Em 2014 morreram em Portugal 80 pessoas em 274 acidentes com tratores agrícolas,
que provocaram 80 feridos graves e 82 ligeiros. O distrito de Bragança lidera a
lista com 12 vítimas mortais em 26 sinistros.
Os números de 2014 superam
os de 2013 em todos os parâmetros: mais 67 acidentes, dois mortos, 31 feridos
graves e 15 feridos leves. Apenas se manteve o número de vítimas mortais num
único distrito, 12, sendo que em 2013 a liderança pertenceu a Viseu.
Os
dados avançados pelo comando-geral da GNR, ao JN, mostram, que, em 2014,
verificaram-se 145 acidentes em terrenos agrícolas e privados, de que resultaram
55 mortos, 43 feridos graves e 53 ligeiros. Santarém sobressai na quantidade de
ocorrências, 15, mas Bragança (14), Faro (7) e Viseu (14) lideram a lista de
mortos com seis cada um, mais dois que Santarém.
Na via pública, a GNR
verificou 65 sinistros, com 25 vítimas mortais, 36 feridos graves e 12 ligeiros.
Neste campo, Bragança surge destacado com seis mortos em 12
acidentes.
Nas áreas sob jurisdição da PSP, em 2014 registou 64
acidentes, com um ferido grave e 17 ligeiros. Em 2013, houve menos 27 acidentes,
mais um ferido grave e menos cinco ligeiros. Refira-se que do total dos
sinistros do ano passado, 31 registaram-se na ilha de São Miguel e nove na
Terceira, ambas no arquipélago dos Açores. No continente, foi Aveiro, com cinco,
o distrito que liderou os acidentes em meio urbano.
Ao JN, a Autoridade
para as Condições de Trabalho disse que foram objeto de inquérito quatro
acidentes em 2014, mais um que em 2013. O Alentejo e o Centro foram as regiões
do país onde foram feitas estas averiguações, através das quais se apurou que
"as principais vítimas dos acidentes foram os trabalhadores agrícolas, sendo a
principal causa a perda de controlo da máquina envolvendo, pelo seu reviramento,
o esmagamento do trabalhador".
Este é um blog para comunicar com todos os que se preocupam com a promoção da segurança e saúde no trabalho em Portugal , na Europa e no Mundo. Trabalho há 25 anos nas questões de segurança e saúde no trabalho, particularmente nas área da comunicação social. Espero que outros escrevam para este blog, não apenas comentários a artigos que aqui apareçam mas também textos de opinião, chamadas de atenção para factos importantes,opiniões sobre política de prevenção, saúde e segurança.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
O ESTADO E A PREVENÇÃO DOS RISCOS DO TRABALHO!
Este é tema vasto e complexo sendo sempre
um risco abordá-lo no quadro de um blogue! Todavia, avanço apenas alguns
apontamentos que julgo pertinentes.Quem sabe um pouco de história nesta matéria reconhece que pouco a pouco a área de políticas públicas de prevenção e promoção da segurança e saúde no trabalho em Portugal perdeu autonomia e identidade estando hoje plenamente integrada e assimilada pela Inspeção do Trabalho.
De uma Direcção de Serviços na década de setenta do século passado passou a uma Direcção -Geral na década seguinte, foi posteriormente integrada como Direcção de Serviços no IDICT, autonomizou-se novamente no início do milénio com o ISHST e voltou a uma Direcção de Serviços com a ACT em 2007.
Pelo
meio, e na primeira orgânica da ACT, introduziu-se a figura do Coordenador de
Segurança na Direção desta entidade sendo posteriormente extinta em 2012.A
partir daqui a direção da ACT ficou constituída por inspetores do trabalho e a
própria Direcção de Serviços de Promoção da Segurança e Saúde no trabalho é
dirigida por um inspector do trabalho! Embora com um Conselho Consultivo onde estão os parceiros sociais tal não obsta ao declínio.Nas áreas operacionais e nos serviços
desconcentrados a inspeção é quem manda mais! Os outros técnicos superiores não
servem para dirigentes!
