O filme «A Gente / C(us)todians», realizado por Aly Muritiba, foi proclamado vencedor do Prémio Cinematográfico «Locais de Trabalho Seguros e Saudáveis» 2013, no Festival Internacional de Leipzig de Cinema Documental e Animado (DOK Leipzig). Esta é a quinta vez que a Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho (EU-OSHA) atribui um prémio cinematográfico ao melhor documentário sobre temas relacionados com o trabalho. O filme A Gente / C(us)todians, do cineasta brasileiro Aly Muritiba, descreve a vida quotidiana numa prisão brasileira do ponto de vista dos guardas, retratando um ambiente laboral difícil e promovendo o debate sobre os riscos psicossociais presentes no local de trabalho, que será o tema da próxima Campanha «Locais de Trabalho Seguros e Saudáveis» 2014-2015 da EU-OSHA. VERhttps://osha.europa.eu/pt/competitions/hw_film_award_2013
Este é um blog para comunicar com todos os que se preocupam com a promoção da segurança e saúde no trabalho em Portugal , na Europa e no Mundo. Trabalho há 25 anos nas questões de segurança e saúde no trabalho, particularmente nas área da comunicação social. Espero que outros escrevam para este blog, não apenas comentários a artigos que aqui apareçam mas também textos de opinião, chamadas de atenção para factos importantes,opiniões sobre política de prevenção, saúde e segurança.
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
DOCUMENTÁRIO«A GENTE/C(us)todians» venceu Premio europeu de SST
O filme «A Gente / C(us)todians», realizado por Aly Muritiba, foi proclamado vencedor do Prémio Cinematográfico «Locais de Trabalho Seguros e Saudáveis» 2013, no Festival Internacional de Leipzig de Cinema Documental e Animado (DOK Leipzig). Esta é a quinta vez que a Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho (EU-OSHA) atribui um prémio cinematográfico ao melhor documentário sobre temas relacionados com o trabalho. O filme A Gente / C(us)todians, do cineasta brasileiro Aly Muritiba, descreve a vida quotidiana numa prisão brasileira do ponto de vista dos guardas, retratando um ambiente laboral difícil e promovendo o debate sobre os riscos psicossociais presentes no local de trabalho, que será o tema da próxima Campanha «Locais de Trabalho Seguros e Saudáveis» 2014-2015 da EU-OSHA. VERhttps://osha.europa.eu/pt/competitions/hw_film_award_2013
terça-feira, 12 de novembro de 2013
A IGREJA PORTUGUESA E O TRABALHO!
Recentemente o Bispo de Lisboa, D. Manuel Clemente, referiu-se ao mundo do trabalho dizendo que estamos a passar tempos difíceis e que alguns passam uma imerecida pobreza. Fala mesmo em desafio civilizacional nesta matéria dando a entender que são necessárias mudanças na organização do trabalho. Uns dias antes teria dito também algo sobre a necessidade dos portugueses gastarem menos tendo em conta a crise!
Os responsáveis máximos da Igreja católica Portuguesa sentem, em geral, muita dificuldade em falar sobre o trabalho e em particular sobre os seus conflitos! Diria mesmo que é um problema que afeta a Igreja universal apesar das encíclicas papais. Em geral, não falam claro sobre o tema, existindo frequentemente uma grande ambiguidade nas suas afirmações.
É óbvio que não se querem comprometer, preferindo pairar sobre a matéria, defendendo no fundo o que a Igreja sempre defendeu que é a chamada «colaboração de classes».
Sendo essa a sua posição, a de que o capital e o trabalho se devem entender, os bispos falham, no entanto, no seu discurso e estratégia comunicacional aparecendo como aliados de um dos lados, ou seja do capital. Objetivamente aparecem ao grande público e aos trabalhadores como efetivos aliados dos patrões! O que parece é! E esta situação tem peso no conflito existente, mais agudo ou mais brando, entre o capital e o trabalho. As últimas declarações de D.Policarpo, ainda como Bispo de Lisboa, sobre o momento político nacional foram aliás desastrosas.
