quarta-feira, 8 de outubro de 2014

CONDIÇÕES DE TRABALHO NOS CALL CENTERS

Recentemente o novo Sindicato dos Trabalhadores dos Call Centers reclamou melhores condições de segurança e saúde no trabalho promovendo também uma petição para que a profissão seja reconhecida como de «desgaste rápido».Justo!
Embora no nosso país a investigação neste domínio seja muito reduzida, o mesmo não acontece em países como o Brasil, a França e até mesmo a Espanha! Em geral a maioria dos investigadores concorda em que esta nova profissão se assemelha em termos de condições de organização do trabalho às fábricas da era industrial! Disciplina, ritmos intensos de trabalho, vigilância dos supervisores (capatazes) carga física e mental intensa! Os problemas de saúde abundam apesar da maioria dos trabalhadores serem jovens. Problemas musculo-esqueléticos, em particular as tendinites, problemas de audição e visão e fadiga crónica.
 Estes problemas podem ser agravados pelo stresse laboral a que estão sujeitos estes trabalhadores, bem como por condições ambientais deficientes tais como iluminação, ruído e mobiliário não ergonómico. Assim justifica-se plenamente que as entidades fiscalizadoras das condições de trabalho coloquem os call centers como uma prioridade no que respeita á verificação das condições de segurança e saúde dos trabalhadores! Justifica-se inclusive a organização de uma campanha informativa e de sensibilização com a participação das organizações dos trabalhadores e as entidades públicas como a ACT, DGS e Segurança Social (departamento de doenças profissionais). Por outro lado, estes trabalhadores terão todo o interesse talvez em lutarem por um estatuto jurídico próprio que regule as respetivas condições de trabalho.

domingo, 5 de outubro de 2014

O DESGASTE PARA CHEGAR AO LOCAL DE TRABALHO!

Todos os dias milhares de trabalhadores são obrigados a percorrer longas distâncias para chegarem aos seus empregos! Nas cidades, em particular nas periferias de Lisboa e do Porto, chegar ao trabalho é, por vezes, um verdadeiro massacre! Autocarros e comboios sobrelotados obrigam a longas viagens de pé e enlatados como as sardinhas! 
De forma paciente e resignada os trabalhadores engolem a comida, colocam os filhos na escola, nos familiares ou nas amas e lutam tenazmente para chegarem a horas ao seu trabalho. As horas de transporte não são contadas como trabalho sob ponto de vista de remuneração mas contam para o desgaste físico e psíquico diário. Não se trabalha apenas 40 ou mais horas por semana de trabalho efetivo, mas trabalha-se perto de cinquenta ou sessenta horas ou mais se contarmos os transportes!
Neste sentido as medidas para se instituírem horários flexíveis e transportes rápidos, baratos e confortáveis são questões fundamentais de qualidade de vida e de trabalho que, em geral, poucas vezes são abordados nas conversas dos políticos. Estes têm em geral profissões liberais, entram tarde no escritório ou no Parlamento e deslocam-se de automóvel! É uma pequena diferença? Não, pelo contrário, faz toda a diferença! Para se ganhar consciência de um problema nada melhor do que viver pessoalmente esse problema! Daí a importância de um sindicalista ter experiencia de trabalho como qualquer outro trabalhador! Não apenas experiencia do passado mas atual! As mudanças no mundo do trabalho são tão grandes nos últimos anos que as pessoas que já não estão diariamente na empresa não se apercebem existencialmente da realidade!
A luta por transportes ao serviço das populações é hoje uma luta pela qualidade de vida e bem- estar dos trabalhadores! Os transportes privados possuem uma racionalidade virada para o lucro dos acionistas! Esta contradição terá que ser resolvida sendo a opção um transporte público de qualidade, amigo do ambiente e desmotivador do transporte privado que enche as grandes vias das periferias das cidades para os centros das mesmas!
A Troika, sob desculpa de pôr ordem nas contas das empresas de transportes, visa o seu desmantelamento como serviço público e entrega aos privados que vão sobrecarregar ainda mais a vida dos trabalhadores! A ligação das organizações de trabalhadores aos grupos de utentes para encontrarem perspetivas conjuntas é fundamental!

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

ESCOLAS:criar uma cultura de segurança e saúde no trabalho!

