não se faça contra eles ou sem eles!

No entanto, em Portugal a sensação é de resignação e de palavreado oco! Desenterram-se casos e mais casos de corrupção, de fuga ao fisco, à segurança social, de desvio de milhões de euros, disto e daquilo! Porém, não se vislumbra uma alternativa programaticamente sólida a esta maioria! Não basta derrotar nas eleições o bloco de direita, é preciso criar algo muito concreto que nos dê esperança de que é possível uma outra política! Não exatamente um regresso ao passado! Mas um regresso ao futuro que reponha os direitos sociais e laborais e uma vida com dignidade! Dignidade significa que não tenhamos crianças em Portugal com fome e idosos a morrem sem assistência na saúde e na velhice. Que não tenhamos a desigualdade imoral que cresce de forma tão impune.

sexta-feira, 6 de março de 2015

CUSTOS ECONÓMICOS DA FALTA DE SAÚDE NO TRABALHO!

«Os custos dos acidentes e problemas de saúde relacionados com o trabalho podem ser substanciais. Em 2007, na UE-27, 5580 acidentes de trabalho resultaram em morte, e 2,9 % da força de trabalho sofreram acidentes de trabalho que obrigaram a mais de 3 dias de baixa.
 Além disso, aproximadamente 23 milhões de pessoas tiveram problemas de saúde provocados ou agravados pelo trabalho durante um período de 12 meses. Calcular uma estimativa geral rigorosa dos custos para todas as partes interessadas, a nível nacional ou internacional, dos acidentes e problemas de saúde relacionados com o trabalho devidos a condições de segurança e saúde deficientes ou inexistentes constitui uma tarefa complexa. Contudo, é vital que os decisores políticos compreendam o alcance e a escala de uma SST deficiente ou inexistente, a fim de implementarem medidas eficazes nesta área política.» Ver documento.

terça-feira, 3 de março de 2015

MELHORAR A SEGURANÇA E SAÚDE DOS TRABALHADORES DO CALÇADO!

A Autoridade para as Condições do Trabalho promove no dia 4 de março, pelas 14 horas, no Auditório da Casa das Artes de Felgueiras, o Seminário de Encerramento da Campanha para a Melhoria Contínua das Condições do Trabalho na Indústria do Calçado com as presenças do Secretário de Estado do Emprego, Presidente da Câmara Municipal daquela cidade, Inspetor-Geral da ACT e representantes dos Parceiros Sociais e Institucionais do setor que, desde o início, participam nesta iniciativa.
O evento pretende fazer o balanço final das atividades da Campanha a qual decorreu durante o ano 2014 com ações de informação, formação e sensibilização, visitas inspetivas e divulgação de vários instrumentos sobre a prevenção dos riscos profissionais na indústria do calçado. Segundo avaliação provisória as ações inspetivas abrangeram 175 empresas e mais de 9.000 trabalhadores.
No decurso destas ações inspetivas, foram analisadas 2.723 situações no domínio da segurança e saúde no trabalho, 830 das quais passível de melhoria e que foram objeto de notificações para tomada de medidas. As matérias abordadas nestas ações relacionaram-se  com  os  riscos  identificados  no  setor  do calçado  pelo  programa   da
Campanha com especial relevo para os riscos químicos, organização das atividades de SST, e riscos mecânicos, entre outros.
Durante o decorrer da Campanha a ACT, quer a nível central quer a nível dos respetivos serviços regionais realizaram 48 ações de informação/sensibilização e distribuíram cerca de 600 cartazes e mais de 18.700 folhetos sobre a prevenção dos riscos profissionais.
Por sua vez os parceiros sociais, sindicais e empresariais, bem como o Centro Tecnológico do Calçado Português, realizaram nas empresas do setor diversas ações de informação/ formação e visitas técnicas.
No seminário que agora vai encerrar oficialmente a Campanha será divulgada uma informação mais completa das atividades desenvolvidas, sendo também avaliado até que ponto os objetivos inicialmente propostos foram atingidos, nomeadamente o combate aos principais riscos do setor para diminuir o número de acidentes e doenças profissionais, a melhoria da efetivação da lei no domínio da segurança e saúde no trabalho e o reforço da capacidade de intervenção dos parceiros sociais e institucionais.
A indústria do calçado, que assume hoje um particular relevo na economia nacional, representa cerca de 6% dos trabalhadores ao serviço, 3% do volume de negócios e 4% das exportações de Portugal.