Não querendo fazer processos de intenção, dizendo que eles em Portugal estarão pessoalmente mais próximos das forças políticas ligadas ao poder económico, vou apontar apenas uma das razões para esta situação. A falta de preparação teológica e comunicacional da maioria dos bispos portugueses, apesar de se apresentarem, e serem de facto, no caso de D. Clemente e outros, como intelectuais de prestígio.
A formação teológica em Portugal, hoje monopolizada pela conservadora Universidade Católica, teve graves lacunas na formação do clero, em particular da geração dos atuais bispos. Nos curricula dos estudantes de teologia o mundo do trabalho nunca foi refletido á luz da fé cristã de forma consistente, profunda, tendo em conta a tradição, a ciência política e outras ciências sociais. Existia o estudo da doutrina Social da Igreja e pouco mais. A única tentativa inovadora neste campo foi a experiencia do Instituto Superior de Estudos Teológicos de Lisboa, ISET, na década de setenta, liquidada logo após o 25 de Abril para não fazer concorrência á Universidade Católica.
Pela Europa já existia um trabalho mais profundo sobre estas matérias e até nas américas do norte e do sul. Foi, aliás, no sul que nasceu a teologia da libertação que inspirou as práticas de tantos cristãos nas lutas contra as ditaduras e a exploração vergonhosa dos trabalhadores.
Esta carência condiciona hoje a reflexão dos responsáveis da Igreja portuguesa sobre uma das questões globais mais importantes do atual momento. Não os desculpa porque o trabalho e o seu significado vital para as pessoas é central. Os bispos não podem ser especializados em todas as matérias mas podem pedir a colaboradores para prepararem as suas intervenções e documentos. Só ganhariam com uma posição clara fundamentada e contextualizada! Deveriam inclusive ouvir mais os movimentos de trabalhadores cristãos como a L0C/MTC e a j0C.A negligência tradicional nesta matéria tem, por sua vez, uma leitura política! Voltaremos ao assunto.
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
NOVA PUBLICAÇÃO-Segurança das máquinas e equipamentos de trabalho!
A Autoridade para as Condições do Trabalho acaba de publicar mais um guia prático no seu website intitulado «Segurança de máquina e equipamentos de trabalho» da autoria de um grupo de inspetores e técnicos desta entidade. Documento que pode ser muito útil para quem é responsável pelas questões de segurança e saúde nas empresas. O documento aborda as questões da sinistralidade no setor, as exigências legais e técnicas para a utilização de máquinas com uma abordagem tendo em conta a «Diretiva Maquinas». A ter sempre á mão! «O trabalho com máquinas e equipamentos de trabalho constitui uma das atividades que está na origem de inúmeros acidentes de trabalho. Para melhor caracterizar esta realidade foi efetuada a análise de uma amostra de inquéritos de acidente de trabalho mortais ocorridos com máquinas, efetuados pelos Inspetores da Autoridade para as Condições de Trabalho (Gomes, 2008). De um conjunto de 366 registos de acidente mortal, foram identificados 161 acidentes ocorridos durante o trabalho com máquinas ou cujas lesões foram originadas por máquinas…»Ver na página da ACT em publicações eletrónicas.quarta-feira, 6 de novembro de 2013
A F0ME!
«Passei o mês de Agosto a ir ao hospital todos os dias. E em cada um desses dias veio um enfermeiro ou auxiliar ter comigo à porta do refeitório para lembrar-me que eu não podia entrar ali. Eu ia de braço dado com o meu pai e só queria garantir que ele chegava inteiro à cadeira, e preparar-lhe a comida, como se faz com as crianças, tirar as espinhas do peixe, descascar-lhe a laranja.
Com bons modos, mas sem deixar margem para protestos ou pedidos especiais, apareceu sempre alguém para mandar-me sair porque só os doentes podem entrar no refeitório, as visitas estão proibidas de fazê-lo. A proibição justifica-se por razões de organização interna, espaço, ruído, etc. A razão principal só se sabe ao fim de alguns dias a passear pelos corredores: enquanto puderam entrar no refeitório, era frequente as visitas comerem as refeições destinadas aos doentes. Sentavam-se ao lado dos pais, avós, irmãos, maridos ou mulheres e iam debicando do seu prato, ou ficando com a parte de leão.