Será que esta política e reestruturação
orgânica de integrar a inspeção e prevenção resultaram em melhorias no terreno
e melhorias de eficiência no aparelho do Estado? Numa visão empírica parece que
não resultou. Seria importante ter um estudo independente sobre a matéria. A
ideia que tenho é que não houve ganhos em termos de serviço público melhorado.
Nem ganhos no terreno, ou seja, de melhor ação junto das empresas, na
planificação das políticas, na melhoria das competências dos técnicos, na
afirmação autónoma deste trabalho em termos de sociedade! Segundo testemunhos
que conhecem os serviços todos os dias a área da prevenção da ACT está mais
limitada, quer por falta de verbas, quer por falta de projetos.
Pelo contrário, a área inspetiva alarga-se
e multiplica-se em campanhas de informação e divulgação, em geral coordenadas
por um inspetor do trabalho e quase nunca por um técnico superior de segurança
e saúde no trabalho!Os serviços regionais da ACT continuam os mesmos apesar da falada reestruturação. Existe mesmo uma cultura de subalternidade dos técnicos de
segurança e saúde. Também por culpa destes que nunca se constituíram como um
corpo organizado e pensante.
Resulta daqui que por diversos fatores e
após várias restruturações a área pública da prevenção de riscos profissionais
em Portugal está KO.E não se vislumbra que alguém aposte numa alternativa
retomando a autonomia com a criação de uma entidade estatal, ou mista com os parceiros
sociais, mas independente do organismo inspetivo! Até porque a experiência do ISHST deixou muitas interrogações!Não existe vontade política
para o fazer. Por falta de verbas dizem uns, porque não se justifica dizem
outros! Pois, pois a gente entende!
domingo, 15 de fevereiro de 2015
A REPRESENTAÇÃO DOS TRABALHADORES EM DEBATE!
Decorre atualmente em frança um debate
sobre o poder e a representação dos trabalhadores nas empresas no momento em
que os «comités de empresa» fazem 70 anos de existência naquele país! Os
comités de empresa são o equivalente ás nossas comissões de trabalhadores que
nasceram após a Revolução de Abril!
O debate é pertinente e oportuno numa
Europa em retrocesso social e no quadro da mundialização bastante desfavorável
ao trabalho e aos trabalhadores!
O debate em França procura fazer um
balanço dessa representação após terem ocorrido negociações pouco profícuas
entre sindicatos e patronato sobre a matéria. É óbvio que o patronato sente os
ventos a favor e está pouco recetivo a dar de mão beijada poder às organizações
de trabalhadores. O poder dos trabalhadores será sempre o resultado de uma
relação de forças mesmo que num quadro de diálogo social.
Creio que este debate também é pertinente
em Portugal e em todo o mundo. As empresas não podem ser apenas propriedade dos
acionistas. Hoje teremos que evoluir para um modelo empresarial e social que
tenha em conta pelo menos quatro atores: o patrão/acionistas, os trabalhadores,
os consumidores e os habitantes do território ou comunidade onde estão
instaladas as empresas, em particular nos casos em que estas têm impacto ambiental.
Cada um destes atores deve estar
organizado para defender os respetivos interesses e participar ao seu nível na
vida da empresa. Com um sistema destes evitaríamos muitos desastres ecológicos
e sociais e poderíamos falar numa verdadeira cidadania na empresa.
No debate a realizar deveríamos também
fazer um balanço da ação das comissões de trabalhadores, da sua relação com os
sindicatos e outras organizações. Existem comissões de trabalhadores verdadeiramente
ativas e outras moribundas! Existem algumas que são verdadeiramente autónomas e
outras que fazem o que o patrão manda e, quando muito, fazem bonitos pareceres!
Seria interessante um estudo sobre esta matéria, será que existe? Não conheço!
terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
PROFISSIONAIS DA ESTRADA-que condições de saúde e segurança?

