Utilizando o protagonista da série de animação Napo, a EU-OSHA, Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho em conjunto com o Consórcio Napo, concebeu uma série de ferramentas didáticas para professores sobre segurança e saúde no trabalho (SST), com o objetivo de incluir as questões de segurança e saúde, de uma forma divertida e imaginativa, na aprendizagem das crianças do ensino básico, utilizando os videoclipes e as atividades criativas do Napo. Estes recursos didáticos salientam as principais mensagens e objetivos educativos, apresentando aos professores de forma pormenorizada as atividades sugeridas e os recursos necessários, juntamente com um exemplo de plano de aula que pode facilmente ser transposto para uma aula normal de 40 minutos.ver aquiEste é um blog para comunicar com todos os que se preocupam com a promoção da segurança e saúde no trabalho em Portugal , na Europa e no Mundo. Trabalho há 25 anos nas questões de segurança e saúde no trabalho, particularmente nas área da comunicação social. Espero que outros escrevam para este blog, não apenas comentários a artigos que aqui apareçam mas também textos de opinião, chamadas de atenção para factos importantes,opiniões sobre política de prevenção, saúde e segurança.
quarta-feira, 3 de setembro de 2014
FILMES NAPO PARA APOIO A AULAS DE SST!
Utilizando o protagonista da série de animação Napo, a EU-OSHA, Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho em conjunto com o Consórcio Napo, concebeu uma série de ferramentas didáticas para professores sobre segurança e saúde no trabalho (SST), com o objetivo de incluir as questões de segurança e saúde, de uma forma divertida e imaginativa, na aprendizagem das crianças do ensino básico, utilizando os videoclipes e as atividades criativas do Napo. Estes recursos didáticos salientam as principais mensagens e objetivos educativos, apresentando aos professores de forma pormenorizada as atividades sugeridas e os recursos necessários, juntamente com um exemplo de plano de aula que pode facilmente ser transposto para uma aula normal de 40 minutos.ver aquiterça-feira, 2 de setembro de 2014
UCRÂNIA: esta guerra interessa a quem?
Todos os dias temos notícias da Ucrânia que vive uma verdadeira guerra civil! A informação generalista que nos chega pelos jornais e televisão é simplista e, na maioria dos casos manipuladora, ou seja, não nos diz toda a verdade e tem como objetivo levar-nos a apoiar as políticas ocidentais sem espírito crítico!Antes de mais temos que estudar a história da Ucrânia e da Rússia. O passado destes dois países mostra-nos como têm muito de comum e de algum modo interesses entrelaçados! Neste sentido, metade da Ucrânia fala ucraniano e outra metade fala russo! A dinâmica das recentes mudanças neste país colocou frente a frente populações que são culturalmente e politicamente diferentes.
Todavia, é importante fazer a seguinte pergunta: a quem interessa a desagregação da Ucrânia? Quais são os interesses geoestratégicos e de recursos naturais que estão em jogo? Porquê o envolvimento da UE, dos USA e da Rússia? Ora, sob a capa do apoio a uma parte dos ucranianos estão os Estados Unidos da América e a Europa, em particular a União Europeia. Sob a capa do apoio a outra parte, aos independentistas, está a Rússia de Putin.
Nas últimas mudanças em Kiev estão envolvidas um conjunto de forças políticas e sociais. Algumas destas forças pretendiam e pretendem um poder efetivamente democrático e anti oligárquico. Estarão neste caso algumas forças progressistas das classes trabalhadoras e alguns sindicatos. Todavia, as forças nacionalistas e as milícias fascistas, algumas com uma história tenebrosa desde os tempos do nazismo, lideraram a revolta em Kiev e não podem ouvir nem ver ninguém com ideias de esquerda! Para eles este tipo de pessoas são comunistas e, portanto, pró-russos! Chegaram mesmo a incendiar a sede dos sindicatos em Odessa! Querem o apoio do ocidente mas a democracia para eles é uma balela!
Lamentavelmente os USA e a União Europeia não fazem aparentemente qualquer destrinça neste caldeirão ucraniano! Os americanos definiram há muito tempo os seus objetivos estratégicos para a Ucrânia e para a Rússia. Impedir este país de voltar á sua grandeza imperial e de se tornar uma potência euroasiática! Nada melhor do que uma guerra nas suas barbas, precisamente no país chave para este objetivo russo. Manter este conflito em lume brando é o ideal até porque a hegemonia dos USA está a ser colocada em causa noutras partes do mundo! Por seu lado, Putin viu-se confrontado com uma situação delicada não apenas para as suas ambições de grande potência mas também porque se sente mais do que nunca cercado pela NATO, num anel que esta organização militar vai construindo etapa a etapa, aproveitando a animosidade histórica dos países do centro e leste contra a Rússia.
