segunda-feira, 1 de julho de 2013

APOIO AO DOMICÍLIO E SEGURANÇA DOS TRABALHADORES!

Quem está informado ou tem experiencia do trabalho profissional de apoio ao domicílio certamente já se deu conta de que em Portugal as exigências legais quanto á qualidade dos equipamentos e serviços tem aumentado consideravelmente! E ainda bem dirão os leitores! A Segurança Social, e muito bem, tem inclusive os «Manuais de Gestão da Qualidade das Respostas Sociais» com os referenciais que visam precisamente um sistema de qualidade das respostas sociais!

Se analisarmos a legislação, os manuais de procedimentos e alguns regulamentos internos de empresas/associações de apoio domiciliário verificamos que a grande preocupação é prestar um serviço de qualidade ao utente. No entanto, podemos interrogar-nos se poderá existir um serviço de qualidade sem que existam medidas adequadas de promoção de segurança e saúde no trabalho.

Sem querer ser injusto, numa análise muito sumária da legislação e bibliografia sobre esta matéria aparece muito pouco visível a preocupação com a qualidade do trabalho dos colaboradores assalariados destas instituições, na sua maioria privadas sem fins lucrativos. Para além de salários baixos estes trabalhadores nem sempre encontram as melhores condições de trabalho nas suas instituições.

Vamos começar por saber o que é um serviço de apoio domiciliário (SAD).Segundo a legislação nacional trata-se da «resposta social que consiste na prestação de cuidados individualizados e personalizados no domicílio a indivíduos e famílias quando, por motivo de doença, deficiência ou outro impedimento, não possam assegurar temporária ou permanentemente, a satisfação das suas necessidades básicas e ou as atividades da vida diária».

Para melhor verificarmos quais os principais riscos que esta atividade envolve para respetivos trabalhadores vamos inventariar os principais serviços de um SAD:

Temos:

a) Cuidados de higiene, saúde e conforto pessoal;

b) Arrumos e limpeza de habitações;

c) Confeção de alimentos no domicílio ou distribuição de refeições por vários domicílios;

d) Tratamento de roupas;

e) Eventual acompanhamento dos utentes nas deslocações ao exterior

Em todas estas atividades os trabalhadores destas instituições podem encontrar riscos para a sua segurança e saúde. É assim indispensável prever a inclusão destas matérias na formação profissional dos prestadores de cuidados e estabelecer planos de SST na instituição pelo menos em quatro áreas essenciais:

a) Nas instalações da instituição, que obedecem já a um conjunto de requisitos de segurança ao nível dos edifícios licenciados; Não podem ser esquecidos os espaços próprios para os colaboradores;

b) Nos trajetos a percorrer pelos trabalhadores prestadores dos cuidados (segurança das viaturas, inspeção das mesmas, pressão dos horários, trajetos, etc.);

c) Nas habitações dos utentes a que se prestam os cuidados (riscos elétricos, gaz, quedas, queimaduras, lesões músculo-esqueléticas, químicos, violência);

d) Na adoção de medidas de proteção individual e de promoção da saúde dos trabalhadores (Luvas e fato de trabalho, em especial nos cuidados de higiene e limpeza, exames médicos periódicos, seguros de acidentes, apoio psicológico).

Sem querer ser exaustivo recordamos que as medidas de segurança e saúde no trabalho poderão, em parte ser incluídas no Regulamento interno da instituição para além de se elaborar sempre um plano de ação anual de SST coordenado pela Diretora Técnica ou trabalhador designado.

Também poderão ser incluídas medidas nos ficheiros dos utentes, em particular medidas específicas que estejam relacionadas com a sua habitação. Riscos elétricos e de gaz, quedas, substâncias perigosas, riscos biológicos, grau de mobilidade do utente. A situação psicológica do utente pode também ter efeitos negativos no colaborador, nomeadamente ao nível de potenciais atos de violência. No caso de pouca ou nenhuma mobilidade do utente será necessário equacionar formas de cuidar sem colocar em risco os colaboradores.

Em conclusão, a promoção da segurança e saúde no trabalho nas instituições vocacionadas para o apoio domiciliário é um elemento essencial da qualidade dos serviços e deve integrar a formação e ação dos respetivos profissionais.











sexta-feira, 28 de junho de 2013

FATORES PSICOSSOCIAIS NO TRABALHO-ponto de situação!

Lúcia Simões Costa e Marta Santos investigadoras da Universidade do Porto escrevem um artigo onde fazem o ponto de situação bibliográfico sobre a situação da investigação nesta matéria.