À minha ingénua indignação inicial, seguiram-se muitas histórias de miséria que ajudam a explicar como se pode chegar aí. Só quem, como eu, nunca a passou, demora a entender que a fome pode roubar tudo a um ser humano. Rouba-lhe a solidariedade até com os do seu sangue, a dignidade, o respeito, tudo aquilo que o faz ser gente. E pelo retrato que vi nesse hospital público do Porto, há fome nos nossos hospitais. Doentes que pedem ao companheiro do lado o pão que lhe sobrou, a laranja que não lhe apeteceu comer, a sopa que deixou a meio. Há quem diga que prefere comer um pão simples, ao lanche, para esconder na fímbria do lençol o pacote da manteiga ou da compota para mandar para os catraios lá de casa.
Há quem não anseie pelo dia da alta porque, pelo menos ali, come as refeições todas. Há quem vá de mansinho à copa perguntar se dos outros tabuleiros sobrou alguma coisa que lhe possam dispensar. Fica-se com um nó na garganta com tudo o que se vê e vira-se a cara para o lado com vergonha.
Vergonha por ser parte disto, por não ter gritado o suficiente, por não ter sido parte da mudança que se reclama há tanto. E depois estão os caixotes de lixo remexidos pela noite fora, as filas para as carrinhas de distribuição de alimentos, o passeio do albergue cheio de gente, gente que vagueia como sonâmbula, que discute por uma moeda de vinte cêntimos ou por um portal onde dormir. E estão – a nossa maior vergonha – as cantinas escolares que têm de abrir nas férias para garantir a única refeição diária de tantas crianças, as mesmas cantinas que sabemos que estarão encerradas à hora do jantar. A fome reduz-nos à biologia, despoja-nos de qualquer ideal, impede-nos de dizer não ou de levantar um dedo acusatório, e será pela fome que, como num passado não tão remoto assim, procurarão dominar-nos.
Quando se fazem campanhas eleitorais distribuindo benesses sob a forma de electrodomésticos, medicamentos que a miserável reforma de um velho não pode comprar, ou mandando matar porcos para apaziguar a fome nos bairros sociais, o que aparece mascarado de acção solidária não é mais do que a manipulação despudorada da necessidade alheia, necessidade a que, aliás, estas pessoas foram sendo condenadas, por décadas de injustiça social, corrupção, gestão ruinosa, e todos os etcs. que conhecemos demasiado bem mas a que nem por isso somos capazes de pôr fim.
E se nos distrairmos ainda acabamos a apontar o dedo aos excluídos, a fazer contas ao rendimento mínimo do vizinho, a aplaudir o corte no salário, na pensão, no subsídio, como se a igualdade se fizesse rebaixando, como se a solução fosse difundir a miséria em vez de democratizar as condições para uma vida digna.
Confesso que sinto o imperativo moral de pagar uma refeição a quem ma pede, mas tenho dificuldades em lidar com essa pessoa. Porque quero que fique claro que a relação entre nós, se se pode chamar relação, apenas deve ser de respeito mútuo e, sendo certo que em qualquer momento futuro as nossas imposições podem inverter-se, temos, um para com o outro, a mesma obrigação. Mas sinto-me sempre desconfortável com a mendicidade do outro, com a sua posição de aparente debilidade, com a minha ilusória superioridade. A fome de uns é a fome de todos e já é hora de a sentirmos assim, mesmo que não nos aperte o estômago, mesmo que não nos roube a nossa dignidade.»
Carla Romuualdo
terça-feira, 5 de novembro de 2013
A FALÁCIA!-nem todos pagam a crise!