Perante o dilema de uma Ucrânia unida e anti Rússia ou uma Ucrânia fragmentada, mas em que uma parte esteja com a Rússia, Putin escolherá a última mesmo que isso lhe custe uma nova «guerra fria» Entretanto, a União Europeia capitaneada por uma Alemanha emergente na cena internacional converge no essencial com os USA, embora procurando não hostilizar Putin em demasia.
Neste jogo perigoso as grandes potências Rússia, USA e Alemanha procuram gerir a situação a seu favor sacrificando, se necessário, alguns milhares de europeus. Esta situação envenena o ambiente em toda a Europa, nomeadamente o sindicalismo europeu. A tentação dos sindicatos do leste europeu é, neste quadro, alinhar pelas teses mais ocidentais embora haja gente que analisa a situação com espírito crítico. Daí a dificuldade da CES em falar sobre esta tão importante questão europeia! As organizações de trabalhadores continuam dilaceradas por questões geopolíticas, tal como há mais de um século com a primeira grande guerra!
segunda-feira, 1 de setembro de 2014
UM SINDICATO AMIGO?
O sindicalismo na sua realidade concreta enfrenta atualmente vários desafios. Saliento apenas um ao nível da organização: a necessidade de concentrar organizações por razões económicas . A concentração por razões económicas conduz a grandes reestruturações juntando setores e sindicatos afins, sedes, equipamentos e federações em mega organizações.
Esta concentração pragmática confronta-se para além dos problemas de poder e de território com um problema maior. É que estas megas organizações, frequentemente dirigidas por funcionários e dirigentes experientes e burocratizados esquecem que as classes trabalhadoras estão fragmentadas em carreiras especializadas por grau académico, por especificidades muito próprias e que buscam afirmação da sua identidade e interesses. Neste quadro é frequente ouvir-se dizer que o sindicato do setor não ouve a nossa categoria ou classe, não quer saber de nós, temos que fazer o nosso sindicato!
Temos assim, em especial na administração pública, um proliferar de pequenos sindicatos e federações que buscam um maior reconhecimento e defesa de interesses de grupos específicos de trabalhadores. Lembro a criação recente do sindicato Nacional dos Assistentes Sociais, dos sindicatos das inspeções que criaram recentemente uma Federação, do sindicato dos trabalhadores dos impostos. Juízes e outros. No setor privado a recente criação dos Trabalhadores dos Call Centers. A reação das grandes organizações, incluindo as centrais sindicais, nem sempre é a mais positiva. Aparentemente não têm uma estratégia para além de desmobilizar esta dinâmica em nome do combate á proliferação sindical que na sua opinião enfraquece as classes trabalhadoras! Enfraquece? Claro, se a estratégia se resume a ignorar o outro e a sua reivindicação!
As iniciativas de criação de pequenos sindicatos devem ser levadas a sério pelos sindicatos já estabelecidos. Por vezes podem ser apenas iniciativas de um ou outro trabalhador sedento de protagonismo. Creio, porém, que na maioria dos casos existem razões objetivas que levam á criação de um sindicato específico. Os trabalhadores sentem a organização mais próxima, mais amiga e têm a sensação de que o grande sindicato estabelecido raramente está com eles, ou, se está, é para entregar um papel, convidar a uma manifestação! Ora, esta realidade deve desafiar os grandes sindicatos a pensarem numa outra abordagem a este problema. Dá trabalho? Pois dá e muito! Exige um sindicalismo que pensa constantemente a sua prática e não se deixa burocratizar!
Esta concentração pragmática confronta-se para além dos problemas de poder e de território com um problema maior. É que estas megas organizações, frequentemente dirigidas por funcionários e dirigentes experientes e burocratizados esquecem que as classes trabalhadoras estão fragmentadas em carreiras especializadas por grau académico, por especificidades muito próprias e que buscam afirmação da sua identidade e interesses. Neste quadro é frequente ouvir-se dizer que o sindicato do setor não ouve a nossa categoria ou classe, não quer saber de nós, temos que fazer o nosso sindicato!