Criar uma cultura de segurança e saúde nas sociedades é dos grandes objetivos das últimas décadas traçado aliás pela OIT e assumido pela União Europeia nos programas e quadros estratégicos plurianuais. Neste sentido se inscreve a preocupação de introduzir a sensibilização para estas matérias nos curricula escolares, em particular nas escolas profissionais que, desde a década de oitenta, alguns organismos públicos, nomeadamente de início a Direção Geral de Higiene e Segurança no Trabalho, mais tarde o IDICT, o ISHST e agora a ACT procuraram efetivar! No longo percurso desta causa podemos lembrar o primeiro encontro nacional sobre esta matéria no LNEC, na década de oitenta, e, mais tarde, o PNESST um programa específico do IDICT para desenvolver a sensibilização da comunidade educativa e gradualmente introduzir matérias de SST nos estudos dos alunos. Nunca se fez um balanço global crítico do PNESST mas temos algumas informações que apontam para uma iniciativa inédita em Portugal que teve um sucesso assinalável e que morreu ingloriamente na praia! Mais tarde esta iniciativa veio a renascer na ACT, através da Campanha «Crescer em Segurança» e que em 2013 e este ano procura sensibilizar professores e alunos para as matérias de SST.O que mais espanta é que iniciativas interessantes morrem sem nunca serem devidamente avaliadas criticamente, renascendo posteriormente como fossem coisas novas, sem aproveitarmos a experiencia adquirida, os investimentos efetuados num esbanjamento inaceitável para um país de poucos recursos! A própria ACT, que vai agora, no próximo dia 2 de outubro relançar esta Campanha com um seminário de abertura no Parque das Nações, deveria refletir e assumir este património, integrando-o historicamente e aproveitando a experiencia acumulada para se realizarem iniciativas com qualidade! Iniciativas que não sejam meros fogachos, mas sim ações inseridas numa perspetiva mais ampla devidamente contemplada e objetivada na nova estratégia nacional de 2015-20120

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

HÍSTÓRIA DE VINDIMAS!

A melhor história de vindima da CASA DO FUNDO DO POVO é ainda do tempo em que o avô Bernardo fazia o vinho do Porto em casa. Depois de um dia de trabalho na adega, da encuba e do atesto dos cascos alguém deixou um pouco do delicioso néctar numa pequena selha.
No fim da azafama merendava-se no grande armazém o delicioso presunto,chouriço,broa e azeitonas com o vinho tinto da vindima anterior. Tudo home made !
 O avô Bernardo ao levantar-se deparou com o Rufete, o galarós lá de casa, rei da capoeira, de crista muito vermelha e grandes esporões como cavaleiro bem armado, caído no chão, crista murcha,roxa,esporões encolhidos, penas coloridas sem brilho. O avô pensou: " O que terá acontecido ao coquericó sempre a arrastar a asa às galinhas? É só abrir um buraco para enterrar o pobre!" mas outros afazeres se mostraram mais urgentes de momento,sendo o Rufete esquecido. A avó Ana já lhe tinha contado os dias,pois até quando ela ia deitar o milho dourado às galinhas, ele lhe andava à volta dos pés, de asa pelo chão,debicando grãos,com coricócó jovial e deixando-os cair de novo para que uma das jovens galinhas do harém o viesse comer.
Por outro lado ela até gostava dele,costumava murmurar: " Este nunca come.É como um cavalheiro!" Munido de pá e enxada para tratar da cova, o avô Bernardo foi surpreendido por um grande coquericócó, lançado do fundo da garganta, trabalhado e arrogante. Surpreendido soltou sonora gargalhada e percebeu o que tinha acontecido: Rufete tinha sido o primeiro a provar o Vinho do Porto daquele ano. Soubera o avô disso, quando o viu tombado, que teria ido directo para o forno. Tão bom como um peru bebado ! Maria da Glória-Laurentim no blogue ARCO IRIS

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

NÂO PACTUES COM O TRABALHO CLANDESTINO!

Com a crise atual o trabalho clandestino aumentou em toda a Europa e em particular em Portugal. Segundo estudos recentes a economia clandestina em Portugal pode ultrapassar os 26% do PIB nacional! São mais de 45 milhões de euros segundo alguns especialistas! Segundo dados da União Europeia mais de 13% dos europeus adquiriram bens ou serviços não declarados. Por outro lado, cerca de 3% afirma ter recebido parte do vencimento não declarado!
 Ora, esta situação precisa de ser enfrentada pelo Estado, pelas empresas legalizadas e pelos sindicatos. Efetivamente esta situação é uma perda enorme para a segurança social e para o fisco. Os próprios trabalhadores envolvidos nestas práticas são altamente prejudicados dado que não descontam para a segurança social com todas as consequências ao nível de desemprego, doença, reforma e demais direitos laborais!
Ao nível inspetivo a ACT tem desenvolvido algumas ações contra o trabalho não declarado ou parcialmente não declarado. Neste quadro em 2013 foram realizadas 13.687 visitas inspetivas direcionadas aos fenómenos de trabalho total ou parcialmente não declarado, com averiguação de 1.939 situações jurídicas (1.014 homens e 925 mulheres) e foram formalizados 4.076 procedimentos coercivos, a que correspondeu a moldura sancionatória mínima de €5.951.833. Foram levantadas, pelos inspetores do trabalho, 1.510 advertências. A Campanha promovida pela ACT contra o trabalho não declarado, a decorrer em 2014, vem intensificar a ação inspetiva neste domínio e tem a participação de associações de empresas e dos sindicatos.
Todavia, esta matéria tem necessidade de uma campanha nacional mais virada para a opinião pública, com impacto nos «media», chamando a atenção para o combate ao trabalho não declarado. Por outro lado, seria necessária uma ação articulada com a inspeção das finanças em grande escala para combater este tipo de práticas no terreno. Torna-se assim fundamental que ninguém pactue com o trabalho clandestino!

