sexta-feira, 2 de novembro de 2012

DESAFIOS DO SINDICALISMO EM TEMPOS DE CRISE!

Os sindicatos estão perante desafios enormes no quadro da atual crise do capitalismo internacional. Os desafios maiores são o desemprego galopante a nível mundial e a precariedade que conduz á pobreza milhões de trabalhadores. Mas existem outros desafios tremendos como é o caso da destruição do Estado Social em vários países na Europa no âmbito da crise do euro. Neste quadro urge responder á desfiliação sindical e descredibilização que afeta não apenas os políticos mas também os sindicalistas.

De forma breve podemos apontar alguns desafios imediatos a que os sindicatos terão que responder relativamente á desfiliação sindical:

A dessindicalização é devida ao desemprego, á falta de dinheiro, ao medo, á descrença e á credibilidade sindical. Nos últimos tempos a dessindicalização é bastante forte em alguns setores de atividade.

Neste sentido seriam necessárias algumas medidas com destaque para a eventual diminuição das quotas sindicais, melhores serviços jurídicos, uma maior proximidade dos dirigentes sindicais aos locais de trabalho e a uma maior dinâmica sindical nas empresas e serviços. Dada a limitação de quadros, vários locais de trabalho são contatados por sms,s e não têm delegados sindicais há muitos anos. Seria necessário dar uma maior importância á formação sindical, dignificando-a e fazer com que a mesma fosse reconhecida com estatuto de formação profissional!

Formação ao nível nomeadamente da legislação laboral para que os trabalhadores tivessem uma maior informação no domínio dos direitos laborais! A ignorância neste domínio é confrangedora e nefasta para a luta reivindicativa e para a emergência de ativistas sindicais!

Seria necessário igualmente rever algum discurso sindical escrito em geral pouco esmerado, repetitivo e demasiado conotado partidariamente!

Por outro lado o movimento sindical deve estudar formas de prestação de serviços aos seus associados. O sindicalismo reivindicativo não é incompatível com a prestação de serviços aos associados para que estes vejam outras utilidades em estarem sindicalizados. O sindicalismo é um movimento de massas, é uma organização dos trabalhadores, se possível de todos os trabalhadores!

Quanto á credibilização o problema tem a ver com a transparência e a democraticidade das organizações! Dar mais poder aos associados e menos decisões de cúpula, nomeadamente nas decisões sobre as lutas que se fazem!

O provável futuro Secretário -Geral da UGT, Carlos Silva, mostrou-se recentemente preocupado com algumas destas questões e, ainda, com a ligação dos sindicatos aos movimentos sociais. Eis uma reflexão pertinente e obrigatória! Os sindicatos não devem ter medo de perder a sua identidade! A realidade não para e os trabalhadores ou apostam nos seus sindicatos ou criam outras organizações. Os sindicalistas profissionais que se cuidem….

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

DADOS SOBRE CONDIÇÕES DE TRABALHO EM PORTUGAL!

O Departamento de segurança e saúde no trabalho da UGT acaba de publicar no seu blogue um trabalho muito útil sobre as condições de SST em Portugal a partir dos dados recolhidos no quinto inquérito europeu sobre as condições de trabalho.

«O questionário abrangeu questões de vária natureza, desde o emprego precário, a estilos de liderança, à participação dos trabalhadores, bem como questões sobre o contexto profissional geral, designadamente no que toca ao tempo de trabalho, à organização do trabalho, aos salários. Igualmente as matérias relativas aos riscos para a saúde relacionados com o trabalho, aos fatores cognitivos e psicossociais foram objeto de atenção.VER




sexta-feira, 26 de outubro de 2012

CAMPOS ELETROMAGNÉTICOS-proteger melhor os trabalhadores europeus!

No dia 4 do presente mês de Outubro os ministros europeus de Assuntos Sociais chegaram a um acordo informal sobre a revisão da legislação europeia relativa á proteção dos trabalhadores expostos aos campos eletromagnéticos (telemóveis computadores e outro equipamento nomeadamente de saúde).
O compromiso não integra as reivindicações dos sindicatos sobre os efeitos a longo prazo sobre a saúde huma destes campos eletromagnéticos!Ver

terça-feira, 23 de outubro de 2012

GREVE GERAL !

A CGTP está marcar pontos em termos sindicais e políticos! Depois de boas manifestações sindicais apontou uma Greve Geral para 14 de Novembro! Esta proposta já era esperada após o conhecimento das novas e brutais medidas de austeridade para 2013 a incluir no respetivo orçamento!

Perante esta iniciativa da CGTP a UGT não soube reagir á altura acusando a primeira de «sectária e divisionista». Resta agora que alguns sindicatos da UGT, nomeadamente na Função Pública, marquem também greve nesse dia como, aliás, alguns já o deram a entender! Será que a UGT vai continuar a arrastar penosamente um acordo várias vezes espezinhado pelo governo? São muitos os que se interrogam sobre o comportamento desta Central! A última Greve Geral conjunta não correu bem? Mas se fosse levada a cabo uma avaliação independente a UGT não estaria isenta de culpas.

Numa importante e concertada ofensiva internacional, consegue-se que as principais centrais sindicais espanholas (UGT, Comissiones e USO) marquem também uma Greve Geral para 14 de Novembro. Uma iniciativa inédita que vem dar força á greve portuguesa e levar mais longe o eco das lutas na Península Ibérica! Como ainda não bastasse, e para gaudio da delegação portuguesa da CGTP, a Confederação Europeia de Sindicatos (CES), na reunião do seu Executivo de 17 de outubro marca para esse mesmo dia uma Jornada de Luta para toda a Europa! O que vai acontecer no dia 14 de Novembro poderá ser o embrião de uma futura Greve Geral Europeia!

