quinta-feira, 29 de maio de 2014

O STRESSE NO TRABALHO VISTO PELO NAPO!

«O stresse no trabalho é responsável por uma grande percentagem de dias de trabalho perdidos e o número
de pessoas que sofrem de doenças relacionadas com o stresse está a aumentar. No seu estilo divertido do costume, o Napo identifica algumas das causas do stresse no trabalho, incluindo o excessivo volume de trabalho, baixos níveis de controlo, pressão constante, comportamento inaceitável, falta de respeito, mudanças no local de trabalho, mau planeamento e instruções contraditórias responsáveis por erros, fadiga, esgotamento, exaustão e fraco desempenho.
Os riscos psicossociais no trabalho podem ser geridos de uma forma eficaz, tendo em conta que a gestão dos riscos contribui para o bem-estar dos trabalhadores e o desempenho das empresas. A prevenção é o mais importante. O filme destina-se a todos os ambientes laborais e visa promover o debate sobre alguns dos principais problemas com que se deparam trabalhadores, gestores e diretores.Ver aqui


terça-feira, 27 de maio de 2014

BARRAGENS KILLER?

As barragens do norte, todas da EDP, têm sido notícia pelos piores motivos, ou seja, pela morte de trabalhadores. É em Vieira do Minho, é em Foz Tua, é no Sabor, enfim, uma quantidade de obras envolvendo milhares de trabalhadores e centenas de empresas subcontratadas! Os inspetores do trabalho procuram acompanhar as obras, algumas de grande complexidade, e suspendem frequentemente uma ou outra frente de trabalho! O que é que está a acontecer? Pois, a crise tem as costas largas! Existe menor investimento na segurança e saúde no trabalho? É possível! Ou seja a EDP mudou de mãos e a sua racionalidade hoje é outra! Já foi tempo em que esta empresa era apontada como exemplo nestas matérias! Será que estas obras não exigiriam um plano especial de vigilância da parte da ACT, inclusive com apoio técnico especializado aos inspetores do trabalho, caso sendo necessário? Mas, fundamental seria não cortar no orçamento desta entidade inspetiva para que a mesma tivesse viaturas e gasóleo para as mesmas. Mas, quem está tão interessado em que o nosso mercado funcione livremente e os acionistas e investidores sejam bem remunerados não pensará certamente na morte de simples operários de quem nem o nome se conhece! Não entendo é o silêncio do sindicato da construção do norte que faz tanta propaganda e agora não tem falado muito! Todos queremos emprego mas com dignidade, ou seja, também em condições de segurança! Estas barragens do norte matam! São verdadeiramente barragens Killers! O que se faz é pouco, portanto!

segunda-feira, 26 de maio de 2014

SAÚDE NO TRABALHO: uma portaria para «inglês ver»?

Segundo portaria recentemente publicada, a nº112 /2014, a partir de 22 de junho próximo os centros de saúde ficarão encarregues de mais uma tarefa, ou seja, a de prestar os cuidados de saúde primários no âmbito da saúde no trabalho. A quem? Aos trabalhadores independentes e do serviço domestico, artesão, pescadores e trabalhadores de microempresas!
 Os médicos, que não foram consultados para o efeito, encontram-se agora com mais um sério problema para resolver. De uma penada o ministério da saúde obriga os médicos de clínica geral a fazerem de médicos do trabalho! A questão seria para rir se não fosse tão séria!
Desde o início que a legislação tinha previsto que para aqueles trabalhadores pudesse existir uma resposta do Serviço Nacional de Saúde! Não estava mal vista a questão, pois o legislador não só considerava a saúde laboral uma questão de saúde pública como permitiria o acompanhamento dos trabalhadores independentes, agricultores, pescadores e de pequenas empresas a custos reduzidos. Todavia, esta portaria será apenas para «inglês ver»? É que, sendo a sério, tal exigiria a implementação de uma componente de saúde laboral em alguns dos centros de saúde com recrutamento de médicos e enfermeiros do trabalho e formação dos clínicos gerais e eventual reforço de equipamento. Não basta dizer aos que ali trabalham para fazerem também saúde laboral!
 Ora, num contexto de grandes cortes orçamentais na saúde não se vislumbra qualquer investimento nesta matéria! Tal seria claramente uma aposta no reforço da saúde laboral pública, incluindo também outros técnicos para apoio na prevenção dos riscos psicossociais, claramente em ascensão nos tempos que correm e que são causa importante de dias perdidos de trabalho e de problemas de saúde bem graves! Esta dimensão não está prevista na portaria.
 Tal estratégia leva tempo a implementar e deve ser construída com os técnicos dos respetivos centros. Existe também uma hipótese algo perversa que é o ministério da saúde promover aqui mais um negócio para conseguir uns dinheiros obrigando os trabalhadores dos centros de saúde a doses cavalares de trabalho.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

QUEM SOFRE DE STRESSE É UM FRACO?