Um recente relatório da Agência Europeia para a Segurança
e Saúde no Trabalho veio alertar para a situação das condições de trabalho dos profissionais
do setor rodoviário, nomeadamente para as doenças profissionais naquele setor
com destaque para as lesões músculo-esqueléticas, perda de audição, stresse e
perturbações do sono, sobrecarga mental e física entre outras graves
perturbações.
A fadiga, devida á garga horária e às longas viagens, são
um dos maiores problemas destes profissionais. O isolamento e, por vezes, a violência
a que estão sujeitos são outros elementos a ter em conta.
Por outro lado, dados estatísticos europeus apontam o
setor dos transportes rodoviários profissionais como um dos mais perigosos na
União Europeia sofrendo altas taxas de sinistralidade laboral. De facto, morrem
anualmente nas estradas europeias cerca de 10 mil pessoas estando incluídos
nestes números 1300 motoristas de transporte de passageiros e veículos pesados
de mercadorias.
Em Portugal, em 2012, num total de 9397 empresas do setor
trabalhavam 77.587 pessoas. Em 2011 ocorreram 6123 acidentes, 14 dos quais mortais.
Esta realidade que se agravou com a ideologia da
competitividade a todo o custo e a exploração fácil dos trabalhadores exigiria
a promoção de medidas urgentes no domínio da promoção da saúde no trabalho. Todavia,
a promoção da segurança e saúde no trabalho colide com as práticas empresariais
atuais que priorizam uma organização do trabalho para a máxima rentabilidade á
custa de quem trabalha. E é na organização do trabalho que está o centro da
questão.
Será difícil
promover a saúde no trabalho neste setor se não se equacionar a organização do
trabalho nas respetivas empresas. Horários decentes, repouso adequado, vigilância
periódica da saúde, veículos inspecionados, alimentação e sono em dia são
algumas das medidas fundamentais.
As inspeções do trabalho europeias devem atuar neste
setor com firmeza e de modo articulado. A ACT vai lançar uma campanha de
prevenção neste setor em 2015. Esperamos que seja um bom contributo para que
algo mude!
domingo, 8 de fevereiro de 2015
STRESSE E TRABALHO TEMPORÁRIO!
Hoje muita gente ligada aos recursos
humanos escreve sobre o stresse e os riscos psicossociais. Ainda há pouco li um
texto curioso sobre stresse e trabalho temporário. A autora, que não fez uma
declaração de interesses, dizia que conhecia estudos que revelavam que os
trabalhadores temporários sofriam menos stresse nos dias de hoje pelo facto de
que já se tinham habituado a este tipo de trabalho num contexto em que a
alternativa era o desemprego.
E acrescentava que os trabalhadores temporários
estavam sempre perante novos desafios, que não se acomodavam à rotina e saíam
da zona de conforto ao contrário dos trabalhadores permanentes! A senhora
dourava de tal modo a pílula que ao leitor desprevenido até lhe apeteceria experimentar
um trabalho temporário. É óbvio que a dita autora estava a vender um produto!
Tal como ela podemos apresentar vários
estudos, até da OIT e de outras entidades credíveis, a dizerem que a
precariedade é uma das causas de stresse e propiciadora de instabilidade e de
risco psíquico.
Quem estuda as condições de trabalho nos call
centers, hoje um setor bem lucrativo, verifica que muitas destas entidades
recrutam nas empresas de trabalho temporário, outra atividade altamente
lucrativa nos tempos de desemprego.
Todos sabemos que as empresas de trabalho
temporário jogam na precariedade e nos ganhos á custa dos trabalhadores que
empregam. Por isso não me parece que os trabalhadores temporários tenham menos
fatores de stresse. Não é pelo facto de um trabalhador dizer num inquérito que
já se «habituou» ao stresse que efetivamente não tem stresse ou que não está a
sofrer as consequências do mesmo.
Ao contrário do que se possa esperar em
tempos de crise os trabalhadores constroem estratégias de defesa para manter o
emprego e para superar o sofrimento.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015
A GESTÃO ATUAL É ANTI SINDICAL?