Temos assim, em especial na administração pública, um proliferar de pequenos sindicatos e federações que buscam um maior reconhecimento e defesa de interesses de grupos específicos de trabalhadores. Lembro a criação recente do sindicato Nacional dos Assistentes Sociais, dos sindicatos das inspeções que criaram recentemente uma Federação, do sindicato dos trabalhadores dos impostos. Juízes e outros. No setor privado a recente criação dos Trabalhadores dos Call Centers. A reação das grandes organizações, incluindo as centrais sindicais, nem sempre é a mais positiva. Aparentemente não têm uma estratégia para além de desmobilizar esta dinâmica em nome do combate á proliferação sindical que na sua opinião enfraquece as classes trabalhadoras! Enfraquece? Claro, se a estratégia se resume a ignorar o outro e a sua reivindicação!
As iniciativas de criação de pequenos sindicatos devem ser levadas a sério pelos sindicatos já estabelecidos. Por vezes podem ser apenas iniciativas de um ou outro trabalhador sedento de protagonismo. Creio, porém, que na maioria dos casos existem razões objetivas que levam á criação de um sindicato específico. Os trabalhadores sentem a organização mais próxima, mais amiga e têm a sensação de que o grande sindicato estabelecido raramente está com eles, ou, se está, é para entregar um papel, convidar a uma manifestação! Ora, esta realidade deve desafiar os grandes sindicatos a pensarem numa outra abordagem a este problema. Dá trabalho? Pois dá e muito! Exige um sindicalismo que pensa constantemente a sua prática e não se deixa burocratizar!
quinta-feira, 28 de agosto de 2014
INVESTIGAÇÃO EM SST
O Estado português abdicou de ter um centro de investigação em Segurança e Saúde no Trabalho (SST).A orientação desde o tempo do IDICT foi assinar protocolos de cooperação com escolas e investigadores, quase exclusivamente para publicação de estudos através de apoios financeiros a projetos. Esta foi a política delineada pelo Estado sem que os parceiros sociais, tanto patronais como sindicais, tenham verdadeiramente lutado por outra alternativa! Entendemos que ter um centro com investigadores próprios seria um investimento avultado, pois tal significaria um quadro próprio com salários acima do quadro geral dos organismos do Estado e com equipamentos, instalações laboratoriais, enfim condições para que se pudesse fazer efetivamente investigação! Mas este facto não é alheio á baixa produção de investigação portuguesa neste domínio, sendo relativamente recente o interesse de alguns investigadores por estas matérias, excetuando a universidade do Minho e mais recentemente a Universidade de Aveiro.
São felizmente os cientistas sociais de algumas universidades que mais se têm destacado neste trabalho com estudos, artigos e consultadorias. O destaque vai para o ISCTE, no campo da sociologia e para a Escola de Saúde Pública!
Ao nível de publicações periódicas temos que referir a «Revista Segurança» uma revista histórica desta área e que tem melhorado substancialmente nos últimos anos, diversificando-se na temática e, mais recentemente ainda a implantar-se, «Segurança Comportamental» mais virada para os aspetos do comportamento humano.
A grande questão hoje é quem financia a investigação, pois os trabalhadores desta área também precisam de viver! Como é óbvio só as grandes empresas têm meios para investigações de folgo nesta matéria, para além do estado, obviamente! Porém este corta cada vez mais nas universidades e nos salários e bolsas dos investigadores! As grandes empresas poderão financiar a investigação mas apenas aquela que melhor servir os seus interesses!
terça-feira, 26 de agosto de 2014
AGÊNCIA EUROPEIA LANÇA PLATAFORMA WEB SOBRE SST
A Agência Europeia lançou ontem em Frankfurt, na Alemanha, uma iniciativa com muito interesse para quem trabalha nas questões de segurança e saúde no trabalho!Trata-se da OSHwiki, uma plataforma web que permite aos utilizadores criar, colaborar e partilhar conhecimentos sobre SST. A iniciativa foi lançada no Congresso Mundial de Segurança e Saúde que decorre naquela cidade alemã e que tem lugar de quatro em quatro anos.para saber mais sobre esta questão convém consultar o Portal daquela Agência Europeia. https://osha.europa.eu/pt segunda-feira, 25 de agosto de 2014
A MELHOR BIBLIOTECA EM SST!
A ACT detém a melhor biblioteca do país em segurança e saúde no trabalho situada na Av. Casal Ribeiro, 18-A em Lisboa.