Segundo alguns estudos, nomeadamente da Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho, revelam que 50 a 60% de todos os dias de trabalho perdido podem ser atribuídos ao stresse relacionado com o trabalho. Por outro lado, 28% dos europeus sentem que a exposição a riscos psicossociais afetam o seu bem -estar mental.
Relativamente às causas 72% dos trabalhadores consideram que a reorganização do trabalho ou a insegurança no emprego constituem as principais causas do stresse laboral. Metade dos patrões e gestores europeus respondem em alguns inquéritos que não acreditam que os seus trabalhadores tenham ou venham a ter problemas de stresse e que o problema é muito difícil de gerir. Ora, antes de mais há que combater a ideia muito enraizada, ainda hoje, nos patrões e dirigentes de que o trabalhador ou trabalhadora que se queixa de stresse é um fraco.
Há gestores e dirigentes que, até terem a primeira quebra, pensam que o mundo é para os fortes. Recentemente vi um anúncio num jornal par diretor comercial que colocava como uma das condições«uma forte motivação e capacidade de resistência ao stresse»
O stresse é visto como uma debilidade psicológica que afeta apenas pessoas moles, sem objetivos e com problemas em casa! Nada mais errado!
 O stresse pode afetar qualquer pessoa, nomeadamente os mais guerreiros e os que pensam que enfrentam todos os obstáculos. De facto, o stresse laboral é uma questão organizacional e não individual, embora possam existir características pessoais que facilitem a situação. Neste sentido é importante estudar, através de uma avaliação de riscos, a organização da empresa ou dos serviços e adotar um plano de prevenção.
Os trabalhadores afetados não devem esconder a situação com receio de que sejam considerados pessoas fracas. Reconhecer a situação e procurar as causas é uma medida de coragem. Aliás, estas situações nunca poderão ser resolvidas de forma solitária. As organizações de trabalhadores existentes nas empresas devem dar uma atenção progressiva aos riscos psicossociais!

segunda-feira, 19 de maio de 2014

AMIANTO NOS EDIFÍCIOS PÚBLICOS-é para levar a sério?

O que se passa com o caso do amianto em edifícios públicos em Portugal é um exemplo de como funcionam os portugueses perante ameaças á saúde pública e até ameaças de outro tipo que, felizmente, não temos enfrentado nas últimas décadas, para além de algum acidente rodoviário ou uma cheia mais ou menos controlável!
Em geral o caso aparece na imprensa e ganha um eco tal que necessariamente obriga a que as entidades mais ou menos responsáveis se pronunciem de forma célere com medo de que, caso o não façam, possam aparecer como não competentes aos olhos da opinião pública! O caso da gripe das aves é paradigmático e valeria a pena estudá-lo. Agora temos o caso do amianto.
 A imprensa obrigou as entidades públicas a reconhecerem que não estavam a fazer nada no caso dos edifícios públicos com amianto, apesar das resoluções da Assembleia da República e decretos do governo publicados no Diário da República.
Perante a situação é solicitada a cada ministério uma lista elaborada a «olhómetro» de edifícios com amianto. Esta lista, que deveria estar elaborada em março e entregue á ACT, tarda em chegar, para além de ser um trabalho pouco útil ou melhor dito, será uma perda de tempo. Porquê? Porque seria muito mais rápido e eficaz que esta lista fosse elaborada por técnicos que definissem de imediato, após avaliação de riscos, quais os locais a intervencionar para se tomarem adequadas medidas de prevenção, nomeadamente remover ou enclausurar o amianto.
A lista que foi pedida a cada ministério como um primeiro levantamento foi apenas um paliativo burocrático para calar a imprensa e descansar a opinião pública em vésperas de eleições! Foi um expediente barato ao Estado que, no fundo, está indiferente relativamente á morte de funcionários públicos! Será que na Função Pública alguém se interessa realmente pela sorte de algum funcionário? Claro que não! A degradação das relações de trabalho chegou a tal ponto que o destino de cada um é absolutamente indiferente para os que dirigem o Estado.
De facto é importante que não se caia no alarmismo. Mas em Portugal tenho mais medo do contrário, ou seja, de que nada se leve a sério! Tudo se relativiza, se arranjem paninhos quentes para tudo, em particular para retirar responsabilidades e poupar em nome da austeridade! Será que a questão do amianto nos edifícios públicos não vai cair no esquecimento e a verdadeira intervenção nunca se fará? É possível se não estivermos atentos! Todos os trabalhadores, os sindicatos e a imprensa!