Por outro lado, a CGTP tem evoluído no relacionamento com os movimentos sociais e associações de trabalhadores que não têm caráter sindical como os trabalhadores precários e os organizadores das manifestações autónomas que tiveram a maior expressão no 15 de Setembro. Como articular as ações de rua de forma coordenada mantendo a expressão autónoma, mas convergente, na contestação das políticas de austeridade e de destruição do Estado Social? Os movimentos sociais exprimem aspirações e expressões próprias. Os sindicatos, por sua vez, também têm uma história, organização e estratégia próprias! Existe espaço para todos! Todos somos necessários!

O combate que se leva a cabo neste momento é histórico  exige o máximo de convergência para mudar a relação de forças sociais, impedir que o capitalismo financeiro destrua as nossas sociedades democráticas e aquilo que gerações inteiras levaram a construir com trabalho, suor e lágrimas!

terça-feira, 16 de outubro de 2012

SUICÍDIO NO TRABALHO-estudo de caso!

Estudo de investigadores brasileiros:

«As empresas vêm presenciando o suicídio de seus empregados, atribuído, de acordo com Dejours e Bègue (2010), às consequências negativas das novas organizações do trabalho. Com base no estudo de óbito de trabalhador bancário, o foco desteartigo é avaliar se o trabalho poderia ser um dos fatores relacionado à decisão de cometer-se o suicídio.

Avaliou-se o significado qualitativo da morte sob o ponto de vista do irmão do suicida (ambos colegas de trabalho durante mais de 20 anos), entrevistado em 2009. Visto que esse tipo de análise produz volume significativo de dados sobre o fenômeno pesquisado, estes foram processados e analisados por meio de análise categorial. O bancário trabalhava na empresa havia três décadas e morreu em meados de 2000, faltando um ano para aposentadoria, após a esposa requerer o divórcio.

O trabalho foi o contexto para compreender o processo que o conduziu à ruína familiar, à exasperação psíquica e, por fim, à morte. O caso não envolveu assédio moral, já que se tratava de empregado muito bem conceituado, mas de patologia associada à servidão voluntária, patologia essa cada vez mais estimulada como símbolo de sucesso. No ambiente de trabalho, problemas conjugais foram os fatores atribuídos como causa maior do suicídio, mais conveniente como forma de eximir responsabilidades perante o infortúnio, transferindo somente ao sujeito a culpa por conflitos pessoais ou desordens psíquicas.»ver

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

TRABALHAR NO ESTRANGEIRO-Previna-se!

São cada vez mais os portugueses que, perante a crise e o desemprego, procuram trabalho no estrangeiro!É lamentável e preocupante que Portugal,mais uma vez na sua História, não seja futuro para os seus cidadãos.Emigrar é um direito mas também quase sempre uma necessidade de procurar trabalho!

Caso pense em ir trabalhar para o estrangeiro é importante assegurar-se de que não irá ser vítima de pessoas sem escrúpulos ou de redes mafiosas que enganam e exploram as pessoas inocentes que estão disponíveis.
Prepare-se antes de partir.Uma boa informação é essencial nessa preparação.Veja esta brochura que é uma pequena ajuda.Ver

terça-feira, 9 de outubro de 2012

TRABALHADORES DOMESTICOS!

Nos próximos dias vão reunir em Lisboa(11 e 12) peritos de toda a Europa convocados pela Organização Internacional do Trabalho para debaterem a inspeção do trabalho e o setor do trabalho doméstico. Representantes dos governos e das principais organizações de trabalhadores e patrões estarão neste fórum regional da OIT para estabelecerem metodologias adequadas para a promoção do trabalho digno neste setor laboral!

Na última Conferencia Internacional do Trabalho, em Junho passado, aquela organização internacional aprovou a Convenção nº189 estipulando normas mínimas para este tipo de trabalho realizado de modo especial pelas mulheres e imigrantes. Nos países em desenvolvimento este tipo de trabalhadores são uma importante fração do mundo do trabalho, entre 4 a 10%, enquanto nos países industrializados pode chegar aos 2,5 a 3%.

Sendo um trabalho exercido na maioria dos casos no domicílio do patrão os trabalhadores domésticos não são considerados iguais aos outros trabalhadores em muitos países, e são frequentemente alvo de discriminação salarial, assédio moral e sexual! Em algumas regiões do globo o trabalho doméstico é sinónimo de trabalho escravo!

Em Portugal as trabalhadoras e trabalhadores domésticos nunca foram considerados como trabalhadoras iguais aos outros! Em 1980 estabeleceu-se com o DL nº508/80 um regime específico regulador do contrato de trabalho doméstico. Ainda era um estatuto discriminatório mas já era um avanço face á situação anterior, graças á democracia e á luta do Sindicato das Trabalhadoras do Serviço Doméstico, criado a seguir á Revolução de 25 de Abril de 1974.Este sindicato, criado por militantes jocistas e defensores do sindicalismo autónomo da Base-Fut, fundou, inclusive, cantinas populares e cooperativas em Lisboa e Porto de prestação de serviços domésticos visando no futuro retirar as trabalhadoras do domicilio patronal! Este sindicato foi mais tarde integrado no atual Sindicato dos Trabalhadores de Vigilância e Limpeza da CGTP.

Em 1992 pelo DL nº235/92 foram realizadas outras aproximações ao regime geral dos outros trabalhadores, nomeadamente no capítulo da segurança e saúde no trabalho. Em 2004 foi uniformizado o salário mínimo igual ao dos outros trabalhadores.
A acção da inspeção do trabalho é fundamental para promover as condições de trabalho dignas.Não se pode limitar, porém a uma mera informação.São necessárias estratégias de informação e inspeção para combater a exploração do trabalho neste setor!Guia dos direitos