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

PENSAR A AÇÃO SINDICAL!

No movimento sindical também existem tabus! Um tabu é o ativismo sindical, ou seja a maneira de ser sindicalista, a prática sindical. Quase ninguém em Portugal questiona a prática sindical dos militantes sindicais.
Temos um padrão de ativista com formas práticas de agir que, em geral, nunca se questionam! Ainda há pouco uma delegada sindical se queixava de que a dirigente que normalmente a contacta está longos períodos sem falar com ela, mas nunca se esquece de a convocar para plenários e manifestações! O mail e a mensagem SMS substituem frequentemente os contactos pessoais perante a avalanche de trabalho a que o dirigente tem que fazer face! Mas na raiz desta questão está um problema que deve ser objeto de análise crítica.
Numa conjuntura difícil e complexa de ataques frontais aos direitos dos trabalhadores o ativismo sindical resume-se quase ao ativismo de rua, em que os trabalhadores, em particular os dirigentes e delegados, são chamados a uma constante movimentação que nem tempo têm para outras tarefas igualmente nobres e fundamentais para a ação sindical, nomeadamente a formação e a reunião de trabalhadores nos locais de trabalho. Esta conjuntura ajuda assim a determinar um figurino de sindicalista que está sempre na rua em protesto contestando as medidas políticas tomadas pelo governo, na empresa ou no setor.
Não se contesta que a ação sindical se deve centrar nos problemas concretos dos trabalhadores e nos seus interesses mais largos (políticos), sendo as lutas ganhas ou perdidas, por vezes, fora da empresa ou do setor. O que se deve ver com olhos críticos é o ativismo permanente, sem ser acompanhado por formação sindical e política dos delegados sindicais, sem reflexão partilhada com os trabalhadores. Há falta de tempo? As questões são em catadupa? Os ativistas são poucos para as tarefas imensas? É verdade! Mas não é por se estrebuchar muito que se evita a morte! De algum modo estrebuchar muito pode apressar a morte!

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

LUTAR CONTRA A INTIMIDAÇÃO NO TRABALHO!

Cada vez é mais frequente ver trabalhadores a queixarem-se de intimidação nos seus locais de trabalho! De forma sistemática aumenta o assédio moral nas empresas, tornando-se uma prática banal que atinge vários objetivos.
 O assedio moral é uma prática que procura humilhar a pessoa, tirar- lhe a autoestima para melhor a explorar ou despedir a prazo, sendo uma forma grave de discriminação no código do trabalho português. O assédio também está a ser utilizado contra representantes dos trabalhadores procurando desacredita´- los aos olhos dos outros trabalhadores! Há trabalhadores que se lamentam porque o seu patrão ou chefe nunca reconhece o seu trabalho e esforço, colocando de forma sistemática defeitos ao mesmo. O trabalhador sente-se ferido no seu brio profissional e sofre por nunca ver reconhecido o seu trabalho!
Ora, sabemos bem quão importante é ser reconhecido pelos nossos amigos, familiares, colegas e chefias! Podemos dizer que algum deste comportamento nem sempre será assédio, mas, muito mais, caraterística da personalidade do chefe ou patrão. Objetivamente uma personalidade que funciona desta maneira é uma pessoa que pratica consciente ou inconsciente o assédio moral tendo tal comportamento iguais consequências! Esta questão é hoje uma das principais fontes de sofrimento no trabalho. Caso não se denunciem estas práticas, a começar pelas vítimas, tornar-se-ão ainda mais banais e aceitáveis pela sociedade no seu conjunto.
O assédio moral no trabalho começa a ser estudado e debatido na sociedade portuguesa! Porém será necessário que se estudem as melhores formas de combater estas práticas nos locais de trabalho. Os serviços de segurança e saúde no trabalho e os sindicatos podem ter aqui um importante papel a desempenhar. Onde não existirem estas estruturas os trabalhadores podem criar grupos informais para combaterem e prevenirem tais práticas.