«…O reconhecimento dos riscos psicossociais como um dos desafios para a segurança e saúde no
trabalho implica que se perceba qual o peso desses riscos na saúde dos trabalhadores, qual a abordagem mais eficaz desta temática e de que forma se pode intervir nas situações de trabalho para criar condições que permitam a sua gestão, com vista a uma melhor saúde, segurança e bem-estar. Assim, o propósito deste estudo foi, através de uma revisão da literatura, tentar clarificar alguns conceitos no domínio dos fatores e riscos psicossociais no trabalho, bem como conhecer o que, de mais recente, se tem investigado sobre o tema; identificar o tipo de instrumentos utilizados para o seu estudo e avaliação e refletir os resultados constatados…»VER

quarta-feira, 26 de junho de 2013

AMERICA LATINA E MOVIMENTOS SOCIAIS!

Entrevista interessante do sociólogo espanhol Juan Carmelo Garcia  publicada por um jornal brasileiro
onde se fala da evolução da América Latina, do Brasil, Venezuela e Chile!A chave para entender a América latina são os movimentos sociais diz este sociólogo.
Os recentes acontecimentos no Brasil que mobilizaram e ainda mobilizam centenas de milhares de pessoas são de facto um novo desafio para a ação política e para a democracia!Fala-se novamente em poder popular!O que é hoje o poder popular?Como se articula a democracia representativa e a democracia direta?Como se combate de forma radical esta política das democracias que se tornou num negócio?VER

terça-feira, 25 de junho de 2013

EMPREGOS VERDES ,RISCOS NOVOS?

Apresentamos hoje um Relatório prospetivo da Agencia Europeia para a Segurança e Saúde no trabalho sobre os empregos verdes e riscos novos e emergentes associados ás novas tecnologias.
Empregos verdes começaram a ser falados recentemente pela OIT e pela União Europeia.As grandes
centrais sindicais iniciaram também um debate interessante sobre esta questão.Um tema interessante mas que deve ser debatido sem se cair na verborreia e no otimismo ingénuo que, por vezes, se apodera de algumas instituições públicas.

A tecnocracia tem muitas formas de domínio e uma delas é apresentar um tema como grande novidade e até numa linguagem pretensamente humanista para, depois na prática, se dar margem á atuação dos grandes grupos/lobies industriais e outros.
Lamentavelmente a linguagem humanista da UE emcobre, cada vez mais, as práticas neo-liberais  e predadoras do capitalismo mundial,a austeridade a todo o preço e a desregulação do trabalho.
Muita parra e pouca uva como diz o ditado popular!Nunca o investimento na segurança e saúde foi tão baixo no espaço comunitário!Todavia, nunca se fizeram tantos relatórios, estudos e comunicações.Porquê esta discrepancia?

sexta-feira, 21 de junho de 2013

BRASIL, A SURPRESA!

O mundo está em ebulição numa espécie de revolução! Em vários países setores importantes da população, em particular jovens, contestam claramente o poder! Primeiro as ditaduras árabes agora na Turquia e no Brasil. Também numa Europa, a braços com uma crise colossal, se levantam de vez em quando segmentos importantes da população, em particular os movimentos contra a austeridade, corrução e as desigualdades.

No Brasil, deram-se nos últimos dias importantes manifestações, de início para se reivindicar transportes mais baratos, para depois se passar á exigência de melhores serviços de saúde e educação. O movimento que engrossou com rapidez passou também a exigir o fim da corrução e atacar diretamente a classe dirigente em geral e o próprio poder político, uma coligação de partidos de centro esquerda liderada pelo Partido dos Trabalhadores.

Vários comentadores, participantes e analistas concordam em que o movimento surpreendeu pela rapidez no tempo e pelo alargamento das suas reivindicações. Segundo vários observadores não aparecem líderes conhecidos e a mobilização é organizada em larga medida pelas redes sociais.

O Brasil do futebol, do progresso e do protagonismo internacional que emergiu em particular com Lula está com sinais evidentes de crise! Crise de crescimento que desencadeou muitas dinâmicas, nomeadamente alargamento das classes médias, desejos de consumo e de combater a porca miséria! O PT , Partido dos Trabalhadores, será de algum modo vítima da dinâmica desenvolvimentista que desencadeou! Uma dinâmica com objetivos de inclusão e de melhoria da vida das classes trabalhadoras, sem dúvida! Uma dinâmica de crescimento capitalista pouco diferente daquela que é apanágio da direita mais moderna, também! Crescimento não sustentável, delapidador do ambiente e baseado em grandes obras e em grandes grupos económicos e na agroindústria tem os dias contados a prazo.