TRAFICO DE SERES HUMANOS AUMENTA!

Em Abril passado o Observatório do Tráfico de Seres Humanos publicou o seu Relatório sobre 2013.Comparativamente a 212 foram sinalizadas mais vítimas, com um aumento de 146%. 
Os números gerais do relatório mostram o seguinte cenário: entre as 299 pessoas sinalizadas como sendo potencialmente vítimas de tráfico em Portugal há 49 menores e 250 adultos. A maioria são estrangeiros. Os romenos são os mais representados (185 sinalizações, incluindo seis menores com uma média de idades de oito anos), mas também há cidadãos da Guiné-Bissau, Nigéria, Brasil, Bulgária...
Quanto a portugueses sinalizados como potenciais vitimas de tráfico de seres humanos, em território nacional, são 31, dos quais 17 menores de idade (com uma média de 13 anos). Há ainda nove cidadãos portugueses sinalizados no estrangeiro como potenciais vítimas – o que representa uma redução de 80% em relação às sinalizações feitas em 2012, segundo o relatório: "O decréscimo de sinalizações no estrangeiro é explicável pela ausência de grandes ocorrências no estrangeiro durante 2013: em 2012 uma só ocorrência envolveu 35 presumíveis vítimas (suspeita de exploração laboral na Alemanha)."
 Se no caso dos 250 adultos sinalizados a suspeita de exploração laboral era a mais frequente (ela está presente em 198 denúncias feitas em Portugal), entre as crianças e jovens é a de exploração sexual. As presumíveis vítimas são, em geral, meninas, entre os 13 e os 17 anos, da Nigéria, Guiné-Bissau e também algumas portuguesas.
A maioria do tráfico para exploração laboral sinalizou-se no Alentejo e Ribatejo nas explorações agrícolas que produzem para a agroindústria ou para os mercados de grandes cidades como Lisboa e Madrid (legumes) Estas explorações são elogiadas por este governo pela sua eficácia exportadora! Pudera!

quinta-feira, 15 de maio de 2014

TURQUIA:mineiros pagam com a vida falta de segurança!

Ceca de 250 mineiros turcos morreram após uma explosão numa mina em Soma, na Turquia! O Primeiro -Ministro e a sua comitiva foram apedrejados quando se aproximaram do local! 
Nas profundidades da mina ainda se encontra mais de uma centena de mineiros bloqueados pelo fogo e certamente condenados num acidente que ficará registado como o mais trágico da história laboral daquele país. De assinalar a reação popular que se manifestou junto da empresa mineira em Istambul e na famosa Praça Taksim sede de todos os protestos turcos! ASSASSINOS! Foi a palavra escrita na sede da empresa!
Tal como no grande desastre mineiro do Chile em 2010, também aqui há responsáveis pois a empresa foi avisada sobre as deficientíssimas condições de segurança existentes! Responsáveis políticos e empresariais. O destino deles deveria ser a cadeia após apuramento do grau de responsabilidade! Infelizmente em alguns países o crime compensa! As multas por falta de segurança são tão ridículas que não investir nas condições de trabalho é lucrativo! Este acontecimento, que o governo quer banalizar está a criar grandes ondas de contestação, servindo para as pessoas se consciencializarem que não existem tragédias inevitáveis, nomeadamente no mundo do trabalho.
Todos os acidentes têm causas e a negligência paga-se cara, com vidas humanas! Uma mina não pode ser um local de exploração criminosa de trabalhadores em benefício de uma elite económica ou política! É um trabalho de alto risco que exige severas medidas de segurança e promoção da saúde dos trabalhadores! Os sindicatos turcos estão a reagir e têm naturalmente a solidariedade sindical internacional. Bernardete Segol Secretária Geral da CES lamenta e espera que a Turquia invista na segurança e saúde dos trabalhadores.