Nem toda a gente ligada às questões do trabalho terá esta informação pelo que se torna pertinente falar deste equipamento público. Qualquer cidadão poderá utilizar esta biblioteca especializada nas horas de expediente e usufruindo do apoio de técnicos superiores conhecedores das temáticas e das técnicas de pesquisa.
O catálogo desta biblioteca engloba bibliografia portuguesa e estrangeira, incluindo o fundo documental da base bibliográfica do Centro Internacional de Informação sobre Segurança e Higiene do trabalho (CIS) da OIT, do qual é único detentor em Portugal.
Este equipamento da ACT veio originariamente da Direção Geral de Higiene e Segurança no Trabalho, depois integrada no IDICT e no ISHST, vindo assim enriquecer o espólio da Inspeção do Trabalho mais pobre nas matérias de SST, embora com mais documentos relativos às relações laborais. Com o aparecimento da internet a Biblioteca teve menos utentes embora continue a ser visitada, nomeadamente por investigadores, técnicos de SST e estudantes. Os cortes orçamentais têm impedido o seu enriquecimento e atualização anual o que é lamentável! Tel. 213 308 725
Nem toda a gente ligada às questões do trabalho terá esta informação pelo que se torna pertinente falar deste equipamento público. Qualquer cidadão poderá utilizar esta biblioteca especializada nas horas de expediente e usufruindo do apoio de técnicos superiores conhecedores das temáticas e das técnicas de pesquisa.
O catálogo desta biblioteca engloba bibliografia portuguesa e estrangeira, incluindo o fundo documental da base bibliográfica do Centro Internacional de Informação sobre Segurança e Higiene do trabalho (CIS) da OIT, do qual é único detentor em Portugal.
Este equipamento da ACT veio originariamente da Direção Geral de Higiene e Segurança no Trabalho, depois integrada no IDICT e no ISHST, vindo assim enriquecer o espólio da Inspeção do Trabalho mais pobre nas matérias de SST, embora com mais documentos relativos às relações laborais. Com o aparecimento da internet a Biblioteca teve menos utentes embora continue a ser visitada, nomeadamente por investigadores, técnicos de SST e estudantes. Os cortes orçamentais têm impedido o seu enriquecimento e atualização anual o que é lamentável! Tel. 213 308 725
sábado, 23 de agosto de 2014
STRESSE E CAPITALISMO!
A Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho leva a cabo até 2015 uma campanha para prevenir o stresse laboral! Uma iniciativa louvável de informação e sensibilização para as causas e consequências dos fatores de risco, tanto para os trabalhadores individualmente considerados, como para as sociedades e o bem comum.Uma recente sondagem europeia realizada por aquela Agência Europeia revelava que 72% dos trabalhadores consideram que a reorganização do trabalho ou a insegurança em termos de emprego constitui uma das causas mais comuns de stresse relacionado com o trabalho. Por outro lado, 66% atribuem o stresse a «horas de trabalho excessivas ou carga de trabalho», enquanto outros 59% atribuem o stresse ao facto de «estarem sujeitos a comportamentos como bullying e assédio»
Penso que está tudo dito quanto às principais causas modernas do stresse no trabalho no quadro da economia moderna ou do capitalismo atual. Este, mais do que nunca e em nome da competitividade ou da satisfação dos clientes, exige pesadas cargas horárias, ritmos de trabalho intensos, flexibilidade global e total! Para descartar um trabalhador menos produtivo e que é necessário despedir utiliza-se frequentemente a insegurança, o cutelo do despedimento, enfim, o assédio mora!
Perante esta realidade palpável que uma larga percentagem de trabalhadores sofre podemos concluir que o stresse laboral veio para ficar e é uma presença estrutural da gestão moderna e capitalista. Esta realidade nua e crua não é em geral abordada nas reuniões, conferencias e seminários oficiais ou empresariais. Não se coloca o dedo na ferida, ou seja, que é a dinâmica da economia atual que exige e cria os fatores de stresse, que é o próprio trabalho assalariado moderno que está em crise! O próprio discurso da Agência Europeia reconhece que o stresse se deve combater no quadro da produtividade, ou seja, não se pode pôr esta vaca sagrada em causa!
O capitalismo atual utiliza cada vez menos trabalhadores e os que utiliza é por pouco tempo, descartando e reciclando num ciclo infernal. Os que vão ter trabalho estão expostos a uma sobre-exploração onde o stresse é um ingrediente! O crescimento do stresse e das doenças psicossociais é um dos sintomas mais evidentes que esta economia está doente!
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