A diferença entre a esquerda e direita estará também no modelo de crescimento e não apenas numa melhor distribuição do rendimento. Está em colocar os serviços públicos de qualidade no centro das politicas. Está no combate por mobilizar as populações para a participação cultural, política e económica e não no assistencialismo e paternalismo! Na melhoria salarial contra a imoral desigualdade entre executivos e demais trabalhadores. No tornar as grandes cidades espaços de vida e de humanidade, contra a agressão da miséria! Aí a habitação tem um lugar especial! O lugar e a casa onde se vive têm muita força!

O Brasil, que ainda está em ebulição, será um novo palco de ação e de debate! Vamos estar atentos.

terça-feira, 18 de junho de 2013

JULGAMENTO DOS NEGREIROS!

Segundo a LUSA o Tribunal de São João Novo, no Porto, adiou hoje, pela segunda vez, o início do
julgamento de 53 pessoas acusadas de angariar pessoas para realizarem trabalho escravo em quintas espanholas, porque um dos arguidos não foi notificado.


O julgamento esteve marcado para 14 de maio, foi adiado para hoje, nomeadamente porque faltava ainda notificar arguidos residentes em França e em Espanha, e agora voltou a ser adiado, desta vez para 12 de setembro.

"Com a toda a certeza, o julgamento vai iniciar-se a 12 de setembro", disse a juíza-presidente, Ana Paula Oliveira, convicta de que até lá serão notificados todos os arguidos e estarão cumpridos todos os prazos para eventuais contestações.

Segundo o processo, os engajadores terão recrutado portugueses para trabalhar em diversas quintas espanholas, prometendo-lhes salários atraentes e ainda alojamento.

Mas a acusação diz que esses trabalhadores depararam com uma realidade muito diferente, visto que faziam trabalho escravo, sofriam abusos sexuais e agressões, cumpriam prolongadas jornadas diárias de trabalho, sem descanso semanal, e ficavam até sem o dinheiro que lhes era pago pelos donos dessas quintas.

Distribuídos por diversos subgrupos, os arguidos tinham um padrão de atuação similar e obedeciam a ordens de "clãs" familiares, maioritariamente com raízes em Trás-os-Montes.

Os arguidos privilegiavam o recrutamento de homens e, de entre estes, os de baixa escolaridade, oriundos de famílias desestruturadas, padecendo de alguma deficiência física ou psíquica ou viciados em álcool e/ou drogas, especifica o Ministério Público, numa acusação de 400 páginas.

As vítimas eram coagidas a entregar o dinheiro, "sob pena de virem a ser brutalmente sovadas", diz um auto de declarações, citando o ofendido Fernando.

"Através da intimidação e da violência física, [os principais arguidos] aterrorizavam os trabalhadores, visando obter, à sua custa e contra a sua vontade, avultados lucros", sintetiza a acusação.

O Ministério Público sustenta a acusação em escutas e prova documental, tendo ainda indicado 66 testemunhas, incluindo alegadas vítimas.

A Polícia Judiciária desenvolveu, em 2010, várias operações relacionadas com estes casos, que contaram com a colaboração das autoridades espanholas.

Nesta altura, o número de arguidos baixou de 59 para 53, porque o tribunal encontrou falhas processuais.

Seis desses arguidos estão fora de Portugal e vão ser notificados para o julgamento através de cartas rogatórias.

A juíza considerou "evidente" que o cumprimento de tais notificações "atrasa de forma considerável o julgamento" e decidiu que "o julgamento far-se-á" sem esses seis arguidos.

Com esta questão arrumada e a anuência dos advogados, a juíza fixou a data para o início do julgamento, que será a 12 de setembro, às 10:00, e marcou também as audiências seguintes, que serão nos dias 17, 19 e 26 daquele mês, à mesma hora.»

Nota:Atenção á Judiciária, ACT e SEF pois há indícios de trabalho sem qualquer lei em muitas partes do País, em particular no Douro e Alentejo!

segunda-feira, 17 de junho de 2013

AVALIAÇÃO DE RISCOS-Ferramentas simples!


«A avaliação de riscos constitui o primeiro passo indispensável na prevenção dos acidentes de
trabalho e das doenças profissionais. O OiRA - Instrumento interativo de avaliação de riscos em linha - torna esse processo mais simples.

Fornece os recursos e o saber-fazer necessários para que as micro e as pequenas organizações possam avaliar elas próprias os seus riscos.
Disponíveis gratuitamente na Web, as ferramentas OiRA são facilmente acessíveis e simples de utilizar. O OiRA proporciona uma solução passo a passo para o processo de avaliação de riscos, começando pela identificação dos riscos no local de trabalho, orientando posteriormente o utilizador ao longo de todo o processo de implementação das ações preventivas e terminando com a monitorização e comunicação desses mesmos riscos».Ver