A gestão atual é, mesmo nas suas formas mais benignas, anti sindical! A maioria dos gestores gere as pessoas como recursos ou mão -de -obra, enfim, como fatores de produção! É assim que ensinam na maioria das escolas e é esta a filosofia dos gestores na sua generalidade. Em geral quando os acionistas querem uma redução de custos ou aumento dos dividendos pedem aos gestores que tomem medidas de gestão. Os gestores, quase sempre, lançam mão dos despedimentos, ou seja, em dispensar ou substituir pessoal. Claro que os sindicatos opõem-se a estes objetivos!
Nos dias de hoje algumas formas de gestão são altamente predadoras e conduzem, para além dos despedimentos, ao stresse e «bournout» dos trabalhadores. São utilizados conceitos como «qualidade», «performance», «gestão por objetivos», «avaliação por mérito» «competitividade» e muitos outros! Utilizam-se critérios de recrutamento e de avaliação como «resistência á pressão e ao stresse»! O trabalhador é convidado a ser um soldado de uma guerra sem limites ou deve dar a vida pela empresa se for necessário! O horário de trabalho é relativizado, a família a gravidez e as crianças são considerados empecilhos neste combate glorificado pela gestão. Gestão que se tornou assim numa ideologia ao serviço da máxima rentabilidade, do aumento dos lucros da competitividade sem limites e sem humanidade!
Naturalmente que esta gestão é inimiga da família , das pessoas e dos sindicatos! Estes são outro obstáculo à manipulação dos cérebros dos trabalhadores e impedem a entrega absoluta á causa de desumanização da empresa. Mais do que nunca a sociedade, as empresas e os trabalhadores precisam de um sindicalismo renovado, capaz de organizar todos os trabalhadores para além dos partidos, não corporativo e defensor intransigente dos direitos de todos os trabalhadores!
Urge desenvolver uma outra filosofia de gestão que considere o trabalhador e o coletivo de trabalhadores como essenciais ao futuro da empresa!Esta também pertence aos trabalhadores!A gestão não deve considerar o poder sindical como um poder concorrente!
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
O 28 DE ABRIL -VÍTIMAS DO TRABALHO!
«Junte-se a nós para promovermos uma cultura de segurança e saúde no
trabalho» é o lema
escolhido pela OIT para as próximas comemorações do 28 de Abril-Dia Mundial das
Vítimas do Trabalho em Portugal comemorado como Dia Nacional da Prevenção e
Segurança no Trabalho.
Se há algo difícil e lento na vida de uma
pessoa ou povo é promover uma cultura, ou seja, criar novos hábitos e maneiras
de pensar, enfim, uma nova mentalidade.
Há muitos anos que se luta no sentido de
em Portugal se criar ou promover uma cultura de segurança e saúde no trabalho. Foram
dados passos significativos em especial nas décadas de 80 e 90 do século XX
acompanhando-se nessa matéria as iniciativas da Comissão Europeia, em particular
nos tempos de Delors.
Após uns tempos de estagnação tivemos a
crise financeira provocada pelo capitalismo e o mandato da «Comissão Barroso»
com o triunfo no seio daquele órgão comunitário dos ideais neo -liberais, do
austeritarismo, da estagnação económica e da crise social.
Em toda a Europa, e em particular no Sul, assistimos
a um retrocesso no investimento das empresas no domínio da SST que não tendo
sido nunca uma prioridade, mais longe está hoje de o ser! O patronato europeu e
mundial não quer nada que aumente os custos empresariais, em particular no
domínio dos trabalhadores.
O próprio slogan escolhido para este ano
pela OIT demonstra que não se pretendem fazer ondas! É um lema genérico, vago e
com o qual se concorda mesmo estando sentado e sem nada fazer!
Mesmo as organizações de trabalhadores não
consideram esta questão como uma prioridade! Uma prioridade de ação e de
formação de dirigentes sindicais!
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