A ideia de que a crise atual afeta todo o povo português é uma das maiores falácias da atualidade! Os governantes e ajudantes, bem como os diversos comentadores procuram incutir esta ideia no povo português mas é um engano e visa objetivamente colocar a crise como uma espécie de epidemia que afeta toda a gente e pela qual ninguém é responsável! Ainda esta semana numa revista a mulher do primeiro- ministro dizia «que todos estamos a sentir a crise na pele»! Imaginem! Se estivermos atentos ao dia a dia veremos que, pelo contrário, existe uma minoria de portugueses que está melhor e até ganha com a presente crise. Existência de preços mais apetecíveis em alguns bens e serviços, autoestradas limpas para eles, restaurantes de topo sem as classes médias e negócios ligados a determinados setores de exportação e de investimento em capital. Isto para não falar em pessoas particularmente privilegiadas como desportistas de alta competição, altos dirigentes do Estado e do governo, gestores/administradores do privado e das empresas públicas. Há sempre beneficiados de uma certa política implementada. O orçamento do Estado para 2014 é claramente um Orçamento virado para cortar nos serviços públicos afetando os respetivos funcionários e os mais pobres. Um orçamento é o mais importante documento de um governo porque aí se definem as políticas e a distribuição para as mesmas. Neste orçamento gasta-se quase oito mil milhões para juros e amortizações da dívida que está sempre a crescer! A educação é muito penalizada e, embora menos, também o Serviço Nacional de Saúde. As grandes empresas e os bancos são poupados e pensam em descer o IRC para as empresas! Entretanto, os deputados da maioria e respetivos governantes choram lágrimas de crocodilo dizendo que os portugueses, sempre no geral, são heróis por aguentarem tantos sacrifícios! Ora há, de facto, muita gente a passar muito mal. Todavia, são muitos os portugueses que escondem a sua situação de pobreza. A nossa sociedade foi bombardeada nas últimas décadas com o discurso do sucesso. Quem não tem sucesso e empobrece sente-se muito mal e até culpado! Tal como procura esconder a morte, a doença e a velhice a sociedade capitalista de consumo e hedonista procura esconder a pobreza e a miséria com os holofotes do falso sucesso culpabilizante!
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
EMPREGOS VERDES SÃO SEGUROS?
Temos tendência para associar a palavra «verde» a segurança, mas o que é bom para o ambiente não o é necessariamente para a saúde e a segurança dos trabalhadores com empregos verdes. Em alguns casos, já vimos legislação e tecnologias novas, concebidas para proteger o ambiente, darem origem a um risco agravado para os trabalhadores. A redução da quantidade de resíduos a enviar para aterros, por exemplo, deu origem a taxas mais elevadas de acidentes e doenças entre os trabalhadores incumbidos de os tratarem.Ver
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
AZEITONA NO ALENTEJO-escravatura atual!
Dezenas de trabalhadores clandestinos foram detetados ontem,29 de Outubro pelos inspetores do trabalho em herdades/olivais do Baixo Alentejo.A maioria era de nacionalidade romena, trabalhavam sem horários e viviam em condições miseráveis!Vejamos o que divulgou hoje a Autoridade para as Condições do Trabalho:
«Constatou-se que destes 71 trabalhadores romenos 21 não se encontravam declarados á segurança social. Por outro lado, não existia mapa de horário de trabalho nem registo dos tempos de trabalho, situação que será objeto de procedimento contraordenacional.
Em matéria de segurança e saúde no trabalho verificaram-se ainda diversas irregularidades com destaque para as seguintes matérias:
• Ausência de realização de exames médicos de saúde de admissão aos trabalhadores de nacionalidade romena;
• Ausência de extintores nos tratores identificados na exploração;
• Ausência de proteção coletiva nos órgãos móveis, nomeadamente, no veio de cardans e na tomada de força dos tratores;
• Ausência de vidro frontal num dos tratores identificados;
• Ausência de fornecimento de água, pela entidade, aos trabalhadores;
Nas instalações sociais e de alojamento os inspetores verificaram também:
• A existência de botijas de gás no interior das instalações;
• Ausência de extração de fumos e vapores;
• Instalação elétrica sem as mínimas condições de segurança; ausência de extintores;
• Instalações sanitárias sem as mínimas condições de higiene e de utilização.
A entidade empregadora irá ser objeto de notificação para apresentação de documentos e para tomada de medidas e de recomendações relativamente às irregularidades verificadas. »
É assim que se consegue a tal competitividade da nossa olivicultura? Trabalho sem direitos ?
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